Obra do acervo do Inhotim participou de mostras na Europa e América do Norte
Depois de passar por Londres, Barcelona e Cidade do México, a obra Desvio para o vermelho, do artista brasileiro Cildo Meireles, volta a ser exposta no Instituto Inhotim neste mês de maio. A expectativa é que ela esteja aberta ao público no próximo dia 08, sábado.
A pedido do artista, a obra saiu temporariamente de exposição em 2008 para participar de uma grande mostra retrospectiva do trabalho de Cildo Meireles, que passou por três países. O primeiro foi a Inglaterra, onde a obra integrou uma exposição realizada na Tate Modern, de outubro de 2008 a janeiro de 2009. Em fevereiro de 2009, o trabalho passou pelo Museu d'Art Contemporani de Barcelona, na Espanha. Em julho do ano passado, Desvio para o vermelho foi exposta no Museo Universitario Arte Contemporáneo, na Cidade do México.
Segundo Lucas Sigefredo, diretor-técnico do Inhotim, é bom ter a obra de volta. "Os monitores nos contam que as pessoas perguntam muito por essa obra e, realmente, ela foi feita para o Inhotim", disse.
A obra: Desvio para o vermelho I: Impregnação, II: Entorno, III: Desvio
Desde o fim da década de 1960, Cildo Meireles tem se afirmado como voz única na arte contemporânea, construindo uma obra impregnada pela linguagem internacional da arte conceitual, mas que dialoga de maneira pessoal com o legado poético do neconcretismo brasileiro de Lygia Clark e Hélio Oiticica.
Seu trabalho pioneiro no campo da arte da instalação prima pela diversidade de suportes, técnicas e materiais, apontando quase sempre para questões mais amplas, de natureza política e social. Neste sentido, Desvio para o Vermelho é um de seus trabalhos mais complexos e ambiciosos - concebido em 1967, montado em diferentes versões desde 1984 e exibido em Inhotim desde 2006.
Formado por três ambientes articulados entre si, no primeiro deles (Impregnação) nos deparamos com uma exaustiva coleção monocromática de móveis, objetos e obras de arte em diferentes tons, reunidos "de maneira plausível mas improvável" por alguma idiossincrasia doméstica. Nos ambientes seguintes, Entorno e Desvio, têm lugar o que o artista chama de explicações anedóticas para o mesmo fenômeno da primeira sala, em que a cor satura a matéria, se transformando em matéria.
Aberta a uma série de simbolismos e metáforas, desde a violência do sangue até conotações ideológicas, o que interessa ao artista nesta obra é oferecer uma seqüência de impactos sensoriais e psicológicos ao espectador: uma série de falsas lógicas que nos devolvem sempre a um mesmo ponto de partida.
