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  • 07 de junho de 2020

    Marcelo Martins


    Leitura: 6 min

    O Jardim Desértico e suas paisagens!

    O Jardim Desértico e suas paisagens!

    O Inhotim estreou na sexta (05/06), Dia Mundial do Meio Ambiente, a sua primeira exposição virtual do acervo botânico: “Resistência, diversidade e sabedoria: os segredos do Jardim Desértico”. Dividida em três seções, a mostra aborda as adaptações dessas plantas para sobreviver com poucos recursos hídricos, seus usos na sociedade e a sua disposição no paisagismo.Inaugurado em 2014, as formas exóticas e as inflorescências de espécies originárias, em sua maioria, dos desertos do México inspiraram o projeto do paisagista do Inhotim, Pedro Nehring. “Distribuímos as espécies criando volumes médios, verticais e rasteiros, visando ao entrosamento harmônico entre as plantas que compõem esse jardim. Trabalhamos com várias formações rochosas na área, traçando caminhos para permitir a livre  circulação de pessoas pelo jardim”. O Jardim Desértico possui uma área de 2.590 m² e mais de 1000 indivíduos de 120 espécies. São cactáceas, crassuláceas e euforbiáceas que nos convidam a notar a beleza na diversidade de diferentes processos de adaptação dos exemplares e a valorizar os conhecimentos tradicionais que unem plantas e seres humanos.

    A cor terrosa dos caminhos combina com o verde das folhas e as flores coloridas. Foto: Arquivo

    A cor terrosa dos caminhos combina com o verde das folhas e as flores coloridas. Foto: Arquivo

     Um mar de possibilidadesA maioria das espécies presentes no Jardim são plantas xerófitas, que sobrevivem em ambientes áridos e semi-áridos, como os cactos e as suculentas. A primeira parte da exposição mostra as adaptações dessas plantas à esses locais com pouca água. Tanto que o Jardim Desértico é abordado nas ações de educação ambiental como uma alternativa para o uso sustentável da água, na criação de áreas verdes.
    Os espinhos presentes em algumas plantas são uma das adaptações para as plantas resistirem às altas temperaturas e escassez de água. Foto: Arquivo

    Os espinhos presentes em algumas plantas são uma das adaptações para as plantas resistirem às altas temperaturas e escassez de água. Foto: Arquivo

    Você sabia que algumas dessas espécies são comestíveis? Ou são usadas na produção de fibras e bebidas, como a agave-polvo usada na fabricação da tequila? Para sobreviver em ambientes extremos, os povos tradicionais souberam aproveitar o que essas plantas oferecem. Na exposição, você também fica sabendo sobre os outros usos dessas espécies pelo mundo. Na selva de pedraApesar do solo mais rochoso e de pouca água, ao contrário do que muitos pensam, essas espécies desenvolvem também lindas flores que, em composição com o verde das folhas, expressam um paisagismo charmoso.
    Veja as plantas do Jardim Desértico dando um colorido lindo à paisagem! Foto: Arquivo

    Veja as plantas do Jardim Desértico dando um colorido lindo à paisagem! Foto: Arquivo

    Por serem de fácil cultivo, muitas dessas espécies estão presentes nas casas e apartamentos, compondo os jardins dentro dos lares – conhecidos como Urban Jungles. Acesse aqui a nova exposição on-line do Inhotim! Aproveite para navegar pelas outras quatro mostras.


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    12 de maio de 2020

    Marcelo Martins


    Leitura: 7 min

    Inhotim na quarentena: 5 dicas do que preparamos para você ficar mais perto da gente!

    Inhotim na quarentena: 5 dicas do que preparamos para você ficar mais perto da gente!

    Desde que suspendemos temporariamente a abertura do museu, no dia 18 de março de 2020, as equipes do Inhotim se uniram para pensar em meios de continuar em contato – entre si e com o público. No parque, os jardineiros e técnicos trabalham em regime de escala reduzida, para preservar as obras e as plantas. Os times se reúnem virtualmente várias vezes por semana, planejando ações para quando o Inhotim reabrir.

    E para continuar próximo ao nosso público, preparamos várias ações para você conhecer mais os nossos acervos e amenizar a sua saudade do Inhotim (e a nossa do parque cheio também!).

    Para a estreia do Inhotim na Museum Week 2020 (o tema hoje é “Cultura na Quarentena”), veja abaixo cinco dicas para você ficar pertinho da gente!

