Tecnologia pode minimizar a ocorrência e o impacto das cheias
No encerramento do penúltimo dia de atividades da V Semana do Meio Ambiente do Instituto Inhotim, a importância da captação de água de chuva, nas áreas rurais e urbanas, foi tema da palestra ministrada pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerias (UFMG), Valter Lúcio de Pádua, Ph.D. em Engenharia Hidráulica e Saneamento. Segundo Valter essa captação de água é uma tecnologia simples, necessita apenas de calha e um reservatório.
No semi-árido brasileiro essa técnica é mais utilizada, pela escassez de água, e conta inclusive com programas de subsídio do governo. Durante a palestra foram mostradas famílias que não têm água em casa nem a comodidade da água na torneira, e precisam utilizar a água de chuva para uso essencial como beber e cozinhar. De acordo com Pádua, é preciso ter alguns cuidados especiais para realizar essa captação. Com pouca chuva, o telhado acumula bastante sujeira, sendo assim, as primeiras chuvas devem ser usadas para limpá-lo e não devem ser armazenadas. Além disso, é necessário o uso do filtro e hipoclorito de sódio para limpar as impurezas da água.
Nas áreas urbanas, essa captação não é muito utilizada devido ao fácil acesso à água potável. Se armazenada, a água poderia ser usada para limpeza de áreas externas, lavagem de roupas, carros, entre outras tarefas diárias. “Em um ano, um telhado de 100m² em Belo Horizonte acumularia 160 mil litros de água, que sem o sistema de captação é totalmente desperdiçada. Essa captação em área urbana auxiliaria também para diminuir o impacto de cheias e enchentes nas cidades, pois o armazenamento reduziria a água que escoa diretamente para os rios”, explicou. No entanto, Pádua explicou que iss só impactaria na redução das cheias se muitas pessoas aderissem à tecnologia, que necessita de um investimento inicial que se paga em torno de um ano, mas em compensação possui retorno ambiental imediato.
“O objetivo é motivar as potencialidades de captação da água de chuva na área urbana. Isso é educação ambiental, mostrar o que a natureza oferece e a gente não aproveita”, declarou Pádua. O graduando de gestão ambiental pela UNOPAR, Jairo Elias de Souza, de 42 anos, afirma que ficou impressionado com a simplicidade do projeto e que a boa utilização da água é um tema de grande relevância. “É necessário conhecer e apresentar uma tecnologia fácil, barata e acessível de utilização racional da água”, comenta o educador ambiental do Inhotim, Eduardo Franco.
