O diretor do Instituto para o Estudo das Águas da UNESCO
(IHE), Richard Meganck, esteve em Inhotim, no último sábado (22), para
discutir a elaboração do plano de negócios para implementação da Rede
Água. Recursos da ordem de R$ 500 mil foram aprovados via emenda
parlamentar, por meio de uma articulação do deputado federal Nárcio
Rodrigues, e serão repassados à UNESCO pela Agência Nacional de Águas
(ANA) para formatação da Rede, que terá o Instituto Cultural Inhotim
como gestor. A Rede contará com parceiros nacionais e internacionais
como a UNESCO, o IHE, universidades mineiras (UFMG, PUC e UEMG),
centros de pesquisas, entre outros.
Um dos principais objetivos da Rede Água é formar
recursos humanos para o manejo da água e gestão ambiental, além de
fornecer subsídios para orientar a elaboração de políticas para o setor
público e privado sobre o tema. A Rede ainda apoiará o desenvolvimento
de pesquisas, monitoramentos, diagnósticos, avaliações, recuperação de
áreas de preservação permanente (APPs) e a divulgação de boas práticas
no uso de recursos hídricos, estabelecendo uma relação entre a
comunidade e o meio ambiente para o desenvolvimento sustentável.
A elaboração do plano de negócios consiste na identificação dos
parceiros, definição dos focos de atuação, formas de financiamento,
cronograma de atividades e a implementação da Rede Água. De acordo com
a diretora executiva do Instituto Cultural Inhotim, Ana Lucia Gazzola,
a Rede irá estabelecer e consolidar alianças entre o Brasil e outros
países para aprimoramento do uso de recursos hídricos, em especial os
africanos de língua portuguesa, atuando também de forma integrada com
países do MERCOSUL.
Para o representante da UNESCO, o Brasil tem seriedade no manejo de
águas e é visto nas Nações Unidas como um país que pode servir de
modelo para outros países, onde falta uma política consistente neste
setor. "Finalmente o tema da água chegou ao topo da agenda
internacional e há um entendimento de que sem este recurso nada
funciona e os investimentos não são possíveis", destacou. Segundo
Meganck, a experiência brasileira faz uso de novas tecnologias e é
variada devido à diversidade climática do país, com a presença de zonas
áridas, tropicais, entre outras.
Hidroex
Além do Inhotim, o diretor do Instituto para Estudo das Águas da UNESCO
também visitou o Centro Internacional de Educação, Capacitação e
Pesquisa Aplicada em Águas (Hidroex), localizado na cidade de Frutal,
no Triângulo Mineiro. Estudos de viabilidade estão sendo concluídos
para transformá-lo em um instituto categoria 2 da UNESCO em 2010. De
acordo com Richard Meganck, o IHE trabalha hoje com uma rede de 20
institutos categoria 2 espalhados pelo mundo. Eles são unidades
nacionais que seguem as diretrizes do Instituto para Educação de Águas
da UNESCO, com o compromisso de compartilhar as soluções encontradas
para o uso dos recursos hídricos. "A idéia é formar uma matriz com os
problemas e soluções encontradas para todas as zonas climáticas do
mundo, viabilizando o intercâmbio de experiências entre os países",
explica o diretor.
Para Meganck, o compartilhamento de informações neste setor é
fundamental. "O uso da água é uma necessidade básica e seu acesso é um
direito de todos, não um luxo. Ou os países trabalham dividindo
tecnologia e conhecimento sobre seu uso ou fracassaremos todos",
ressalta.
O Brasil já conta com um instituto categoria 2 da UNESCO em Foz do
Iguaçu, onde são desenvolvidos projetos na área de hidroinformática
(uso da tecnologia da informação para gestão de recursos hídricos). O
Hidroex, em Minas Gerais, especializado em pesquisas sobre o uso da
água em zonas tropicais, será o terceiro parceiro da rede da UNESCO no
continente sul-americano. A outra unidade está localizada no Chile e é
especializada no uso da água em zonas áridas.
