Miguel Rio Branco, Hélio Oiticica e Neville D'Almeida, Dominique Gonzalez-Foerster e Rirkrit Tiravanija. Artistas consagrados no cenário da arte contemporânea mundial que terão trabalhos permanentes inaugurados no Inhotim, no próximo dia 23 de setembro. Além das obras permanentes, o Instituto também vai inaugurar novos trabalhos temporários, de seis diferentes artistas, que estarão expostos nas galerias Mata, Praça e Lago. "Inhotim já conquistou o avanço espacial e conceitual de suas obras", avalia o diretor artístico e curador, Jochen Voz.
A escolha dos artistas é fruto de um minucioso trabalho da curadoria, que passa anos observando obras que estão sendo desenvolvidas em todo o mundo. "Cada um dos trabalhos selecionados para a nova exposição tem uma história própria com a coleção do Inhotim", conta o curador. É o caso, por exemplo, de Miguel Rio Branco, artista que está sendo colecionado há um bom tempo. "Acompanhamos o trabalho dele pelo menos nos últimos dez anos", explica Volz.
O desejo institucional de fortalecer a presença dos artistas Hélio Oiticica & Neville D'Almeida na coleção do Inhotim tornou possível a construção de uma galeria permanente dedicada exclusivamente às cinco Cosmococas já produzidas pelos artistas. A galeria, equipada com cinco salas e um hall central, é como um labirinto, sem sequência pré-estabelecida para visitação. "As pessoas podem se perder por horas lá dentro", conta Jochen. No Brasil, as Cosmococas foram exibidas juntas uma única vez, em 2005, no Centro Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro. Para Volz, "poder voltar sempre ao Inhotim e encontrar as cinco obras funcionando é algo muito especial".
Alguns projetos foram criados de forma comissionada, dentro do conceito de site-specific, isto é, os artistas projetam as obras de acordo com as possibilidades oferecidas pelo lugar escolhido para a montagem e num grande diálogo com a curadoria da instituição. É o caso das obras dos artistas Dominique Gonzalez-Foerster e Rirkrit Tiravanija.
Instigada pela paisagem ao redor e pela ideia de trabalhar ao ar livre, Dominique criou um parque dentro de outro parque para Desert Park (2010). "Foi ela mesma quem escolheu o local onde a obra está instalada", informa Jochen. Uma pequena coleção de pontos de ônibus de concreto, pré-fabricados, foi criada pela artista e colocada sobre uma base de areia branca. Para o diretor artístico, a instalação, resultado de cinco anos de trabalho, é uma escultura para ser usada. "Na obra, os visitantes podem aproveitar, entrar e sentar, além de ser um convite a leitura pois alguns livros estão disponíveis dentro dos pontos".
Para Inhotim, Tiravanija adaptou o trabalho Palm Pavilion, criado originalmente para a 27ª Bienal de São Paulo. "Tiramos a obra de um espaço fechado de uma galeria e colocamos ao ar livre", conta o também curador Rodrigo Moura. Inspirada na famosa construção Maison Tropicale, do arquiteto francês Jean Prouve, a obra tem como tema central o universo das palmeiras e foi pensada de forma conjunta entre artista, curadoria artística e curadoria botânica do Instituto. Cerca de 130 indivíduos de sete espécies diferentes de palmeiras estão plantadas no local. "Neste caso abusamos da diversidade", relata o curador botânico, Eduardo Gonçalves.
Galerias temporárias
Trabalhos já apresentados antes e que se encaixam perfeitamente à linha curatorial do Inhotim serão inaugurados em caráter temporário nas galerias Mata, Praça e Lago. A cada dois anos, a instituição reconfigura alguns de seus espaços expositivos para instalar obras que ainda não foram expostas no Instituto, ou foram adquiridas recentemente. "Com isso criamos uma rotatividade e uma dinâmica de nossa coleção", conta o curador Rodrigo Moura.
Na nova mostra temporária, apenas obras de dois artistas já estiveram em exposição no Instituto. É o caso dos brasileiros Ernesto Neto e Alexandre da Cunha. Além deles, as exposições por tempo determinado, cerca de dois anos, recebem trabalhos dos artistas Diango Hernández, Laura Vinci, Marcellvs L e Marcius Galan.
Desde a inauguração do Inhotim, ocorrida em outubro de 2006, todos os anos novas exposições foram inauguradas, com exceção de 2007, período em que o Inhotim se firmou como um dos espaços mais importantes da arte contemporânea mundial. Para Jochen Volz, o constante crescimento, e o tempo em que as obras ficam expostas é o diferencial da instituição. "A proposta do Inhotim é trabalhar sem as limitações de tempo e espaço. Por isso optamos por uma temporalidade muito extensa em nossas exposições. E essa possibilidade de crescer sempre é um privilégio que estamos trabalhando" afirma.
