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  • 17 de abril de 2014

    Daniela Fagundes

    Integrante da equipe de Comunicação do Inhotim


    arteexposiçãovisita

    Leitura: 4 min

    Antes e depois de Tunga

    Antes e depois de Tunga

    É impossível não reagir a uma obra do pernambucano Tunga. Esse foi o meu primeiro pensamento ao entrar na galeria que leva o nome do artista, no Inhotim. Não sei bem se pelo forte cheiro de ferro que lembra sangue, se pelo metal que parece cabelo ou se pela beleza escondida em ossos e tramas. Fato é que posso definir minha relação com a arte contemporânea em “antes de Tunga” e “depois de Tunga”.

    Não se trata de uma obra fácil, é verdade. Mas, para mim, nada que encanta e choca pode ser óbvio. E quando se trata de Tunga, nem mesmo o chapéu de palha é comum. É como se, a todo o momento, o artista me convidasse a abrir a mente, a olhar além do que eu via, a entrar na dança das várias músicas que escutava. Porque ali, não consegui ver o começo nem o fim da obra. O que vi foi o contínuo, como os fios de cobre, a corrente de trança, os vidros sobre o espelho. O túnel sem fim.

    Parte interna da galeria, que leva até a obra "Ão" (1980)

    Parte interna da galeria, que leva até a obra “Ão” (1980)

    Tudo ali me parecia belo. Mesmo aquilo que me causava incômodo. Porque, ao mesmo tempo em que o imã parecia me repelir, ele também me atraía. Uma espécie de leveza de aço. Uma beleza que incluía outros sentidos além da visão, que me despertou a curiosidade de olhar atrás dos panos e me surpreendeu a cada espiada.

    Por ser impossível não reagir a um Tunga, perguntei a alguns visitantes sobre a sensação que a obra provocava neles. Medo, êxtase, dúvida e admiração foram as respostas que obtive de observadores um pouco confusos, talvez.  O que essa experiência despertou em mim? Tunga.

                   

    Depoimento sobre a primeira vez em que entrei na Galeria Psicoativa Tunga.

     

    Tunga também foi tema do programa Arte Brasileira, do canal GNT. Assista ao vídeo aqui e descubra o que críticos, colecionadores e o próprio artista pensam sobre sua obra.

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    15 de abril de 2014

    Equipe de mediadores

    Realiza visitas e atividades que convidam a refletir sobre os acervos do Inhotim


    arteeducaçãonatureza mortavisita

    Leitura: 3 min

    Aproximação da arte com a vida

    Aproximação da arte com a vida

    Durante o mês de abril, as visitas mediadas de arte do Inhotim abordam a natureza-morta e sua relação com o tempo e o espaço. Por meio desse gênero da história da arte, é possível levantar questões sobre os objetos do nosso cotidiano, a forma como olhamos para eles e o que os transforma em obras de arte.

    Uma das séries fotográficas que compõe a exposição Natureza-Morta, na Galeria Fonte, do Inhotim, é Como aprender o que acontece na normalidade das coisas (2002-2005), da espanhola Sara Ramo. Nesse conjunto, a artista apresenta uma sequência de banheiros domésticos, ora organizados, ora repletos de utensílios e produtos de higiene pessoal. Ao expor esses ambientes particulares ela os torna públicos, trazendo à tona possibilidades misteriosas sobre tudo que acontece nesses locais tão íntimos.

    Imagens da série "Como aprender o que acontece na normalidade das coisas", da artista Sara Ramo

    Imagens da série “Como aprender o que acontece na normalidade das coisas” (2002-2005), da artista Sara Ramo

    O contraste entre o tempo estático da fotografia e a transformação do ambiente retratado pode ser relacionado ao cotidiano. Ao utilizamos o banheiro, também o modificamos. Será essa uma proposta de apreender e alterar a normalidade do dia a dia, assim como nosso olhar sobre ele? A composição do banheiro, assim como a escolha e posição dos objetos nas obras, nos permite observar os trabalhos não mais como fotografias, mas como uma espécie de momento escultórico.

