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Restrospectiva 2015: Jovens Agentes Ambientais Inhotim

JAA Brasil _ William Gomes

O programa Jovens Agentes Ambientais foi inicialmente criado para democratizar o acesso a técnicas de jardinagem e cultivo do solo. Ao longo dos anos o projeto se desenvolveu e passou a ter projeções ambiciosas no campo da educação e hoje aspira à formação de protagonistas juvenis para a sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente. Essa transformação fez com que o rol de conteúdos a serem discutidos aumentasse em quantidade e diversidade. Para tornar possível essa empreitada, em 2015 foi inaugurado o formato anual de realização do projeto: uma única turma de 25 jovens provocados a repensar a nossa relação com o meio ambiente e, por que não, com o nosso próprio futuro.

No início de 2015 escrevi, aqui no blog do Inhotim, que “Como educadores, desejamos provocar o jovem a se perceber protagonista da sua própria experiência no lugar onde vive. Entendemos que são muitas as oportunidades que temos de mudar a relação entre homem e ambiente, por isso exercitamos a habilidade de identificá-las e de atuar sobre elas em qualquer escala.” A partir desta convicção, começamos o ano propondo ao grupo uma reflexão sobre rótulos das embalagens dos produtos que comumente consumimos. Descobrimos o símbolo dos transgênicos estampado na caixa de chicletes e pelos jornais soubemos que, naquele mesmo momento, a Câmara dos Deputados discutia a aprovação do projeto de lei 4148/08, que dispensa o alerta nos rótulos de mercadorias que tenham em sua composição elementos geneticamente modificados. O projeto foi aprovado. Nós, por outro lado, temos ainda nossas dúvidas e continuamos na busca por novos caminhos.

Uma vez que, como grupo, estávamos convencidos de que é preciso transformar a relação que estabelecemos com os recursos que a natureza nos oferece, percebemos a necessidade de exercer um outro papel: o de comunicar e sensibilizar. A partir de então, visitamos bairros e distritos de Brumadinho, conhecemos os desafios cotidianos de outras famílias e pudemos atestar que ainda existe espaço para o diálogo. Fomos muito bem recebidos pela comunidade dos Pires, que plantou as mudas de algumas espécies medicinais que cultivamos e levamos até lá, bem como aceitou o convite para uma ampla discussão sobre cuidado, cooperação e transformação.

Com isso, aprendemos que ter voz requer muita responsabilidade. Ainda assim, ou exatamente por isso, desejávamos falar mais e mais alto. Desse desejo então nasceu a Coluna Jovens Agentes Ambientais, nosso espaço no jornal local. Nela, temos a chance de dar vazão às pesquisas e descobertas que ocorrem durante os nossos encontros, dar evidência a assuntos pouco discutidos ou contraditórios, ativar novas redes de colaboração.

Durante toda essa caminhada não perdemos de vista o fato de que estamos vivendo um momento chave para a definição do nosso próprio futuro. As estatísticas e as projeções dos cientistas sobre o destino do nosso planeta são alarmantes, muitas vezes a ponto de nos paralisar. Mas a estagnação não é, para nós, uma opção. Conscientes de que é urgente fazermos escolhas mais saudáveis com relação aos nossos hábitos de consumo, seguimos em frente sempre em busca de alternativas que nos façam reaprender a estar no mundo sem destruí-lo.

Artigo escrito pela supervisora de Educação, Lília Dantas.



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