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  • 08 de maio de 2015

    Redação Inhotim


    artemúsicavisita

    Sem categoria Leitura: 5 min

    As mais tocadas do Inhotim

    As mais tocadas do Inhotim

    Muitos trabalhos em exibição no Inhotim utilizam a música como componente para envolver o visitante. De trilhas sonoras especialmente criadas a sucessos do jazz, descubra quais são as mais tocadas do Instituto:

    “Spem in Alium nunquam”, de Thomas Tallis

    Provavelmente você nunca ouviu falar dessa música, mas ela ficou conhecida por meio do trabalho Forty Part Motet (2001), da artista canadense Janet Cardiff. Organizados em grupos de cinco, 40 autofalantes reproduzem a composição do século 16 interpretada pelo coral da Catedral de Salisbury, na Inglaterra. Do centro da sala é possível perceber como as diferentes vozes vão compondo um som único. O efeito foi conseguido porque a artista utilizou um microfone para cada voz, reproduzida individualmente em uma caixa de som. Apesar de apresentar notas bem agudas, saiba que apenas homens e garotos compõem o coro. Andar pela sala vai ajudar você a perceber todas as frequências da música.

    “War Heroes”, de Jimi Hendrix

    Desbravar as Cosmococas de Hélio Oiticica e Neville D’Almeida é uma experiência sensorial completa. Salas com almofadas, balões e até uma piscina gelada fazem parte da proposta dos artistas. Para embalar o público nessa viagem, o repertório vai do canto lírico da peruana Yma Sumac à aleatoriedade das partituras vanguardistas de John Cage. Em Cosmococa 5 Hendrix War (1973), por exemplo, você pode escutar as guitarras distorcidas de Jimi Hendrix no álbum póstumo “War Heroes” relaxando em uma rede colorida.

    Cosmococa 5 Hendrix War (1973), de Hélio Oiticia e Neville D'Almeida. Foto: Ricardo Mallaco

    Cosmococa 5 Hendrix War (1973), de Hélio Oiticia e Neville D’Almeida. Foto: Ricardo Mallaco

    “The look of love”, por Dusty Springfield

    É difícil conter a surpresa ao entrar na instalação Folly (2005-2009), de Valeska Soares. Se por fora a estrutura lembra um pequeno coreto, por dentro sua arquitetura se multiplica em um enorme salão de baile, reflexo dos espelhos nas paredes internas. Na pista de dança, dois bailarinos dançam solitários ao som de “The look of love”, na versão romântica de Dusty Springfield. Como a sala é bem escura, vale até arriscar alguns passos sem medo de errar.

    "Folly" (2009), de Valeska Soares. Foto: Daniela Paoliello

    “Folly” (2009), de Valeska Soares. Foto: Daniela Paoliello

    “Night and Day”, por Frank Sinatra

    No coração da Galeria Psicoativa Tunga está Ão (1980), uma instalação que mistura filme e música. Ao som de um fragmento do standard de jazz “Night and Day”, interpretado por Frank Sinatra, um túnel projetado na parede leva o visitante para dentro de uma curva sem fim. Nesse pavilhão ainda dá para escutar “Tereza”, de Arnaldo Antunes, composta especialmente para a obra homônima; “Que c’est triste Venise”, tema clássico de Charles Aznavou, que remete à cidade de Veneza, onde Tunga realizou a performance Debaixo do meu chapéu, em 1995; e “Zenon Zenon”, de Jorge Ben Jor, que dialoga com o trabalho Inside Out, Upside Down (1995) ao entoar “o que está embaixo é igual ao que está no alto, que é igual ao que está embaixo”.

    Ão (1980), de Tunga. Reprodução da projeção

    Ão (1980), de Tunga. Reprodução da projeção

    E você, se lembra de alguma outra música marcante na trilha sonora do Inhotim? Conte para a gente aqui!

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    29 de abril de 2015

    Itamara Soalheiro

    Gestora do Programa Inhotim para Todos.


    arteeducaçãomeio ambientevisita

    Sem categoria Leitura: 4 min

    Inhotim para Todos: entre universalidade e singularidades

    Inhotim para Todos: entre universalidade e singularidades

    O acesso pleno à cultura é transformador. Em Inhotim esse pensamento se manifesta de forma particular no programa Inhotim para Todos. Criado como uma das ações de democratização do acesso ao Instituto, o programa estabelece parcerias com projetos sociais de instituições públicas ou de organizações da sociedade civil, garantindo entrada e acolhimento gratuitos ao parque. Para a comunidade de Brumadinho, o programa assegura, ainda, ações continuadas nas sedes dos projetos. Ao longo dos anos, o Inhotim para Todos acumula relatos que informam sobre seu alcance, diversidade e estímulo ao empoderamento.

    A imagem de um casal de idosos caminhando de mãos dadas pelos jardins do parque  ilustra as experiências vividas por milhares de pessoas que visitaram o Inhotim com Grupos de Convivência e Fortalecendo os  Vínculos de Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Essas parcerias incentivam a  socialização e as escolhas autônomas durante as visitas, garantindo a inserção de grupos comumente não usuais em espaços culturais.