    Exposição “Visão Geral”  no Google Arts & Culture

     A exposição debate aspectos da escultura contemporânea, como abstração, tridimensionalidade e ressignificação de objetos do cotidiano. Trabalhos de Alexandre da Cunha, José Damasceno, Iran do Espírito Santo, Laura Vinci, Marcius Galan e Sara Ramo fazem parte da mostra. A versão presencial da exposição foi aberta em 2019 e para o período da quarentena, elaboramos a versão digital da exposição com depoimentos dos artistas em vídeo e áudios do curador associado do Instituto, Douglas de Freitas, explicando cada obra.  Com as ferramentas de zoom, da plataforma, é também possível chegar bem pertinho das obras. 

    Wallpapers botânicos

    Nossos jardins são tão amados pelo nosso público, que resolvemos levar um pedacinho do Jardim Botânico do Inhotim para cada um: fotos inéditas para serem baixadas como wallpapers no celular. Acesse nosso perfil do Instagram e baixe as imagens nossos destaques! São seis opções de imagens feitas pelo renomado fotógrafo João Marcos Rosa, que já fez trabalhos para a National Geographic, e foi convidado a registrar a transformação dos jardins ao longo do ano. 

    Séries Bastidores e Retrato 

    Diretamente do ateliê dos artistas ou da sala de restauros do Inhotim, você fica sabendo sobre o processo criativo envolvido na elaboração dos trabalhos artísticos. Os dois primeiros episódios já estão no ar, no nosso canal do IGTV: o primeiro é uma conversa com Laura Vinci em seu ateliê; o segundo mostra a equipe de conservação do Inhotim, contando sobre o restauro de uma obra de Sandra Cinto. Já a série Retrato é uma coletânea de vídeos gravados entre 2011 e 2014, contendo entrevistas com artistas, curadores e técnicos envolvidos nas montagens de obras expostas no Inhotim. Por mostrar o processo de criação na arte contemporânea, trata-se de uma excelente referência para pesquisas e estudos no campo das artes. Disponibilizados pela primeira vez no ambiente virtual, os materiais foram digitalizados com legendas em inglês. Acesse aqui o primeiro episódio, protagonizado pela artista Adriana Varejão. As séries também estão disponíveis no nosso canal do YouTube. O segundo episódio sai em junho, e é sobre a artista Doris Salcedo.

    Série Diálogos

    Neste sábado, vem mais uma novidade por aí: vamos estrear a Série Diálogos, uma conversa feita por diversos representantes do Instituto para abordar os universos da arte e da botânica. A primeira convidada é a artista Sara Ramo, que vai falar sobre seus trabalhos com o curador associado do Inhotim, Douglas de Freitas. Anote aí: Diálogos estreia às 11h no nosso perfil no YouTube e IGTV. Confira o bate-papo!

    Arte, botânica, arquitetura e a sua participação nas nossas redes sociais

    Quer matar a saudade do Inhotim, rememorando momentos em que você esteve em contato com nossos acervos? Então, acesse os nossos perfis do Instagram e Facebook e interaja conosco, deixando o seu comentário, curtindo e compartilhando nossos conteúdos.

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    17 de abril de 2020

    Marcelo Martins


    Leitura: 15 min

    Até quando esse fogo vai queimar? Uma atualização do instante fotográfico na obra “Yano-a”, 2005

    Até quando esse fogo vai queimar? Uma atualização do instante fotográfico na obra “Yano-a”, 2005

    Temáticas relacionadas aos indígenas estão presentes em várias manifestações artísticas: na música (como em “Nozani-ná”, composta por Heitor Villa Lobos); no cinema (a exemplo de “O abraço da serpente”, filme dirigido por Ciro Guerra indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2016) e na fotografia, que tem um dos seus maiores expoentes a artista Claudia Andujar, a quemInhotim, em 2015, construiu uma galeria para abrigar seu trabalho 

    Em novembro de 2019,  mês em que uma série de inaugurações marcou a programação do Instituto, a Galeria Claudia Andujar ganhou uma nova obra: Yano-a (2005), que, além da própria artista, tem autoria de Gisela Motta e Leandro Lima.

    Uma atualização do instante fotográfico

    Em 1976, Claudia Andujarrealizou o trabalho Wakata-ú, Tiy”, que, na língua Yanomami, significa “tudo o que corre”, uma alusão à denominação dada por esse povo ao Rio Catrimani. Na imagem, a artista registrou shabonoYanomami(casa comunitária) pegando fogo, ato que na cultura dessa tribo faz referência à renovação através da mudança: quando a terra que ocupam já não dá mais frutos e a floresta ao redor não providencia mais a caça, ateiam fogo em suas shabonos para construir novas estruturas, possibilitando, assim, um novo começo.   