    Múltiplas, as obras de Sara Ramo permitem diversas interpretações, o que coloca a artista como representante dessa arte contemporânea que transforma o conceito dado à arte desde o Iluminismo e a aproxima da vida, seja pelos materiais que utiliza ou pelas questões que suscita.

    Como lidamos com o nosso cotidiano? Somos capazes de pensar os objetos utilitários de outra maneira, que não por meio de sua funcionalidade primária?

     

    Texto de Daniela de Avelar Vaz Rodrigues, mediadora de arte do Inhotim

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    14 de abril de 2014

    Equipe de mediadores

    Realiza visitas e atividades que convidam a refletir sobre os acervos do Inhotim


    botânicaeducaçãovisita

    Leitura: 3 min

    Jardim de Todos os Sentidos

    Jardim de Todos os Sentidos

    Visão, audição, paladar, tato e olfato. São com esses cinco sentidos que nos relacionamos com o mundo e experimentamos o que há ao nosso redor. Pensando em uma forma de explorar essas capacidades, o Inhotim criou o Jardim de Todos os Sentidos. Localizado no Viveiro Educador, é um espaço de construção do conhecimento por meio da prática e da troca de informações entre o visitante e a equipe de educação ambiental do Instituto.

    O projeto contempla três canteiros em forma de mandala, dedicados, cada um, a plantas aromáticas, medicinais e de efeitos tóxicos. Nesse espaço, o visitante é convidado a interagir com as espécies e tocá-las, observar suas peculiaridades e até prová-las.

    Entre as mais curiosas estão a stévia (Stevia rebaudiana), da qual é feita um tipo de adoçante natural, e a camomila branca (Matricaria recutita), que tem propriedades calmantes e anestésicas. Durante as visitas mediadas, estimulamos o público a provar suas folhas, capazes de causar dormência na língua.

    Quem visita o jardim também descobre diferentes utilidades dos exemplares em exposição e pode relacioná-las a práticas que vêm sendo perdidas com o passar do tempo, como o cultivo de espécies medicinais ou a produção de hortas no quintal das casas. É, ainda, uma oportunidade de valorizar os ensinamentos e tradições passados por nossos avós.

    Inaugurado em junho de 2011, na Semana do Meio Ambiente, o espaço vem se tornando cada vez mais importante para popularização da ciência. As atividades e ações educativas lá desenvolvidas tem papel fundamental para a sensibilização ambiental e a conservação da biodiversidade.

    O Jardim de Todos os Sentidos foi realizado por meio de uma parceria entre a equipe de educação ambiental, o programa Amigos do Inhotim e instituições especializadas em pessoas com deficiência visual.

    Texto de Diego Pimenta, mediador ambiental do Inhotim

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    28 de março de 2014

    Equipe de mediadores

    Realiza visitas e atividades que convidam a refletir sobre os acervos do Inhotim


    arteprogramação culturalvisita

    Leitura: 4 min

    Construindo espaços

    Construindo espaços

    Pensar a relação que a arte tem com o céu é uma tarefa relativamente fácil no Inhotim, famoso por apresentar parte de seu acervo ao ar livre. A disposição das galerias pelo parque e os caminhos construídos para se chegar até elas estimulam novos fluxos e discussões sobre o encontro entre a arte contemporânea e o jardim botânico.

    A visita temática Construindo Espaços: o museu e o céu propõe uma discussão acerca desse ambiente de encontros e oferece outros olhares sobre as obras externas em exposição. Se a interação entre arte e natureza cria um novo espaço, criam-se também novos posicionamentos, livres de limites e abertos ao desconhecido.

