Sinopse

Clipping

 

“FOLLY” (2005-2009), DE VALESKA SOARES, É UMA DAS NOVAS INSTALAÇÕES PERMANENTES INAUGURADAS NO INHOTIM
 
Para a margem mais distante de um grande lago novo nos jardins do Inhotim, Valeska Soares criou uma estrutura arquitetônica de pequena escala, reminiscente das estruturas clássicas de jardim conhecidas como follies. Ao se aproximar de Folly (2005-2009) pelo sinuoso caminho ao longo da água, percebe-se que, o que à distância parecia ser um teto sustentado por estacas, criando uma sombra, é na verdade uma forma octogonal fechada, com os lados cobertos por espelhos refletindo o que está ao redor. A artista, reagindo ao lugar e se valendo da incrível qualidade do paisagismo, concebeu este enfoque gradual. Na parte detrás do pavilhão, uma porta dá acesso à sala interna de projeção, também com espelhos em todas as paredes. Ao entrar, imediatamente nos encontramos em meio a uma projeção refletida infinitamente.

Folly (2005-2009) é a adaptação de um trabalho originalmente produzido e exibido em Belo Horizonte em 2002. Valeska estava nesta época desenvolvendo este vídeo para o Museu de Arte da Pampulha, com o intuito de torná-lo parte de sua exposição solo no antigo cassino da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer no início dos anos 40. O vídeo mostra dançarinos bailando pela pista de dança desta obra-prima arquitetônica do meio do século e, através da sobreposição de várias imagens, magicamente se encontrando e se separando. Intitulado Esta Noite (2002), o vídeo foi inicialmente instalado na própria pista onde as sequências tinham sido filmadas. A trilha sonora é uma versão remixada da música The Look of Love (1967), de Burt Bacharach, alterada pelos artistas de som O Grivo, de Belo Horizonte. Uma primeira versão de Folly foi exibida na 51ª Bienal de Veneza em 2005.

Valeska Soares, uma das artistas internacionais mais ativas de sua geração, trabalha com desenhos, instalações, esculturas, som e vídeo, tendo desenvolvido sua própria poesia por meio de uma série de materiais e formas emblemáticos e recorrentes em sua trajetória: mármore, cera, aço inoxidável e espelho, a cama, o balde, o livro e a folly de jardim. Independentemente do suporte, um tema central da arte de Valeska é a presença ou a ausência do corpo, a memória e a imaginação, amor e dança.

Valeska Soares (Belo Horizonte, 1957; vive em Nova York, Estados Unidos) já esteve presente nas mais importantes exposições internacionais, tais como a Bienal de São Paulo, em 1994, 1998 e 2008, e a Bienal de Liverpool, em 2004. Sua maior exposição solo ocorreu em 2005 no Museu de Artes do Bronx, em Nova York.

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