     Foi a partir dessa imagem em preto e branco que   Gisela Motta e Leandro Lima propuseram uma atualização do instante fotográfico. Para isso, utilizaram diversos dispositivos: retroprojetor, vento, água e projeção de vídeo com as labaredas do registro da casa em chamas. A instalação ganha movimento graças a água armazenada em um aquário sobre o retroprojetor; e o tom avermelhado da imagem é gerado por um filtro vermelho sobre a imagem original de Andujar.

    Foto-1---William-Gomes---Yano-a-exposta-na-Galeria-Claudia-Andujar,-no-Inhotim.Yano-a (2005) está exposta na Galeria Claudia Andujar, no Inhotim, desde novembro de 2019. | Foto: William Gomes

    A ideia da obra veio de um convite feito a Motta & Lima pela Galeria Vermelho (que representa Claudia Andujar na capital paulista) em 2005,na ocasião da exposição da artista na Pinacoteca, em São Paulo. “A proposta era fazer repensar uma foto de Andujar, configurando a partir dela uma montagem atual. Pensamos em criar um  vídeo com uma situação de momento, atualizando esse instante em que foi fotografado, como se, em tempo real, a foto perdesse a sua característica de arquivo”, explica Leandro.  

    Motta contextualiza a obra na carreira da dupla, que realiza trabalhos há 20 anos: “Desde o início da nossa produção, pesquisamos uma temporalidade como se fosse o instante do tempo suspenso. Quando escolhemos essa shabono pegando fogo, não fazia sentido exibi-la queimando do começo ao fim. O que nos interessou foi ter esse instante suspenso, esse momento em que ela está eternamente se incendiando”.  

    Engrenagens expostas  

    Quando a obra foi exposta pela primeira vez, o funcionamento sobre a projeção das imagens despertou a curiosidade dos visitantes: nesta primeira versão, os equipamentos  não eram expostos como parte integrante da obra, o que começou a ser feito a partir de 2007. Para Gisela, dar visibilidade à estrutura física que resultou do processo criativo possibilita uma abordagem educativa. “Nós, como um país que importa mercadoria, recebemos os produtos embalados em invólucros. Percebemos que não temos acesso à tecnologia. Exibir esse processo criativo é um incentivo para mostrar a forma como as coisas são construídas. É um conhecimento aberto, diz. 

    Foto-2---Visitantes-podem-ver-de-perto-como-a-obra-e-projetadaVisitantes podem ver de perto como a obra é projetada.  | Foto: Leo Lara/Área de Serviço

    Yano-a (2005) está exposta na Galeria Claudia Andujar, que foi inaugurada em 2015. A artista destacou-se na década de 1990 por liderar o movimento de demarcação da terra Yanomami, localizada no estado de Roraima, na fronteira com a Venezuela. Na galeria, você pode ver cerca de 400 fotografias registradas por Andujar entre 1970 e 2010, livros da artista e o documentário “A estrangeira”, produzido pelo Inhotim.  

    Foto-3---William-Gomes---E-possivel-andar-ao-redor-da-obra-e-ter-outros-pontos-de-vista-sobre-a-mesmaÉ possível andar ao redor da obra e ter outros pontos de vista sobre a mesma. | Foto: William Gomes 

    Yano-a (2005), que agora pertence ao acervo do Inhotim, foi exposta pela primeira vez na Galeria Vermelho em 2005; nesse ano, também esteve no Centre d’ArtContemporain de Basse-Normandie, na França; em 2007, no Solar da Unhão, em Salvador (BA); em 2008 integrou a exposição “Amazon War”, em Munique (Alemanha). Em 2012, esteve na exposição “Sopro”, no CCBB do Rio de Janeiro; na Pinacoteca, em 2016; integrou quatro mostras: “Quando o mar virou rio”, no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro; “Nada levarei quando morrer, aqueles que me devem cobrarei no inferno”, no Galpão VB, em São Paulo; “VideoArt in LatinAmerica”, na Laxart, em Los Angeles (EUA); e na cidade chinesa de Guangzhou em “Simultaneous Eidos—Guangzhou ImageTriennial”. Em 2018integrou a terceira edição da Beijing Photo Bienal, na exposição “ConfusingPublicand Private”. 

