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As vibrações de uma música na mediação

As vibrações de uma música na mediação

Esta semana foi comemorada a 18ª Semana Nacional de Museus, que começou com o Dia Internacional do Museu (comemorado em 18 de maio), e vai até domingo (24/05).

Os temas mudam anualmente e o ICOM (Conselho Internacional de Museus) definiu para 2020: “Museus para a Igualdade: diversidade e inclusão”. As equipes de Atendimento e Educativo escolheram então falar sobre a mediação de uma obra (uma das mais queridas pelo público!) com os surdos: Forty Part Motet (2001), de Janet Cardiff.

O Inhotim, como instituição museal democrática, tem um núcleo de trabalho sobre a mediação em Libras, construídas em conjunto com o público surdo. Quem já teve a chance de nos conhecer, sabe que no parque essa experiência é amplificada: os espaços do Inhotim são repletos de cores, cheiros e sabores. 


O monitor Juan Santos convida o público a participar da programação especial do Setembro Azul, realizada em 2019. Vídeo: Jefferson Torres e Juan Santos.

Som e mão na caixa

Os surdos têm uma forma diferente de perceber o mundo, através de experiências visuais e sensoriais. Então como um museu pode propiciar mediações considerando esse outro estar no mundo?  

Ao contrário do que muita gente pensa, as obras sonoras também estão incluídas nos trajetos das visitas em Libras. É o caso da Forty Part Motet (2001), de Janet Cardiff.

Quando chegamos na sala, o convite é para que o grupo se sente no centro e preencha o vazio deste espaço. O público surdo é convidado a observar as caixas, a sala branca e a paisagem ao entorno, e propomos um diálogo sobre a história da obra e da artista.

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“Forty Part Motet”, 2001, Janet Cardiff, vista da instalação. Foto: William Gomes

 Depois, a equipe estimula que as pessoas percorram a sala e toquem em cada uma das caixas para sentir as diferentes vibrações. Presenciamos o entusiasmo delas à medida que vão passando por cada uma das caixas de som e sentindo as diferentes vibrações correspondentes às diversas entonações das vozes.

“A parte mais marcante foi quando coloquei a mão nas caixas de som, pois é nesse momento que dá para sentir a música. Consegui sentir melhor os sons mais fortes, e com a ajuda da equipe, consegui decifrar o gênero musical”, conta Clarice Alves, professora surda que participou de uma visita.

Assim, receber o público surdo no Instituto é um compromisso de tornar os espaços culturais mais acessíveis. É uma experiência incrível estar e vivenciar Inhotim com este público!

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Lidiane Arantes –Coordenadora de Educação
Gabriel Correa –Supervisor de Atendimento
Diego Reis – Líder da Equipe de Atendimento
Selena Diniz – Mediadora de Projetos
Fernanda Morais – Monitora de Área
Juan Santos – Monitor de Área



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