    Grande parte do público do Inhotim para Todos é composta por pessoas da terceira idade. Não é raro encontrar uma idosa abraçando uma árvore enquanto realiza visita por meio do programa ou comemorando seus noventa anos com os colegas de Unidade Básica de Saúde (UBS), dizendo que conhecer lugares como o Inhotim é motivo para viver com alegria.

    Momentos singelos demonstram como cada um sente e vive o Inhotim.

    Momentos singelos demonstram como cada um sente e vive o Inhotim. Foto: Daniela Paoliello

    Crianças e adolescentes que participam do projeto proporcionam outras formas de ver o programa. A facilidade com que decifram ou estranham uma obra de arte não apresenta oposição de ideias, mas pluralidade de olhares vindos de diversos lugares. Esses grupos chegam ao Inhotim diretamente de  casas de acolhimento, espaços para cumprimento de medidas socioeducativas ou escolas de teatro. Nesses visitantes é perceptível a ocorrência de deslocamentos e processos marcados pela inquietude, curiosidade e experimentação tão comuns na juventude.

    Crianças se divertem no mundo monocromático da obra Desvio para o Vermelho (1967 - 1984), de Cildo Meireles.

    Crianças se divertem no mundo monocromático da obra Desvio para o Vermelho (1967 – 1984), de Cildo Meireles. Foto: Rossana Magri

    Experimentação é igualmente recorrente para os grupos de pessoas com deficiências atendidas pelo programa. Seus trajetos são marcados por escolhas sensoriais, valorizando espaços interativos, como o “Jardim de Todos os Sentidos” que propõe atividades envolvendo  os cinco sentidos humanos. Os relatos desses grupos sobre suas visitas são habitualmente detalhados, informando sobre as potencialidades e limitações do parque e destacando a extrema importância do atendimento oferecido pelos mediadores, monitores e condutores.

    Grupos como esses inspiram a equipe do programa a pensar as relações entre os acervos do Instituto e o atendimento de públicos com suas diferenças. Pequenos momentos de beleza, como os aqui relatados, reforçam a crença no potencial transformador de Inhotim!

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    17 de abril de 2015

    Equipe de mediadores

    Realiza visitas e atividades que convidam a refletir sobre os acervos do Inhotim


    educaçãoprogramação culturalvisita

    Sem categoria Leitura: 3 min

    Literatura pelo Inhotim

    Literatura pelo Inhotim

    Objeto muito antigo na nossa história, o livro é propositor e encantador por natureza, contém cheiro, imagens, narrativas e memórias. A leitura, seja pela letra escrita ou imagem impressa, propicia a construção de sentidos, afetos e conhecimento. Marcando a nossa vida de forma significativa e estimulando o ato revolucionário da autonomia, o livro pertence ao campo do encantamento e do exercício das práticas sensíveis.

    No Inhotim, o trabalho A origem da obra de arte (2002), da artista Marilá Dardot, permite ao visitante caminhar por um jardim-livro, onde ele se torna coparticipante no plantio de vasos em forma de letras que se tornam palavras, distribuindo pela grama ideias e poesia. Em Desert Park (2010), a artista Dominique Gonzalez-Foerster cria um ambiente especialmente para o Instituto, construindo, em meio ao jardim tropical, uma coleção de pontos de ônibus desérticos. O que se espera? Ao chegar e partir, quais leituras são possíveis nesse lugar?

    Vista do trabalho da artista Marilá Dardot no Inhotim. Foto: Daniela Paoliello

    Vista do trabalho da artista Marilá Dardot no Inhotim. Foto: Daniela Paoliello

    Pontos de ônibus recriados na obra "Desert Park", 2010, de Dominique Gonzalez-Foerster. Foto: Rossana Magri

    Pontos de ônibus recriados na obra “Desert Park”, 2010, de Dominique Gonzalez-Foerster. Foto: Rossana Magri

    Ao pensar na importância desse companheiro de tempos, amigo do homem e aliado da imaginação, que tal praticar uma ação saudável e afetiva de deixar um livro nos bancos dos jardins do Inhotim e ter a grata surpresa de achar outros, novos ou usados?

    De 20 a 26 de abril, convidamos os visitantes a trazer seus livros para promover a prática da leitura. A atividade Deixe um livro no banco, utiliza os bancos espalhados pelo parque como suporte para essa ação, transformando-os em prateleiras expositivas de surpresas! Confira mais informações aqui.

    Tiago Ferreira e Wellington Pedro, educadores do Inhotim

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    14 de abril de 2015

    Redação Inhotim


    educaçãovisita

    Sem categoria Leitura: 3 min

    Inhotim, um ambiente educador

    Inhotim, um ambiente educador

    Com a proposta de ampliar o acesso dos profissionais da educação formal aos acervos do Instituto, a partir de hoje, 14/04, educadores terão meia entrada garantida no Inhotim. Para  usufruir do benefício, o professor deve apresentar, no ato da aquisição da entrada, um comprovante de vínculo empregatício com alguma instituição formal de ensino, como crachá ou contracheque.

