SEMINÁRIO VISÃO YANOMAMI

O seminário VISÃO YANOMAMI marca a inauguração da Galeria Claudia Andujar no Instituto Inhotim. As mesas do seminário buscam apresentar a cosmovisão Yanomami pela ótica da experiência de Claudia Andujar como artista, pesquisadora e ativista, bem como revisitar e apontar estratégias e estéticas de produção de visibilidade política dos povos indígenas. A indigenização dos circuitos e dos discursos das artes está no horizonte imediato da programação, ampliando o diálogo entre os campos e as falas indígenas e não indígenas. A abertura da Galeria e a realização do seminário em Inhotim contribuem de forma decisiva para desestabilizar e expandir o espaço convencional do museu, com seus acervos artístico e botânico, reverberando no binômio cultura e natureza.




PROGRAMAÇÃO

Dia 26 de novembro de 2015

9:30h às 16:30h – Abertura da Galeria Claudia Andujar com visitação aberta ao público e pajelança Yanomami ao longo do dia.

Dia 27 de novembro de 2015

10h às 12h – Cosmovisão Yanomami, com Carlo Zacquini, Claudia Andujar e Davi Kopenawa Yanomami.

13h às 14h30 – Política das imagens, com Ailton Krenak e Ana Paula Caldeira Souto Maior e Rogério do Pateo. Mediação: Paulo Maia.

14h30 às 16h – Indigenização das artes, com Isael Maxakali, Lux Vidal e Moacir dos Anjos. Mediação: Rodrigo Moura.

INSCRIÇÕES ENCERRADAS

Olá! As vagas para o seminário Visão Yanomami estão esgotadas. Esperamos sua visita para conhecer a Galeria Claudia Andujar.

Lux Boelitz Vidal é professora emérita, aposentada, do Departamento de Antropologia Social da USP. Desenvolveu pesquisas entre os índios Kayapó Xikrin do Cateté e Bacajá, Pará, assessorando esses povos na demarcação de suas Terras. A partir de 1990, coordena pesquisas entre os povos indígenas do Baixo Oiapoque, Amapá. Ex-presidente da Comissão Pró-Índio de São Paulo, é atualmente membro de seu conselho.

Claudia Andujar atuou como repórter fotográfica ao longo dos anos 1960 e a partir da década de 1970 passa a trabalhar com os Yanomami, povo ao qual se dedicou ao longo de décadas, lutando por sua preservação e pela demarcação de sua terra. Foi uma das fundadoras da Comissão pela Criação do Parque Yanomami (CCPY). É autora dos livros Amazônia - em parceria com George Love -, 1978 e Mitopoemas Yanomami , 1979. Participou de mostras diversas, como a 24ªBienal Internacional de Arte de São Paulo, 1998, e em janeiro de 2005 expôs na Pinacoteca do Estado de São Paulo a leitura mais completa já realizada sobre sua obra até então, chamada Vulnerabilidade do Ser. Em Inhotim estão expostas em caráter permanente centenas fotos feitas entre o povo Yanomami ao longo de mais de três décadas.

Davi Kopenawa Yanomami é um xamã Yanomami e uma importante liderança política no cenário indígena brasileiro. Ainda criança, viu a população de sua terra natal ser dizimada por epidemias trazidas pelo contato com o homem branco. Trabalhou na Funai como intérprete e na década de 1980 mudou-se para a aldeia Watoriki, onde foi iniciado como xamã. Foi um dos responsáveis pela demarcação do território Yanomami em 1992. Em 2010, sua autobiografia La chute du ciel, escrita em parceria com o antropólogo francês Bruce Albert, foi lançada na França e em 2015 lançada em português no Brasil, com o título A queda do céu.

Ailton Krenak é um militante indígena dos direitos humanos. Nasceu em 1953, no Vale do Rio Doce, Minas Gerais, no povo dos Krenak. Fundou e dirige o Núcleo de Cultura Indígena e o Festival de Danças e Culturas Indígenas, na Serra do Cipó (MG). É autor de textos e artigos publicados em coletâneas no Brasil e exterior e em 2015 publicou, dentro da série Encontros, da editora Azougue, o livro que leva seu nome e reúne entrevistas concedidas ao longo dos últimos 30 anos.

Ana Paula Caldeira Souto Maior é advogada que trabalha com direitos indígenas há 29 anos. Trabalhou Roraima na demarcação da Terra Indígena Raposa Serra Do Sol; na Funai, com regularização fundiária e na Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Trabalha no Instituto Socioambiental desde 2007 com assessoria jurídica, gestão territorial e políticas públicas, assessorando organizações indígenas parceiras como a Hutukara Associação Yanomami (HAY), a Federação das Organizações indígenas do Rio Negro (FOIRN) e o Conselho do Povo Indígena Ingarikó (COPING).

Paulo Maia é doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional / UFRJ e professor adjunto da Faculdade de Educação (UFMG). Atua na área de antropologia, com ênfase em Etnologia Sul-Americana e Educação Indígena. Desenvolveu sua pesquisa com o povo Baré, do alto Rio Negro, e é um dos idealizadores e curadores do forumdoc.bh - Festival do Filme Documentário e Etnográfico - Fórum de Antropologia e Cinema, realizado desde 1997 em Belo Horizonte. Co-curador, com Rodrigo Moura, da exposição "Estado Oculto", no 43o Salão (Inter) Nacional de Artistas de Medellin em 2013.

Isael Maxacali é professor de língua e cultura maxakali na Escola Estadual Isabel Silva Maxakali e diretor cinematográfico. Faz documentários sobre a história e a cultura de seu povo e também oferece oficinas. É formado em nível universitário no curso de Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI) da UFMG. Viveu na aldeia de Água Boa/MG até 2006 e passou um ano num acampamento provisório por conta de um conflito, que levou seu povo a buscar outra terra. Em 2007 foram transferidos para uma nova reserva no município de Ladainha, onde estão até hoje.

Moacir dos Anjos é pesquisador e curador de arte contemporânea da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife. Foi curador da 29a Bienal de São Paulo (2010) e das exposições “Cães sem Plumas” (2014, no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, Recife), e “A queda do céu” (2015, no Paço das Artes, São Paulo). É autor dos livros Local/Global. Arte em Trânsito (2005), ArteBra Crítica (2010) e Política da Arte(2014), além de editor de Pertença, Caderno_SESC_Videobrasil 8 (2012).

Rogério do Pateo é doutor em Antropologia Social pela FFLCH/USP. Dedicou-se à pesquisa sobre os conflitos intercomunitários e o sistema de comunicação cerimonial dos índios Yanomami, entre os quais permaneceu cerca de 15 meses durante pesquisas de campo. Atualmente é assessor do INEP e Professor Adjunto no Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFMG.

Carlo Zacquini é missionário e está em Roraima desde 1965, ano em que teve seu primeiro contato com os Yanomami. Dedicou-se ao estudo da língua Yanomae, à pesquisa sobre cultura material e mitologia. Com Claudia Andujar e Bruce Albert deu início a Comissão pela Criação do Parque Yanomami (CCPY). No momento está coordenando o trabalho do Centro de Documentação Indígena em Boa Vista.

Rodrigo Moura é curador, editor e crítico de arte. Desde 2014, é diretor artístico do Instituto Inhotim, onde desde 2004 faz parte da equipe curatorial. É o curador da exposição inaugural da Galeria Claudia Andujar. Vive em Belo Horizonte.

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