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  • 24 de maio de 2016

    Jéssica Cruz

    Mediadora de projeto


    brumadinhocomunidadeinhotimprogramação cultural

    Leitura: 5 min

    O efeito da dança em outros corpos

    O efeito da dança em outros corpos

    Uma das mágicas que fazem do mundo um lugar interessante é aquela que o “efeito bocejo” produz. Uma pessoa espreme os olhos, contrai as costas, abre os braços, a boca, vocaliza algo. Outro observa e sem perceber está bocejando também. Esse contágio se apresenta em diversas formas, e numa das minhas últimas experiências consegui identificá-la na dança. Observar o corpo do outro dançar traz para o nosso corpo uma espécie de resposta/vontade de movimentá-lo, de usá-lo como suporte para outra função que não seja cotidiana, mas sim expressiva.

    No dia 4 de maio, os jovens do Laboratório Inhotim sabiam que veriam um espetáculo de dança. Eles chegaram ao Instituto em Março deste ano e, desde então, estão sendo provocados a testar e questionar antigas certezas. Dentre essas provocações, eles já vêm fazendo algumas experimentações corporais propostas pelos educadores, na tentativa de se livrarem do bichinho da estranheza. Caminharam pelos jardins e galerias de formas improváveis. O que eu posso ver agora que caminho de lado? De costas? O que as pessoas vão pensar ao me ver agindo desse modo inesperado? Tirar o corpo do lugar comum foi o primeiro passo para uma série de descobertas.

    No espetáculo “Passagem”, do Grupo de Dança Primeiro Ato, os estímulos encontraram terreno fértil na cabeça e nos corpos dos meninos e meninas. Os movimentos de passagem e desvio dos bailarinos, representando os modos de circulação pelas ruas das grandes cidades, aos poucos deram lugar a olhares sensíveis, movimentos mais orgânicos e encontros. Ao final, a caminhada dos jovens para o Centro Educativo Burle Marx foi tudo, menos convencional. Contagiados, eles aguardavam ansiosos o momento em que iam se encontrar com os bailarinos para uma oficina, dias depois.

    Na oficina, dividida em um módulo teórico e o outro prático, os jovens puderam entrar em contato com a concepção de um espetáculo de dança contemporânea. Nesse primeiro momento, Suely Machado e Alex Dias falaram de forma muito generosa e acessível sobre suas formações, trajetos e os diversos espetáculos que já criaram com o grupo. Alguns dos jovens que já estão a mais tempo no projeto, pesquisando sobre o universo da dança e da performance, se sentiram muito à vontade em conversar sobre suas percepções, além de fazerem perguntas sobre as referências conceituais de cada espetáculo e sobre como se dá a colaboração com outros artistas.

    Após apresentação, integrantes do Grupo 1º Ato deram uma oficina para os jovens do Laboratório Inhotim. Foto: William Gomes.

    Após apresentação, integrantes do Grupo Primeiro Ato deram uma oficina para os jovens do Laboratório Inhotim. Foto: William Gomes.

    Em campo, a antiga Estação Ferroviária de Brumadinho e hoje Arquivo Público, se tornou palco para a criação de várias pequenas improvisações. Não por acaso, saímos do Instituto para ocupar esse espaço da cidade, que é sempre entendida como importante objeto de estudo e retorno para o projeto. Lá eles foram incentivados a se dividir em equipes e, ao som de uma música, pôr a prova movimentos, alturas, velocidades, ritmos e comandos.

    A experiência com o grupo foi de fato transformadora e tem contribuído muito para o diálogo e amadurecimento dos jovens em suas próprias proposições. A reflexão também parece se deixar reger pelo “efeito bocejo”.

    Depois de uma troca de experiência com os jovens do Laboratório Inhotim, Suely Machado, fundadora do Grupo 1º Ato, e o coreógrafo Alex Dias fizeram um exercício de reflexão com o grupo. Foto: William Gomes.

    Depois de uma troca de experiência com os jovens do Laboratório Inhotim, Suely Machado, fundadora do Grupo Primeiro Ato, e o coreógrafo Alex Dias fizeram um exercício de reflexão com o grupo. Foto: William Gomes.

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    12 de abril de 2016

    Redação Inhotim


    arteinhotimprogramação culturalvisita

    Leitura: 3 min

    Amigos do Inhotim tem dedução no Imposto de Renda

    Dúvidas frequentes

    O que é o benefício fiscal de incentivo à cultura?

