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  • 07 de fevereiro de 2014

    Redação Inhotim


    brumadinhocomunidadeeducaçãomúsica

    Sem categoria Leitura: 6 min

    Melodias que embalam sonhos

    Melodias que embalam sonhos

    Música para sonhar mais alto. É pensando nisso que o maestro César Timóteo, novo coordenador dos projetos musicais do Inhotim, projeta o futuro. Filho de mãe pianista, César começou a estudar violino ainda criança. Hoje, já violinista, cantor lírico e regente, ele busca despertar a musicalidade e o talento de cada aluno dos projetos que irá acompanhar. O maestro conversou com o Blog do Inhotim e contou um pouco da sua trajetória e das expectativas para essa nova etapa de sua vida.

     

    Blog do Inhotim – Conte-nos um pouco da sua trajetória na música.

     

    César Timóteo – Não consigo delinear o momento exato em que fui absorvido pela música. Minha mãe é pianista e isso me influenciou muito. Pude, através dela, ter um contato precoce com essa arte fascinante. Aos nove anos de idade iniciei meus estudos de violino, vindo a me tornar um violinista profissional na minha adolescência e juventude. Me formei também em canto lírico posteriormente, participando de apresentações como solista em óperas e oratórios. Após vários anos atuando como violinista e cantor decidi estudar regência, que veio a se tornar minha principal ocupação musical. Tive a oportunidade de dirigir orquestras no Brasil e exterior além de conviver com grandes nomes da música que me influenciaram de forma significativa, dentre os quais destaco o violinista Max Teppich e o maestro Isaac Karabtchevsky.  

    BI – Qual a sua opinião sobre o potencial de música que tem Brumadinho e seus moradores?

     

    CT – A música faz parte do desenvolvimento de todas as comunidades, ela é necessária. Em Brumadinho não é diferente. É preciso oferecer oportunidade de aprendizado às pessoas, despertando dentro delas a musicalidade.  O aprendizado e estudo de música, seja através de um instrumento musical, ou do canto, tende a organizar e aflorar essa musicalidade trazendo equilíbrio, desenvolvimento e possibilidades de sonhar mais alto. Não tenho dúvidas de que Brumadinho seja um celeiro de talentos musicais, que certamente haverão de ser revelados.

    BI – Quais são os projetos que irá coordenar? Conte um pouco mais sobre cada um deles.

    CT – Coordenarei coros Infantil, Juvenil, Adulto e Escola de Cordas. São projetos desenvolvidos pelo Inhotim, com realização do Ministério da Cultura e patrocínio da Vale do Rio Doce. Em 2014, passam a funcionar de forma mais unificada, com a atuação de uma equipe de professores convidados de Belo Horizonte. Todos eles tem como objetivo promover o desenvolvimento social, musical e artístico nas comunidades da região do Vale Médio do Paraopeba, atendendo não só jovens de Brumadinho, mas também Mario Campos e Bonfim. Os alunos têm a oportunidade de fazer aulas teóricas e práticas gratuitamente, e são, em sua grande maioria, advindos das redes públicas de ensino.

     Com atividades semanais, esses alunos inscritos têm a oportunidade de estudar técnica vocal e teoria da música, além de praticar instrumentos como violino, viola, violoncelo e contrabaixo.  No trabalho de canto coral e orquestra, os alunos podem vivenciar a música em conjunto, desenvolvendo aspectos de percepção harmônica e cooperativismo. Semestralmente são abertas mais vagas e os interessados devem preencher uma ficha de inscrição na sede do projeto em Brumadinho.

    BI – Quais as novidades para 2014 no que diz respeito aos projetos que o Inhotim desenvolve?

    CT –  Vamos trabalhar para a unificação dos projetos sociais que envolvem música com uma visão de alcance nacional. É importante consolidar as ações em Brumadinho e arredores, para que, dentro de algum tempo possamos alcançar também outros municípios. Valorizaremos as ações em conjunto. A vivência musical deve ser desenvolvida de forma menos individualizada e mais coletiva. Teremos também a aquisição de dois pianos novos para os trabalhos de canto coral e aulas de percepção musical, além de novas instalações em Brumadinho, maiores e mais adequadas para as aulas e ensaios.

    BI – Quais as suas expectativas para essa nova trajetória junto aos alunos dos projetos?