    Na vastidão de possibilidades do Inhotim, podemos encontrar obras e artistas questionadores desse equilíbrio entre significações e experiências. Waltércio Caldas, com sua Escultura para todos os materiais não transparentes (1985), força o olhar a “olhar de novo”. A escultura aparentemente incompleta estimula a pensar justamente os vazios, os silêncios e o ritmo. 

    Waltercio-Caldas

    Waltércio Caldas, Escultura para todos os materiais não transparentes, 1985.

     

    Vegetation Room Inhotim (2010), da espanhola Cristina Iglesias, propõe um jogo óptico entre imagens refletidas em um espelho e a paisagem do lugar. Concebida especificamente para uma clareira na mata do parque, a obra consiste em uma estrutura espelhada imersa na natureza, promovendo encontros sensoriais. 

       

    Esses artistas escolheram incorporar o espaço em que seus trabalhos estão inseridos como elementos de sua própria existência e, assim, tecer relações com o corpo de quem os olha. A significação que damos a elas acontece desse encontro, mas as provocações tendem a se diferenciar a cada espaço, a cada dia, a depender do tempo, do humor, do cansaço do corpo, do estupor da mente.

    Convido a todos a lançar novos olhares para os espaços do Inhotim e perceber aquilo que considero o verdadeiro papel da arte: criar movimento.

    Texto de Marília Balzani, mediadora de Arte e Educação do Inhotim

     

    Ficou com vontade de participar da visita temática Construindo espaços: O museu e o céu? Então clique aqui e fique por dentro dos dias e horários em que atividade acontece.

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    26 de março de 2014

    Redação Inhotim


    brumadinhocomunidadehistória

    Leitura: 3 min

    De onde vem o nome Inhotim?

    De onde vem o nome Inhotim?

    Ninguém sabe ao certo de onde vem o nome Inhotim, mas sua origem gera muita curiosidade entre os visitantes e funcionários do parque. Uma das teorias mais conhecidas relaciona a palavra a um minerador inglês, o “Sir Timothy”, que teria morado na área ocupada hoje pelo Instituto. O pronome “Sir”, traduzido para o português como “Senhor”, era muitas vezes falado como “Nho”. Assim, “Sir Timothy” se transformaria em “Nho Tim”.

    Outra história, comprovada por uma notificação de 26 de maio de 1865, registra a existência de um lugar chamado “nhotim”, onde morava João Rodrigues Ribeiro, filho de Joaquim Rodrigues Ribeiro. Em um dos recibos anexos a esse antigo documento há uma assinatura na qual a localização é grafada como “Nhoquim”.

    O nome “Joaquim” aparece também na narrativa de Dona Elza, moradora da região de Brumadinho. Ela apresenta uma variação da versão que envolve o minerador inglês: “O que eu me lembro de ver contar era que havia um proprietário que se chamava, não sei se era Joaquim, e o apelido dele era Tim. Então era o Sr. Tim, que virou NHÔ TIM. Antigamente não se falava senhor, era nhô. Por isso ficou com esse nome de Inhotim”.

    Há ainda o relato da viagem do engenheiro inglês James Wells pelo Brasil entre os anos de 1868 e 1886. Em determinado momento, ele relembra uma conversa com um trabalhador negro em uma estrada próxima à Brumadinho. O linguajar local indica que a palavra Inhotim poderia ser uma corruptela da expressão usada pelos escravos para dizer sim senhor: “N’hor sim”. A existência de seis comunidades quilombolas no município de Brumadinho, quatro delas reconhecidas pela Fundação Palmares, reforça a hipótese.

    Essas são algumas das explicações possíveis para o nome do Instituto, fruto das pesquisas do Centro Inhotim de Memória e Patrimônio (CIMP). Criado em 2008 para resgatar as histórias e tradições da região, o CIMP é um dos projetos que o Inhotim realiza com a comunidade de seu entorno.

    Você já ouviu algum relato diferente sobre a origem do nome Inhotim? Conte para a gente!

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