• EN
  • 17 de abril de 2020

    Marcelo Martins


    Leitura: 15 min

    Até quando esse fogo vai queimar? Uma atualização do instante fotográfico na obra “Yano-a”, 2005

    Até quando esse fogo vai queimar? Uma atualização do instante fotográfico na obra “Yano-a”, 2005

    Temáticas relacionadas aos indígenas estão presentes em várias manifestações artísticas: na música (como em “Nozani-ná”, composta por Heitor Villa Lobos); no cinema (a exemplo de “O abraço da serpente”, filme dirigido por Ciro Guerra indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2016) e na fotografia, que tem um dos seus maiores expoentes a artista Claudia Andujar, a quemInhotim, em 2015, construiu uma galeria para abrigar seu trabalho 

    Em novembro de 2019,  mês em que uma série de inaugurações marcou a programação do Instituto, a Galeria Claudia Andujar ganhou uma nova obra: Yano-a (2005), que, além da própria artista, tem autoria de Gisela Motta e Leandro Lima.

    Uma atualização do instante fotográfico

    Em 1976, Claudia Andujarrealizou o trabalho Wakata-ú, Tiy”, que, na língua Yanomami, significa “tudo o que corre”, uma alusão à denominação dada por esse povo ao Rio Catrimani. Na imagem, a artista registrou shabonoYanomami(casa comunitária) pegando fogo, ato que na cultura dessa tribo faz referência à renovação através da mudança: quando a terra que ocupam já não dá mais frutos e a floresta ao redor não providencia mais a caça, ateiam fogo em suas shabonos para construir novas estruturas, possibilitando, assim, um novo começo.   

     Foi a partir dessa imagem em preto e branco que   Gisela Motta e Leandro Lima propuseram uma atualização do instante fotográfico. Para isso, utilizaram diversos dispositivos: retroprojetor, vento, água e projeção de vídeo com as labaredas do registro da casa em chamas. A instalação ganha movimento graças a água armazenada em um aquário sobre o retroprojetor; e o tom avermelhado da imagem é gerado por um filtro vermelho sobre a imagem original de Andujar.

    Foto-1---William-Gomes---Yano-a-exposta-na-Galeria-Claudia-Andujar,-no-Inhotim.Yano-a (2005) está exposta na Galeria Claudia Andujar, no Inhotim, desde novembro de 2019. | Foto: William Gomes

    A ideia da obra veio de um convite feito a Motta & Lima pela Galeria Vermelho (que representa Claudia Andujar na capital paulista) em 2005,na ocasião da exposição da artista na Pinacoteca, em São Paulo. “A proposta era fazer repensar uma foto de Andujar, configurando a partir dela uma montagem atual. Pensamos em criar um  vídeo com uma situação de momento, atualizando esse instante em que foi fotografado, como se, em tempo real, a foto perdesse a sua característica de arquivo”, explica Leandro.  

    Motta contextualiza a obra na carreira da dupla, que realiza trabalhos há 20 anos: “Desde o início da nossa produção, pesquisamos uma temporalidade como se fosse o instante do tempo suspenso. Quando escolhemos essa shabono pegando fogo, não fazia sentido exibi-la queimando do começo ao fim. O que nos interessou foi ter esse instante suspenso, esse momento em que ela está eternamente se incendiando”.  

    Engrenagens expostas  

    Quando a obra foi exposta pela primeira vez, o funcionamento sobre a projeção das imagens despertou a curiosidade dos visitantes: nesta primeira versão, os equipamentos  não eram expostos como parte integrante da obra, o que começou a ser feito a partir de 2007. Para Gisela, dar visibilidade à estrutura física que resultou do processo criativo possibilita uma abordagem educativa. “Nós, como um país que importa mercadoria, recebemos os produtos embalados em invólucros. Percebemos que não temos acesso à tecnologia. Exibir esse processo criativo é um incentivo para mostrar a forma como as coisas são construídas. É um conhecimento aberto, diz. 

    Foto-2---Visitantes-podem-ver-de-perto-como-a-obra-e-projetadaVisitantes podem ver de perto como a obra é projetada.  | Foto: Leo Lara/Área de Serviço

    Yano-a (2005) está exposta na Galeria Claudia Andujar, que foi inaugurada em 2015. A artista destacou-se na década de 1990 por liderar o movimento de demarcação da terra Yanomami, localizada no estado de Roraima, na fronteira com a Venezuela. Na galeria, você pode ver cerca de 400 fotografias registradas por Andujar entre 1970 e 2010, livros da artista e o documentário “A estrangeira”, produzido pelo Inhotim.  