    CT – Quero acompanhar de perto o desenvolvimento de cada aluno. É importante conhecê-los para indicar-lhes o direcionamento correto. Minha expectativa é de ver o crescimento musical deles, de vê-los sonhar com novas possibilidades.  A arte proporciona isso. Que o aprendizado e prática musical possam ser fatores influentes no desenvolvimento humano dos alunos e da comunidade de Brumadinho. Que possam afetar de forma positiva suas decisões e atitudes para uma melhor qualidade de vida e convivência social.

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    16 de janeiro de 2014

    Redação Inhotim


    música

    Sem categoria Leitura: 7 min

    Quando a arte inspira a arte

    Quando a arte inspira a arte

    Uma visita ao Inhotim que se transformou em música. Foi assim: no final de 2012, o cantor e compositor paulistano Marcelo Jeneci passou uma temporada em Brumadinho/MG para conhecer o Instituto. Adorou. “Achei inacreditável ter no Brasil um lugar tão rico e bem construído, com uma proposta clara, com tanta beleza. É um convite a enxergar o universo de uma forma diferente”, define. A experiência rendeu frutos para as composições do artista. Em seu novo álbum, “De Graça”, lançado em outubro de 2013, ele apresenta a canção “Pra Gente se Desprender”, inspirada pela obra Forty part motet, 2001, da canadense Janet Cardiff, exposta em uma das salas da Galeria Praça, no Inhotim. Confira, a seguir, nossa conversa com Marcelo, parte de uma nova frota de artistas que têm colorido a cena musical.

    Blog do Inhotim – Marcelo, como aconteceu essa história com a obra da Janet Cardiff?

    Marcelo Jeneci – Fui para Brumadinho e fiquei cinco dias na cidade para conhecer o Inhotim. Achei o máximo a obra da Janet Cardiff com o coral [referindo-se a Forty part motet, 2001]. Escutar aquilo 360 graus, como a gente ouve os ruídos do dia a dia… Essa música litúrgica e barroca tem a ver com um pedaço da minha vida, da infância. Despertou uma memória afetiva primitiva em mim, de quando ia à igreja. Ali pensei: “puxa, tenho que trazer um coral litúrgico que passe a emoção que estou sentindo aqui para o disco”.

    BI – Foi daí que surgiu “Pra Gente se Desprender”?

    MJ – Isso. Criei o tema instrumental do final da música pensando nessa sensação que tive na instalação em Inhotim. Queria fazer as pessoas sentirem o que eu senti lá. De fato, essa experiência interferiu na música. Curiosamente, desde que as resenhas do “De Graça” começaram a sair, ela é a que mais aparece como predileta! Teve uma aceitação diferenciada em relação às outras, sempre ganha um lugar especial nos textos que falam do disco.

    BI – Essa foi sua primeira visita ao parque?

    MJ – Não, já havia tocado com o Arnaldo Antunes lá uma vez. Acho que todos os brasileiros devem conhecer esse lugar, é uma maravilha, uma experiência única que influencia as pessoas. É muito falado, mas, como o País é tão imenso, em alguns lugares às vezes as pessoas ainda não o conhecem. Por onde vou, falo que todo mundo deve ir.

    BI – Em meio a essa produção tão variada que a gente vê hoje em dia, como você se percebe como artista?

    MJ – Acho que arte é afirmação da vida. Como artista, sinto que no meu dia a dia acontece uma troca. É como se as casualidades da vida, a maneira como fui criado e como a música se apresentou para mim tenham me treinado para ser capaz de sintetizar e compartilhar alguns dos meus pontos de vista, sensações em relação ao mundo, dores e alegrias. É tipo o trabalho de quem escreve uma carta: minha sensação é de que devolvo às pessoas uma resposta sobre alguns assuntos. Estamos vivendo um momento muito rico na arte, na música, na história da humanidade.

    BI – Você já disse que quando faz música, tem a intenção de melhorar a vida das pessoas desde o primeiro acorde. Como você vê essa relação entre arte e vida?

    MJ – Tento disseminar um recado positivo, uma visão positiva, incentivar que um sonho dê sempre lugar para outro. Sublinho o lado bom, que é de graça, que é para todos. Às vezes, diante da crueldade da natureza da vida, a gente fica muito distante desse outro ponto de vista. Esse traço presente na estrutura do meu trabalho vem de casa, da combinação dos meus pais, um nordestino e uma paulistana, na periferia de São Paulo. São muito sorridentes, veem a vida muito bonita. Cresci assim, tendo consciência disso e tem momento que essa postura cabe. Uma das coisas mais interessantes da vida é a soma, o que se conversa, se aprende, se ensina… A amizade, o homem, a mulher, o sexo, o que é intrínseco aos nossos instintos. Essa relação entre os seres humanos é muito importante e é fundamental que se fale dela.

