Cerca de 94% da população brasileira nunca teve acesso a instituições de arte. Esse dado foi apontado pelo assessor do Ministério da Cultura, Afonso Martins Luz, na abertura do seminário "Revisões e propostas: desafios para o circuito de arte brasileiro", na tarde dessa sexta feira, dia 20, no Instituto Inhotim. O seminário, promovido pelo Ministério da Cultura, Fundação Athos Bulcão e Instituto Inhotim, conta com a participação de 70 especialistas da área cultural de todo o país. A abertura oficial do evento contou ainda com a presença do diretor executivo adjunto do Inhotim, Hugo Vocurca e do presidente do conselho de administração do Inhotim, Bernardo Paz.
Na primeira mesa redonda, a crítica de arte Glória Ferreira falou sobre a expansão que o circuito de arte mundial e brasileiro vive atualmente e a necessidade de uma nova estrutura para a história de arte no Brasil. Já o expositor e jornalista Celso Fiovarante apontou as dificuldades que vive hoje o mercado midiático de artes plásticas no país. "Sem mercado anunciante é muito difícil que as artes plásticas tenham maior espaço nos jornais e revistas", concluiu. Participaram desse debate a curadora e crítica de arte Luisa Duarte, o crítico de arte Paulo Sérgio Duarte, além dos jornalistas Celso Fiovarante e Marcelo Rezende.
A segunda mesa redonda do seminário, com o tema Grandes exposições e bienais: Crise depois da crise, contou com a presença da mediadora Maria Angélica Melendi (pesquisadora da UFMG), das expositoras Mabe Bethônico (artista plástica) e Solange Farkas (diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia e curadora do VídeoBrasil) e do debatedor Martin Grossman (diretor, Centro Cultural São Paulo).
A artista plástica Mabe Bethônico abriu sua exposição lendo um texto e projetando slides que mostravam as críticas e as dificuldades que grandes exposições brasileiras já enfrentaram. Solange Farkas abordou os desafios que enfrenta como gestora do Museu de Arte da Bahia e a experiência que possui como curadora do VídeoBrasil. Para ela, o momento de crise enfrentada pelo mundo é propício para se pensar novas estratégias. "A crise pode gerar boas parcerias como trocas de exposição e publicações entre as instituições. Este é o momento de se pensar nas estratégias, sobretudos nas mostras e grandes exibições como a Bienal de São Paulo", enfatizou.
Amanhã, sábado (21), às 10h começa a terceira e última mesa redonda do seminário, cujo tema Entre o público e o privado: Estratégias de formação de acervo será debatido de acordo com a seguinte programação:
Mesa 3: Entre o público e o privado: Estratégias de formação de acervo
Mesa redonda: Marcelo Araújo (diretor, Pinacoteca do Estado de São Paulo), Luiz Fernando de Almeida (representante do Iphan) e Ricardo Resende (FUNARTE).
Mediação: Rodrigo Moura (curador do Inhotim, Minas Gerais).
Debatedores: Jacopo Crivelli
