Seminário realizado em Inhotim discute vida e produção do artista
e agrada público
Se você pudesse resumir com uma palavra as obras de Cildo Meireles, qual
usaria? Paulo Herkenhoff, um dos curadores mais respeitados do Brasil,
escolheu a palavra humanidade para conceituar o artista, cuja vida e
produções foram discutidas neste sábado (14), em Inhotim, no Seminário
"Cildo Meireles. Tempos e espaços: estética como ética/ética como estética".
Herkenhoff abriu sua palestra no período da manhã do falando sobre a
história da arte e economia na perspectiva de Cildo. Em seu texto, o curador independente passou pelos
conceitos de neo-concretismo, pós-modernismo, pop-art, minimalismo. Mas o
que realmente define Cildo, segundo ele, é o "não-estilo", pois, em seus
trabalhos, "não há linearidade", e sua arte anti-heróica possui, segundo
Herkenhoff, uma relação com o brincar.
Após o intervalo, a crítica de arte e curadora Thais Rivitti e a curadora
do Los Angeles County Museum of Art, Lynn Zelevansky, abriram a mesa-redonda
com o tema "Cultura e lugar, global e local". Lynn, que estabeleceu relações
entre as produções de Cildo, aproveitou para mostrar a evolução do artista e
interpretar suas obras, evidenciando assim a forte relação do artista com a
arquitetura, o impacto no espaço que suas obras causam, os múltiplos
significados e a percepção visual nas obras. "O grande contraponto do
artista é que ele tem relevância internacional, mas com fortes influências
brasileiras", acredita Lynn.
Thais, que também exibiu algumas produções do artista, buscou mostrar,
durante sua palestra, a idéia de invisibilidade no trabalho de Cildo. Para
isso, ela fez uma análise na obra Através e os locais por onde a obra já foi
montada, descobrindo assim nos objetos uma noção que eles não pareciam ter.
"Através dá corpo a uma situação em curso", analisa Thais.
O próximo seminário acontece nos dias 21 e 22 de junho, no Complexo
Cultural Funarte, em Brasília, e terá a presença dos curadores do seminário
Taisa Palhares e Evandro Salles, além dos curadores de Inhotim e também do
seminário, Jochen Volz e Rodrigo Moura.