    BI – Como está sendo a repercussão do “De Graça”, seu novo trabalho?

    MJ – Sinto que o lançamento está começando a acontecer. Ainda não acelerou tudo, mas tenho recebido feedbacks muito positivos. Do primeiro para o segundo disco tem uma diferença. Esse tem uma proposta mais radical, lisérgica, que não havia antes. Tem mais dor, mais grito, mais “porrada”, e isso está sendo bem aceito, mesmo pelas pessoas que se aproximaram mais da sonoridade do anterior. Ainda assim, são canções que tocam o coração. Já em mim, a diferença é que, nesse, tenho uma sensação de encontro comigo mesmo muito clara e daí pouco importa a opinião do outro. Foi uma catarse, um transe que me curou, me fez um bem horrível (risos). Por tudo isso, qualquer frustração que vier não fica tão pesada. Esse encontro comigo mesmo me emociona.

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    05 de dezembro de 2013

    Redação Inhotim


    músicaprogramação cultural

    Sem categoria Leitura: 5 min

    Parceria musical

    Parceria musical

    Dois jovens artistas de Belo Horizonte, Alexandre Andrés e Rafael Martini, encerram no próximo sábado (07), a programação musical do Inhotim de 2013. Os dois possuem uma produção musical intensa, atuando como compositores, instrumentistas e intérpretes, e se apresentam um em seguida ao outro, no palco do Teatro do Inhotim, às 14h30 e 16h. Na entrevista abaixo, Andrés conta um pouco de sua trajetória, influencias na carreira e a parceria com Martini que, segundo ele ”é um músico completo”.

    Você começou a compor com apenas 15 anos. Como foi a sua trajetória na música desde então? 

    Cresci em uma casa de músicos. Minha mãe é pianista, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e meu pai flautista, também professor da UFMG e integrante do grupo mineiro Uakti. Desde pequeno tive contato com a boa música mineira e com a música erudita, tocada pelos meus pais em um duo de flauta e piano, que eles tem até hoje. Estudei música desde cedo, e aos 15 anos comecei a me interessar pela composição. Em 2008, aos 18 anos de idade, gravei meu primeiro álbum, “Agualuz”, em parceria com o poeta Bernardo Maranhão.

    Você se considera mais cantor ou compositor?

    Me considero um músico, que valoriza tanto a busca como intérprete, flautista, violonista, cantor, quanto a busca como compositor.

    Em alguns momentos da minha vida me vejo mais como compositor, normalmente quando estou vivendo o processo composicional, de criação dos arranjos e tudo mais. Já em outros momentos me sinto mais interprete, normalmente quando estou em uma turnê, lançando um CD, um novo projeto. Ou seja, na verdade tenho essas duas vertentes muito forte dentro de mim, talvez com a mesma força.

    Como suas raízes mineiras influenciam o seu trabalho?

    É inevitável que a música mineira esteja presente no meu trabalho. Acompanho artistas como o Grupo Uakti, o Clube da Esquina, dentre outros, desde pequeno. Adquiri uma bagagem musical muito grande, escutando a boa música mineira, portanto, naturalmente, tem muito da música de minas no meu trabalho.

    Qual relação você estabelece com o trabalho do músico Rafael Martini, que se apresenta no mesmo dia que você, no Inhotim?

    O Rafael é um músico completo, um grande pianista e um dos principais compositores e arranjadores de Minas Gerais, da nova geração de músicos. Conheci o Rafael em 2008 e naquela época comecei a receber muitas influências musicais do seu trabalho, com o grupo Quebra Pedra. Hoje considero ele um dos meus grandes amigos e um dos maiores parceiros no âmbito musical. Temos tocado junto desde de 2010, quando ele me convidou para fazer um show junto com o Quebrapedra e desde então a gente vem tocando bastante. Participei da gravação e de todos os shows de lançamento do CD “Motivo” e ele da gravação e dos shows de lançamento do “Macaxeira Fields”. É a segunda vez no ano que vamos dividir o mesmo palco, realizando os dois shows. Fizemos isso no meio do ano, no Festival de Inverno de São João Del Rei. Vai ser muito bacana realizar esses dois shows, que são muito bonitos, em um espaço tão especial como o Inhotim.

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