    ____
    [Claudia Andujar, Gisela Motta, Leandro Lima, “Yano-a”, 2005, videoinstalação, tela suspensa de retroprojeção, projetor de vídeo, retroprojetor, fotolito, filtro de cor, microventilador, aquário e água, dimensões variadas]

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    19 de março de 2020

    Marcelo Martins


    brumadinhojarbas lopestroca-troca

    Leitura: 6 min

    A volta do “Troca-troca” (2002) por Brumadinho

    Em 2002, oito amigos saíram do Rio de Janeiro, em três fuscas muito chamativos, com as peças trocadas nas cores amarelo, vermelho e azul, rumo a Curitiba. Quinze anos depois, os três fuscas seriam conduzidos por Jarbas Lopes e seus amigos pelas ruas de Brumadinho. Os três veículos compõem a obra Troca-troca (2002), que faz parte do acervo do Inhotim. O trabalho já ficou exposto em diversos locais do museu e atualmente está na Galeria Praça. Antes de ir para o restauro (realizado de março até outubro de 2017) e trocar de lugar, ficava no jardim ao lado da Galeria Cosmococa.

    Jarbas Lopes visitou o Inhotim de 18 a 21 de outubro. Ele se encontrou com as equipes Técnica e Curadoria para conversar sobre o restauro, realizou uma dinâmica com vários funcionários do Instituto, fez uma live para falar sobre o processo e realizou um show de música, juntamente com a banda Shiba, aos pés da árvore tamboril, durante as Ocupações Temporárias 2017. Ele foi ainda homenageado por alunos de uma escola de Belo Vale, cidade perto de Brumadinho, que fizeram uma réplica dos fuscas em uma atividade proposta em sala de aula. No Inhotim, os estudantes encontraram com o artista e cantaram “Fuscão preto”, especialmente para Jarbas.

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    Jarbas Lopes é homenageado pelos alunos de Belo Vale, prestes a ouvir a música “Fuscão preto”. Crédito: William Gomes

    Troca de olhares, tchauzinhos… e de motor

    No dia 21 de outubro de 2017, por volta de meio-dia e meia, lá estavam eles: os três fuscas saindo do Inhotim para percorrer as ruas de Brumadinho. Já no trajeto, a obra do acervo foi chamando a atenção de quem encontrava, ganhando acenos pelo caminho.  O trabalho de Jarbas Lopes também gerou comoção de quem estava em frente ao Supermercado Super Luna, um dos locais mais movimentados da cidade. Alguns arriscaram um grito de “oi”, outros, um tímido tchauzinho. Em comum, todos tinham um olhar de curiosidade e de reconhecimento de que era uma das obras de arte mais queridas pelo público.

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    Mulher acena para os fuscas na Rua Itaguá, perto da Quadra de Esportes. Crédito: Marcelo Martins

    O final do trajeto foi no letreiro da cidade, localizado na entrada do município. Ao fazer o retorno, ops! Um dos fuscas falhou e toda a caravana teve que parar (além das três esculturas andantes, havia cinco carros do Inhotim acompanhando o trajeto, com as equipes de Comunicação e Curadoria). O fusca, que não conseguia mais ser ligado, teve que passar pelo procedimento de troca do motor. Enquanto isso, funcionários do Inhotim registraram várias fotos e eu acabei saindo em uma delas.

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    O analista de comunicação do Inhotim Marcelo Martins é flagrado registrando fotos do fusca parado. Crédito: Arquivo

    Troca de motor finalizada, a caravana do Troca-troca (2002) pegou o caminho de volta para Inhotim e… mais uma parada, dessa vez na subida da Rua Itaguá, ao lado da linha do trem. O motor do mesmo fusca deu defeito e a equipe de mecânicos teve que entrar em ação novamente.

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    Já tinha visto essa parte da obra? Momento raro para ver detalhes de dentro do Troca-troca (2002)! Crédito: William Gomes

    Depois desse passeio cheio de interações com os moradores de Brumadinho, os fusquinhas voltaram para o Inhotim e trocaram de lugar: passaram a ficar expostos no vão da Galeria Praça, ao abrigo do sol e da chuva, para que fiquem conservados por mais tempo.

    Neste vídeo disponível no canal tubedorui, Jarbas conta um pouco sobre o Troca-troca (2002). Confira!

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    Fuscas estacionados no Centro de Brumadinho, em frente à sede da Rádio Regional.  Crédito:  Marcelo Martins

    Quer saber mais sobre a obra? Acesse mais informações no nosso site.