    Foto-3---William-Gomes---E-possivel-andar-ao-redor-da-obra-e-ter-outros-pontos-de-vista-sobre-a-mesmaÉ possível andar ao redor da obra e ter outros pontos de vista sobre a mesma. | Foto: William Gomes 

    Yano-a (2005), que agora pertence ao acervo do Inhotim, foi exposta pela primeira vez na Galeria Vermelho em 2005; nesse ano, também esteve no Centre d’ArtContemporain de Basse-Normandie, na França; em 2007, no Solar da Unhão, em Salvador (BA); em 2008 integrou a exposição “Amazon War”, em Munique (Alemanha). Em 2012, esteve na exposição “Sopro”, no CCBB do Rio de Janeiro; na Pinacoteca, em 2016; integrou quatro mostras: “Quando o mar virou rio”, no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro; “Nada levarei quando morrer, aqueles que me devem cobrarei no inferno”, no Galpão VB, em São Paulo; “VideoArt in LatinAmerica”, na Laxart, em Los Angeles (EUA); e na cidade chinesa de Guangzhou em “Simultaneous Eidos—Guangzhou ImageTriennial”. Em 2018integrou a terceira edição da Beijing Photo Bienal, na exposição “ConfusingPublicand Private”. 

    ____
    [Claudia Andujar, Gisela Motta, Leandro Lima, “Yano-a”, 2005, videoinstalação, tela suspensa de retroprojeção, projetor de vídeo, retroprojetor, fotolito, filtro de cor, microventilador, aquário e água, dimensões variadas]

    comente

    • Twitter
    • Facebook
    • Google +
    19 de março de 2020

    Marcelo Martins


    brumadinhojarbas lopestroca-troca

    Leitura: 6 min

    A volta do “Troca-troca” (2002) por Brumadinho

    Em 2002, oito amigos saíram do Rio de Janeiro, em três fuscas muito chamativos, com as peças trocadas nas cores amarelo, vermelho e azul, rumo a Curitiba. Quinze anos depois, os três fuscas seriam conduzidos por Jarbas Lopes e seus amigos pelas ruas de Brumadinho. Os três veículos compõem a obra Troca-troca (2002), que faz parte do acervo do Inhotim. O trabalho já ficou exposto em diversos locais do museu e atualmente está na Galeria Praça. Antes de ir para o restauro (realizado de março até outubro de 2017) e trocar de lugar, ficava no jardim ao lado da Galeria Cosmococa.

    Jarbas Lopes visitou o Inhotim de 18 a 21 de outubro. Ele se encontrou com as equipes Técnica e Curadoria para conversar sobre o restauro, realizou uma dinâmica com vários funcionários do Instituto, fez uma live para falar sobre o processo e realizou um show de música, juntamente com a banda Shiba, aos pés da árvore tamboril, durante as Ocupações Temporárias 2017. Ele foi ainda homenageado por alunos de uma escola de Belo Vale, cidade perto de Brumadinho, que fizeram uma réplica dos fuscas em uma atividade proposta em sala de aula. No Inhotim, os estudantes encontraram com o artista e cantaram “Fuscão preto”, especialmente para Jarbas.

    Foto1

    Jarbas Lopes é homenageado pelos alunos de Belo Vale, prestes a ouvir a música “Fuscão preto”. Crédito: William Gomes

    Troca de olhares, tchauzinhos… e de motor

    No dia 21 de outubro de 2017, por volta de meio-dia e meia, lá estavam eles: os três fuscas saindo do Inhotim para percorrer as ruas de Brumadinho. Já no trajeto, a obra do acervo foi chamando a atenção de quem encontrava, ganhando acenos pelo caminho.  O trabalho de Jarbas Lopes também gerou comoção de quem estava em frente ao Supermercado Super Luna, um dos locais mais movimentados da cidade. Alguns arriscaram um grito de “oi”, outros, um tímido tchauzinho. Em comum, todos tinham um olhar de curiosidade e de reconhecimento de que era uma das obras de arte mais queridas pelo público.