    Muito além de um ambiente de contemplação da natureza e de exposição de um importante acervo artístico, o Instituto é também uma referência em desenvolvimento de projetos educativos. Desde 2006, quando passou a receber visitação livre, o  Inhotim desenvolve programas que seguem ampliando as fronteiras do conhecimento de estudantes e professores e ainda incentiva novas possibilidades de aprendizado, tendo a arte e a botânica como pano de fundo.

    Por meio de parcerias com secretarias municipais e a Secretaria Estadual de Educação é que programas importantes como Descentralizando o Acesso, Derivar e recebimento do Escola Integrada, da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, acontecem. Eles oferecem ao educador a oportunidade de ampliar o conhecimento e desdobrar conceitos da contemporaneidade na sala de aula, em atividades interdisciplinares ou em visitas às galerias e jardins do Inhotim.

    Para a Gerente de Educação do Instituto, Maria Eugenia Salcedo, essa relação com o professor para a construção coletiva da educação não é uma novidade no Inhotim. “Aqui, temos o educador como um parceiro, em uma atitude já consolidada de construir, juntos, novas possibilidades de conhecimento”, avalia. “O Inhotim dialoga com os agentes que fazem parte da ponta do processo educacional, que é a escola. Isso resulta em uma relação de parceria entre o Instituto e o educador”, acrescenta.

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    10 de fevereiro de 2015

    Jorge Mautner


    visita

    Sem categoria Leitura: 5 min

    Viagem ao centro da Terra

    Viagem ao centro da Terra

    Antes de chegarmos ao Inhotim, já estávamos deslumbrados pela paisagem de tanta beleza que nos cercava. Deu até tempo de falar da magnífica história da insurreição de Minas Gerais e, meu entusiasmo era tanto, que repeti várias vezes o fato de o ouro e a prata de Minas Gerais terem financiado e feito toda a industrialização da Europa.

    De repente, chegamos a um hotel maravilhoso e, no dia seguinte, fomos conhecer o lugar onde tocaríamos eu, Bem Gil e Jards Macalé. Eis que entramos no jardim do paraíso do século 21! Estávamos no Inhotim. Fomos recebidos pelo Antonio Grassi, diretor executivo do Instituto, e lá estava também Adriana Rattes, na época secretária de cultura do estado do Rio de Janeiro.

    Passamos o som enquanto ficávamos olhando aquela deslumbrante mistura entre a paisagem humana e a paisagem de plantas, árvores, flores, lagos, pássaros, irmanando-se com as várias arquiteturas daquele imenso lugar, que leva para ser visitado em quase a sua total extensão, no mínimo, três dias de intenso programa de passeios a lugares que, uma vez conhecidos, ficam para sempre na memória do coração.

    Isso sem falar nos inúmeros lugares onde há surpresas, como os imensos pavilhões que registram a obra de geniais artistas plásticos, pintores, fotógrafos, escultores e coisas de extraordinário valor artístico, inspirando e se integrando com as artes da natureza esplêndida desse imenso parque, monumento, lugar sublime, lugar de iluminações da alma, onde a poesia jorra por todos os lados, se entrelaçada a todas essas belezas, inclusive com a beleza do profissionalismo dos funcionários e a beleza da doçura e do carinho com que tratam os visitantes.

    Mas o lugar que mais nos impressionou, entre todas essas maravilhas de impacto atômico em nossos neurônios, foi aquela imensa cúpula que, quando adentramos nela, estávamos num lugar extraordinário, pois, ali, a ciência se enlaça com a arte e a música de todos os mistérios: é que quem lá entra, ouve o som que existe no fundo da Terra. Mas não é apenas um som: são sinfonias, melodias, urros, gritos, ondas sonoras, é a voz e as vozes das entranhas do planeta. Era a obra Sonic Pavilion (2008), do artista Doug Aitken. Ficamos lá mais de uma hora atônitos, transfigurados, ouvindo aquela sinfonia infinita que, a cada instante, ora urrava, ora sussurrava, junto a melodias de todas as dimensões, mostrando, em tom absoluto, a vida, as vidas, os movimentos ininterruptos dos interiores, dos intestinos e das vísceras de nosso planeta, urrando, chorando, rindo, cantando, entoando mistérios de belezas do ventre da mãe Terra, de todo o universo, e desse parque onde mora o Deus desconhecido!

    "Sonic Pavilion", 2008, de Doug Aitken. Foto: Pedro Motta

    “Sonic Pavilion”, 2008, de Doug Aitken. Foto: Pedro Motta

    Eu estava tão impactado por essa visita que dava vontade de chorar de emoção e de rir de felicidade ao mesmo tempo, e parabenizei o criador desse projeto, Bernardo Paz, por essa obra prima da humanidade, do Brasil, e de todos nós que tivemos a graça divina de conhecê-lo. É um lugar de meditações profundas e de revelações misteriosas. E, olhando a paisagem de verde-esmeralda das plantas e das árvores, durante o passeio por trilhas, eu via em relâmpagos de segundos a imagem de Tupã Deus do Brasil fulgurando.

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