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    27 de setembro de 2019

    Marcelo Martins


    Leitura: 8 min

    Inhotim, Setembro Azul e os desafios de uma instituição no caminho para a acessibilidade

    O Inhotim já recebeu mais de três milhões de pessoas – desde 2006, quando abriu ao público – e fomentado o acesso aos seus acervos de arte e botânica, com a finalidade de possibilitar experiências e reflexões sobre cultura e biodiversidade. Como instituição museológica sintonizada com seu tempo e com as discussões na área, as equipes buscam a partir de suas práticas diárias entender e aprimorar a sua comunicação com a diversidade de pessoas que o visita.

    Assim, para se aproximar do público surdo, o Inhotim participa pela primeira vez do Setembro Azul, o mês da visibilidade da Comunidade Surda Brasileira, com uma semana de programação especial para o público surdo e com deficiência auditiva. Entre 23 e 29 de setembro, as visitas proporcionam o aprendizado de sinais em Libras, percorrendo trajetos na área central do Inhotim e no Viveiro Educador. A atividade aborda a história do Instituto, as orientações de visitação nos espaços e os acervos de arte e botânica.

    A atenção para com a Linguagem Brasileira de Sinais no Inhotim começou com a visita da professora Clarice Alves, em março de 2018. Ela, que é surda, pediu ao seu filho Juan Santos para mediar a atividade em Libras, o que chamou a atenção da equipe do Educativo e a estimulou a aprender os sinais da Língua. Grupos de estudo foram criados no Inhotim para aprender Libras. No ano seguinte, Juan foi contratado para auxiliar no ensino e no atendimento ao público surdo pela equipe do Educativo. Para Sara Souza, coordenadora do Atendimento, a contratação do Juan deu uma nova perspectiva para todos. “Pelo fato de ter sido educado em Libras na família, ele explica aspectos importantes na comunicação com os surdos, como a percepção das vibrações do som e a expressão facial”, conta.

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    Nos vídeos acima, a monitora Roberta Duarte ensina os sinais de Inhotim e Brumadinho. Vídeos: Marcelo Martins.

    Uma instituição em processo de aprendizagem

    A equipe do Educativo realizou diversos treinamentos desde meados de 2018, por iniciativa e realização da própria equipe, usando apostilas e vídeos. Para aprimorar os estudos, há um ano, a equipe recebeu a visita da educadora Flávia Neves, que desenvolveu o Librário, uma tecnologia para a aprendizagem de Libras de maneira lúdica.

    Librário

    Librário é um baralho, em que cada carta mostra o sinal em Libras e a sua tradução para o português. Foto: William Gomes

    Esta é a chance de aprender Libras de uma maneira descontraída! A atividade com o Librário será oferecida aos pés da árvore Tamboril no próximo fim de semana, 28 e 29 de setembro.

    Segundo a Gerente de Educação Janaína Melo, este é o momento do Inhotim repensar a relação com os seus públicos, especialmente os surdos e pessoas com deficiência. “O Instituto sempre recebeu público surdo e com deficiência. Agora, é o momento de estabelecer uma estratégia de construção de práticas educativas para essas pessoas, em uma agenda na qual elas também sejam envolvidas, a fim de ampliar a experiência do público no Inhotim. É um entendimento de que o Inhotim é um espaço de todos, feito com todos e para todos”, diz.

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    Equipe de atendimento treina Libras em meio aos jardins do Inhotim. Foto: Marcelo Martins

    Sinais de aprendizagem

    Em uma das visitas que fez com um grupo de surdos no mês de junho, Juan revela o que eles mais gostaram: a experiência na Galeria Cosmococa. “Além de ter apresentado o trabalho dos artistas Hélio Oiticica e Neville d’ Almeida, as pessoas gostaram de interagir com os objetos da instalação, como as almofadas, bexigas e redes”, lembra Juan.

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    Na obra Forty Part Motet (2001), de Janet Cardiff, Juan orienta a visitante a colocar a mão na caixa de som.

    Obras sonoras também estão incluídas no trajeto da visita em Libras. É o caso de Forty Part Motet (2001), de Janet Cardiff. “A pessoa surda sente a vibração do som. Por isso que uma das maneiras de chamar um surdo é, além de gesticular, bater os pés, para que a pessoa sinta a vibração do chão”, explica Juan.

    Até domingo, o Inhotim realiza a 1ª Semana do Setembro Azul, uma programação especial para o público surdo, com visitas mediadas em Libras, traduzidas para o Português. Veja a programação no nosso site e participe! 

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