    Foto2

    Mulher acena para os fuscas na Rua Itaguá, perto da Quadra de Esportes. Crédito: Marcelo Martins

    O final do trajeto foi no letreiro da cidade, localizado na entrada do município. Ao fazer o retorno, ops! Um dos fuscas falhou e toda a caravana teve que parar (além das três esculturas andantes, havia cinco carros do Inhotim acompanhando o trajeto, com as equipes de Comunicação e Curadoria). O fusca, que não conseguia mais ser ligado, teve que passar pelo procedimento de troca do motor. Enquanto isso, funcionários do Inhotim registraram várias fotos e eu acabei saindo em uma delas.

    Foto3

    O analista de comunicação do Inhotim Marcelo Martins é flagrado registrando fotos do fusca parado. Crédito: Arquivo

    Troca de motor finalizada, a caravana do Troca-troca (2002) pegou o caminho de volta para Inhotim e… mais uma parada, dessa vez na subida da Rua Itaguá, ao lado da linha do trem. O motor do mesmo fusca deu defeito e a equipe de mecânicos teve que entrar em ação novamente.

    Foto4

    Já tinha visto essa parte da obra? Momento raro para ver detalhes de dentro do Troca-troca (2002)! Crédito: William Gomes

    Depois desse passeio cheio de interações com os moradores de Brumadinho, os fusquinhas voltaram para o Inhotim e trocaram de lugar: passaram a ficar expostos no vão da Galeria Praça, ao abrigo do sol e da chuva, para que fiquem conservados por mais tempo.

    Neste vídeo disponível no canal tubedorui, Jarbas conta um pouco sobre o Troca-troca (2002). Confira!

    Foto5

    Fuscas estacionados no Centro de Brumadinho, em frente à sede da Rádio Regional.  Crédito:  Marcelo Martins

    Quer saber mais sobre a obra? Acesse mais informações no nosso site.

    comente

    • Twitter
    • Facebook
    • Google +
    16 de março de 2020

    Redação Inhotim


    Leitura: 3 min

    Nota oficial: Fechamento Inhotim – Coronavírus (Covid-19)

    Nota oficial: Fechamento Inhotim – Coronavírus (Covid-19)

    O Instituto Inhotim está, como sempre, comprometido com o bem-estar dos seus visitantes, funcionários, da cidade de Brumadinho e de toda a sociedade.

    Em vista do contexto de escalada do Covid-19 no Brasil, decidimos suspender todo o funcionamento do Inhotim a partir de quarta-feira, 18 de março de 2020. Essa medida inclui o fechamento do Museu e o adiamento da programação cultural e da visitação de grupos escolares.

    Como equipamento cultural internacional, que recebe diariamente visitantes de todas as partes do país e do mundo, agimos assim com solidariedade na contenção da pandemia.

    Estamos acompanhando as resoluções tomadas pelos órgãos oficiais de saúde e reavaliando a situação diariamente para reabertura do Inhotim. Seguiremos informando nosso público pelas nossas redes.

    Calma, responsabilidade e mãos limpas são os melhores conselhos para os próximos dias.
    _________

    OFFICIAL NOTE
    Closing of Inhotim
    Coronavirus (Covid-19)

    Instituto Inhotim is, as always, committed with the well-being of its visitors, employees, of the city of Brumadinho, and the society as a whole.

    In view of the escalation of Covid-19 in Brazil, we decided to suspend the functioning of Inhotim as of Wednesday, March 18th, 2020. This measure includes the closing of the museum, in addition to the postponing of the cultural schedule, and the visits of school groups.

    As an international cultural equipment that daily receives visitors from all over the country and the world, we are taking such measures in solidarity to the containment of the pandemic.

    We are following the resolutions taken by official health organs and reevaluating the situation on a daily basis for the reopening of Inhotim. We will keep informing our audience through our networks. To remain in calm, responsible, and with clean hands are the best advice for the coming days.

    comente

    • Twitter
    • Facebook
    • Google +
    02 de março de 2020

    Redação Inhotim


    Leitura: 2 min

    Amigos do Inhotim: torne-se um também!