    Pessoas físicas podem optar pela aplicação de parte de seu Imposto de Renda em projetos culturais previamente aprovados pelo Ministério da Cultura, considerando os limites e condições estabelecidos na Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet.

    Que valor posso doar com o benefício do incetivo fiscal?

    O valor da doação deve respeitar o teto de 6% do total de imposto devido no ano. Para saber quanto você pode doar, utilize como referência o valor de imposto devido na declaração do ano anterior.

    Quem pode doar e deduzir do imposto de renda?

    Todo cidadão que realiza a declaração anual de Imposto de Renda e utiliza o formulário completo pode fazer a dedução do valor total de sua doação, respeitando-se o limite de 6% do imposto apurado no ano.

    Qual é o comprovante da doação realizada?

    A partir da confirmação do pagamento, o Instituto Inhotim emitirá o Recibo de Mecenato que será enviado por e-mail para o doador com as informações a serem utilizadas no momento de fazer o preenchimento da Declaração Anual de Imposto de Renda. O Recibo também é encaminhado para o Ministério da Cultura, que informa a doação para a Receita Federal.

    Como são aplicados os recursos das doações incentivadas dos Amigos do Inhotim?

    Parte significativa da manutenção do Inhotim, exposições, projetos educativos e programação cultural são viabilizados por meio do Plano Anual de Manutenção e Atividades, aprovado pelo Ministério da Cultural. É para essas ações que os recursos do programa são direcionados.

    Se tiver alguma dúvida no momento de preencher a Declaração Anual, há um guia passo-a- passo disponível em nosso site. 

    Você também pode entrar em contato por meio de nossos canais de atendimento: amigos@inhotim.org.br e 31-3571-9717.

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    28 de setembro de 2015

    Redação Inhotim


    artebrumadinhocomunidadeeducaçãoinhotimmeio ambientemúsicaprogramação cultural

    Leitura: 4 min

    Uma praça que nunca mais será a mesma

    Uma praça que nunca mais será a mesma

    O céu azul e uma praça iluminada pelo sol em pleno sábado. Existe um motivo melhor para aproveitar o dia ao ar livre? A Praça de Aranha foi o ponto de encontro dos moradores do município de Brumadinho em uma tarde ocupada por cores, música, oficinas e muita alegria, no Festival de Rua Korocupá. O evento foi realizado pelos participantes dos projetos sociais do Instituto – Jovens Agentes Ambientais e Laboratório Inhotim – que vêm trabalhando as ideias para usar o espaço público de forma criativa há alguns meses. O resultado não poderia ter sido melhor: uma praça cheia de gente de todas as idades.

    Desde o início do ano, os jovens têm se preparado para promover o festival, pesquisando diferentes formas de intervir na cidade dando novo uso a espaços não utilizados. Eles observaram que a Praça de Aranha precisava de mais bancos. Por isso, produziram junto a marcenaria do Inhotim os novos móveis que foram estreados no dia do evento. Para incentivar a convivência entre vizinhos e moradores, os jovens tiveram a ideia de construir um forno de barro para assar biscoitos durante o festival. Além disso, eles prepararam oficinas que ensinaram técnicas para desenvolver tintas e produtos, como esfoliante de pele e protetor labial, a partir de elementos da natureza.

    Quem passou pela Praça de Aranha, ainda pode participar da Feira Grátis da Gratidão, onde roupas e sapatos eram doados ou trocados, e pôde ver a exposição de fotos de moradores feita pelos integrantes dos projetos. Os cliques foram resultado de uma pesquisa realizada pelo grupo que, com o objetivo de conhecer melhor os arredores da praça, entrevistaram a vizinhança e registraram cada personagem.

    Em uma das oficinas, os moradores aprenderam como fazer tinta com ingredientes naturais e se divertiram testando os produtos.  Foto: William Gomes

    Em uma das oficinas, os moradores aprenderam como fazer tinta com ingredientes naturais e se divertiram testando os produtos. Foto: William Gomes

    A música tocou do início ao fim com artistas locais que foram prestigiar o evento, com samba, arrocha, coral de trombones e tubas e ainda a participação da Oficina de Percussão Inhotim. O final da tarde foi com a chuva de pó colorido ainda sob a luz do sol das 17h, que ainda aquecia o lugar. O Festival Korocupá terminou com a certeza de que conviver em harmonia e ocupar o espaço público com carinho e criatividade são as melhores formas de se aproveitar a própria cidade. O que ficou deste dia foram roupas coloridas e bancos novos para uma praça que nunca mais será a mesma.

