Iniciativa serve de exemplo para outros projetos
A palestra “Água e Saúde: uma intervenção na Bacia do Rio das Velhas”, realizada na tarde deste sábado (6) apresentou o projeto Manuelzão, desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais desde 1997. O professor Antônio Radicchi, Ph.D. em Medicina Preventiva e um dos fundadores do projeto, explicou como a decisão de intervir na bacia hidrográfica do Rio das Velhas ajudou a melhorar a qualidade de vida na região.
Fruto da iniciativa de professores da Faculdade de Medicina da UFMG, que no Internato em Saúde Coletiva, mais conhecido como Internato Rural (disciplina obrigatória da grade curricular do curso de Medicina em que os estudantes passam três meses em municípios do interior desenvolvendo atividades de medicina preventiva e social) perceberam que não bastava somente tratar as doenças da população, era preciso minimizar as causas. Dessa forma, nasceu o projeto Manuelzão, com a proposta de lutar por melhorias nas condições ambientais, como forma de garantir a promoção da qualidade de vida.
A bacia hidrográfica do Rio das Velhas foi escolhida como foco de atuação do projeto pela sua importância. “O Rio das Velhas é a principal sub-bacia do Rio São Francisco e recebe o esgoto de mais de quatro milhões de pessoas, o que diminuiu a decorrência de peixes na região”, afirmou. Tendo como objetivo inicial do projeto a volta dos peixes, diversas pesquisas e ações de educação ambiental foram desenvolvidas com a comunidade. Radicchi destacou que depois da região amazônica, Minas Gerais é a caixa d’água do Brasil, mas que a abundância deste recurso não justifica abusos por parte da população.
Segundo Radicchi, o nome do projeto foi escolhido para homenagear Manoel Nardi, imortalizado por João Guimarães Rosa, o maior escritor que o sertão do Rio das Velhas já produziu. Para ele, o projeto tem a cara do personagem de Manuelzão: um batalhador e bem intencionado cidadão da área rural.
“Com esta palestra pretendo deixar a mensagem de que fazer um projeto como esse para se resolver um problema é possível. Nós conseguimos conhecer o rio, o problema e conscientizar quem pode mudar. O projeto conseguiu se transformar em uma política pública junto ao Estado. É uma realidade e o governo tem investimentos e recursos para ajudar”, afirma Antônio. Segundo ele, mais de um bilhão de reais estão sendo investidos para despoluir o Rio das Velhas. Até 2010, a meta é poder navegar, pescar e nadar no trecho do rio que passa pela Região Metropolitana de Belo Horizonte.
De acordo com o educador ambiental do Inhotim, Eduardo Franco, este é o projeto pioneiro sobre revitalização de bacias e o Inhotim tem o interesse em realizar projetos semelhantes na bacia do Paraopeba. “Receber um dos fundadores do projeto Manuelzão é muito enriquecedor, pois ele tem a experiência na realização e execução do projeto”.
Cerca de 40 pessoas, entre estudantes, funcionários e visitantes participaram da palestra. “É excelente a iniciativa do Inhotim em realizar essa Semana do Meio Ambiente, pois assim podemos chamar a atenção da população para este problema, que é a conservação da água”, declara Antônio.