    Amigos do Inhotim é o programa para quem quer se aproximar, ser parte,  contribuir diretamente com a sustentabilidade do Instituto Inhotim.
    Quem é Amigo do Inhotim apoia a realização dos nossos projetos educativos que atendem milhares de pessoas todos os anos. Para além disso: estamos conectados com outras instituições museológicas do Brasil, o que faz do Amigo do Inhotim um apoiador da arte brasileira.​
    Além de participar ativamente do fomento à cultura, membros do Programa têm benefícios exclusivos no Inhotim – como descontos em shows e visitas exclusivas – e também em uma vasta rede de parceiros.​
    E mais: o apoio ao Inhotim pode ser deduzido do I.R. da pessoa física, respeitando o limite de 6% do Imposto apurado. Confira abaixo todas as nossas categorias de apoio e seus benefícios:
     INH_Tabela_Completa_AmigosInhotim
    Quer ser Amigo do Inhotim?​
    Clique aqui ou entre em contato com a gente:
    +55 31 3194 7329​ | amigos@inhotim.org.br

    comente

    • Twitter
    • Facebook
    • Google +
    17 de fevereiro de 2020

    Redação Inhotim


    Leitura: 5 min

    Carnaval no Inhotim: 7 dicas para cair na folia!

    Carnaval no Inhotim: 7 dicas para cair na folia!

    Entre os dias 22 e 26 de fevereiro, está aberto o Carnaval no Inhotim! Então, programe seu passeio, prepare sua mochila, chame a família e os amigos e confira algumas dicas para aproveitar a visita:

    1. Funcionaremos das 9h30 às 17h30, durante todo o Carnaval. O valor do ingresso é de R$44 (inteira) e R$22 (meia). Na Quarta-feira de Cinzas, a entrada é gratuita, mas vale lembrar que é necessário retirar o seu ingresso antecipadamente na Sympla, nossa tiqueteira oficial. É só clicar aqui.

    2. Se está a procura de transporte para chegar até aqui, temos opções de ônibus e vans saindo de Belo Horizonte. Saiba mais!

    3. Para curtir o passeio, é importante vir com roupas leves e calçados fechados. Ah! E não se esqueça de trazer sua garrafinha de água, temos bebedouros espalhados por todo o Parque.

    4. Como parte do dia a dia de um museu e jardim botânico, é comum que obras, galerias e jardins passem por processos de restauro e manutenção. Por isso, se informe na Recepção se há espaços interditados no dia da sua visita. Assim, fica mais fácil planejar seu roteiro e otimizar o tempo para aproveitar ao máximo!

    5. Os restaurantes e outros pontos de alimentação funcionarão normalmente durante todos os dias. Do dia 22 ao dia 25, o Restaurante Tamboril terá buffet à vontade com sobremesa a R$79 por pessoa; já o Restaurante Oiticica oferecerá buffet self-service, de sábado a terça-feira por R$69/kg e na Quarta-feira de Cinzas por R$59/kg. Inicie ou termine a sua visita com aquele cafezinho com o delicioso pão de queijo da chef Dailde no Café das Flores, pertinho da Recepção.

    6. Aproveite o dia e participe da programação educativa especial de Carnaval. Teremos Visita Panorâmica, todos os dias, das 10h30 às 12h, com percurso que apresenta ao público uma visão abrangente da história e dos acervos artísticos e botânicos do Instituto. Já a Visita Temática: Comissão de Frente Inhotim, com saída todos os dias a partir das 14h, apresenta ao público as obras e os espaços mais visitados e fotografados em 2019. Além disso, garantindo a diversão para todas as famílias e o público em geral, a Estação Folia* abre o ateliê do educativo para crianças e adultos, nos dias 23, 24, 25 e 26, para a confecção de máscaras, adereços, estandartes e brinquedos carnavalescos, inspirados pela fauna e flora local e o acervo de arte contemporânea.

    *Nos dias 24 e 25 de fevereiro a Estação Folia propõe uma oficina de produção de abadás. É necessário que os participantes tragam camisas para a confecção das peças. Traga a sua!

    7. Leve um pedacinho do Inhotim para casa! Durante a sua visita, passe pela Inhotim Loja Design, em frente à Recepção ou pela Loja Ateliê Jardim, no Estacionamento, onde estão à venda mudas de plantas cultivadas no Instituto.

    Sentiu falta de alguma informação? É só entrar em contato com a gente pelo Facebook, Instagram ou pelo telefone: (31) 3571-9700.

    Te esperamos aqui!

    comente

    • Twitter
    • Facebook
    • Google +
    Página 2 de 5812345...102030...Última »