Após três dias de discussão sobre a obra do filósofo alemão Walter
Benjamin, participantes internacionais e nacionais do I Colóquio
Internacional do Núcleo Walter Benjamin, realizado pela Faculdade de
Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) nos dias 19, 20 e
21 de novembro, visitaram no último sábado (22) o Inhotim. A visita foi
organizada a pedido dos participantes internacionais do evento, que
aproveitaram a estada em Belo Horizonte para conhecer o único museu de
arte contemporânea do mundo que está localizado em um parque ambiental.
Para a diretora da Gestão do Conhecimento do Instituto Cultural
Inhotim, Sueli Pires, a parceria com a UFMG para um evento como este
contribui para a consolidação das atividades desenvolvidas entre o
Instituto e a Universidade. Ela ainda destaca a importância da visita
diante do foco temático do seminário, a obra de Walter Benjamin, que
representa um marco na história da democratização do acesso à arte em
escala mundial. De acordo com Sabrina Sedlmayer, professora da
Faculdade de Letras e uma das organizadoras do Colóquio, a demanda por
conhecer o Inhotim partiu dos próprios participantes do evento, que se
deparam no dia a dia de seus trabalhos com reflexões sobre o conceito
de estética.
Com o tema ‘O Limiar', essa foi a primeira vez que foi organizado um
encontro internacional para discussão da obra do filósofo alemão Walter
Benjamin no Brasil. Especialistas de renome nacional e de outros países
como Alemanha, França e Portugal, estiveram presentes no evento. A
iniciativa trouxe especialistas estrangeiros como Wolfgang Bock, Roger
Behrens (Alemanha), Michel Collomb, Jean Pierre Zarader (França), Maria
Filomena Molder (Portugal) e Jeanne Marie Gagnebin (Suíça/Brasil), bem
como pesquisadores brasileiros: Raul Antelo, Carla Damião, Rodrigo
Duarte, Jaime Ginzburg, César Guimarães, Romero Freitas, Susana
Kampff-Lages, Imaculada Kangussu, Evando Nascimento, Edson Rosa da
Silva, Susana Scramim, Rita Velloso e outros, com diferentes abordagens
em torno de um único tema: o limiar.
A obra de Benjamin é hoje leitura quase indispensável no Brasil,
onde parte de sua produção foi incorporada aos currículos
universitários (O Narrador, A Tarefa do Tradutor, Pequena História da
Fotografia, O Flâneur, A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade
Técnica) e em outras áreas de saber, não sendo, portanto, estudada
apenas nos ambientes acadêmicos. Sua aceitação é atribuída à excelência
do texto, à compreensão ousada dos processos históricos, à pertinência
das propostas e à profundidade de análise. Arquitetura, Artes
Plásticas, Cinema, Comunicação Social, Estética, Literatura, História e
Política: o panorama amplo mostra como Benjamin foi, efetivamente, um
pensador cuja obra não conheceu barreiras e que pôde contribuir, antes
que a palavra entrasse em voga no meio intelectual, para a verdadeira
interdisciplinaridade.
Segundo Georg Otte, do Núcleo Walter Benjamin, o objetivo do evento
é agregar especialistas na obra de Walter Benjamin e fomentar, assim, a
troca de idéias quanto levar essa discussão para um público amplo,
acadêmico ou não. O que importa é transformar os limites em limiares,
ou seja, abrir portas antes fechadas ou não suspeitadas entre as
diversas especialidades ou entre a academia e o público em geral.
*Com informações do Centro de Comunicação da UFMG
