Definidas como áreas dedicadas à conservação biológica e cultural, as unidade de conservação (UC’s) estão aumentando em número no Brasil e no mundo. E para não perder suas características e atender ao propósito de sua criação, é importante que as intervenções paisagísticas nestes espaços atendam a certos critérios.
Este foi o principal ponto trabalhado pelo professor Marco Aurélio Leite Fontes, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), na palestra ministrada hoje (6) na V Semana do Meio Ambiente do Instituto Inhotim. Para Fontes, a visita a uma unidade de conservação tem que proporcionar uma mudança de comportamento nos visitantes, que incentive a conservação da área e desperte a consciência ambiental dos indivíduos.
De acordo com o professor, quando o manejo da área é adequado, ele gera mais atração para o espaço protegido, maior valorização da experiência do visitante e também das áreas por ele visitadas. “Manejar o olhar do visitante é um potencial ainda pouco explorado nas intervenções paisagísticas em unidades de conservação no Brasil”, ressaltou. Fontes ainda afirmou que a implementação deste tipo de manejo não está associada somente à disponibilidade de recursos, e sim à valorização do tema por parte da sociedade. “O trabalho desenvolvido no Parque Krueger, na África do Sul, é um exemplo. E não estamos falando de um país rico, de primeiro mundo”, complementou.
Entre os pontos apontados pelo professor como fundamentais para orientar intervenções paisagísticas em UC’s, destaca-se: a valorização da beleza natural e da cultura local; a utilização de espécies vegetais nativas, como uma oportunidade de se “descobrir” espécies nativas; a busca do equilíbrio entre o entorno e a intervenção; a prioridade para o conforto ambiental; o aproveitamento de elementos naturais existentes; e a inclusão da comunidade neste processo.
Cerca de 50 pessoas, entre estudantes e funcionários do Instituto, participaram da palestra. Para Eduardo Franco, educador ambiental do Inhotim, a discussão acrescentou muito, já que a diretoria de meio ambiente está finalizando a concepção de uma trilha interpretativa e já trabalha com jardins orgânicos.