    A Praça de Aranha foi ocupada com atividades que levaram alegria e diversão aos moradores do distrito. Foto: William Gomes

    A Praça de Aranha foi ocupada com atividades que levaram alegria e diversão aos moradores do distrito. Foto: William Gomes

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    22 de setembro de 2015

    Lilia Dantas

    Supervisora de Arte e Educação do Inhotim


    artebrumadinhocomunidadeeducaçãomúsicaprogramação cultural

    Leitura: 4 min

    Da ideia à Praça

    Da ideia à Praça

    Que caminho uma ideia faz até se transformar em realidade? Tentando responder a essa pergunta, apenas consigo afirmar que entre um ponto e outro quase nunca há uma linha reta. Quando um desejo surge e é compartilhado, começa a tomar forma e crescer. Ao final, já superou em muito o desejo que lhe deu origem e lançou novos impulsos para o futuro. O processo, assim, recomeça.

    O Festival de Rua nasceu assim, em uma troca de ideias. Em 2014 teve a sua primeira edição realizada e se chamava Laboratório Mambembe. Convidou artistas de Brumadinho para se apresentarem, abriu espaço para uma tradicional feira de trocas e transformou a praça Antônio Carlos Cambraia, no Canto do Rio, em um espaço por onde crianças brincavam livremente.

    Após a experiência do Festival Laboratório Mambembe, o nosso desejo de estar na rua e de educar para a convivência e a colaboração cresceu ainda mais. Percebemos que precisamos provocar situações para que os jovens participantes dos nossos projetos exercitem seu protagonismo, se percebam responsáveis e decisivos na preparação de algo que é um presente para a comunidade.

    E assim nasceu o Festival Korocupá, palavra inventada que, na sua semântica do absurdo, é feita de duas outras fundamentais para essa festa: Cor + Ocupação.  Desde o início de 2015, os projetos Laboratório Inhotim e Jovens Agentes Ambientais têm se preparado para promover o festival. Para isso, pesquisaram e perceberam o que significa intervir na cidade, lançar luz sobre temas pouco discutidos ou mesmo dar novo uso a espaços subutilizados.

    Esses jovens decidiram que a praça do Aranha, local que receberá o Festival Korocupá, precisava de mais bancos. Foi preciso então visitar a Marcenaria do Inhotim e o mestre Carlão para que aprendessem a construir bancos de madeira. Decidiram também que queriam construir um tradicional forno de barro na praça para que pudessem assar biscoitos durante o festival e esse desejo foi dos mais desafiadores: precisamos descobrir como construir um forno, encontrar alguém que soubesse nos ensinar a fazer (obrigada, Sr. Milton!), encontrar os materiais e, finalmente, construí-lo. O forno já foi feito, e está lá no Aranha, em processo de secagem, esperando o sábado chegar.

    Jovens do Laboratório Inhotim construíram bancos de madeira com as próprias mãos para serem colocados na Praça de Aranha, onde o Festival de Rua Korocupá acontece. Foto: William Gomes.

    Jovens do Laboratório Inhotim construíram bancos de madeira com as próprias mãos para serem colocados na Praça de Aranha, onde o Festival de Rua Korocupá acontece. Foto: William Gomes.

    As ideias que se tornarão realidade no dia 26 são muitas. Todas passaram por diferentes caminhos até se concretizarem, mas todas foram pensadas pelos nossos alunos, para a comunidade do Aranha e quem mais vier passar o dia conosco. Você é nosso convidado!

    Festival de Rua Korocupá
    Onde: Praça de Aranha – Município de Brumadinho
    Quando: sábado 26 de setembro, às 13h.

    Confira a programação clicando aqui. 

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    16 de setembro de 2015

    Redação Inhotim


    arteinhotimmúsicaprogramação culturalvisita

    Leitura: 4 min

    Carminho leva fado ao Inhotim

    Carminho leva fado ao Inhotim

    Aos cinco anos, as rodas de fado já faziam parte da vida de Carminho como algo corriqueiro. Por trás da porta, a pequena menina escutava as guitarras e as vozes da própria mãe, preenchendo a casa em um canto que contava histórias. O talento e a influência musical a fizeram crescer artista e, hoje com 30 anos e três CDS lançados, a cantora portuguesa roda o mundo levando suas raízes fadistas por onde vai. O Inhotim é o próximo destino, neste domingo, dia 20 de setembro. “Eu sempre tento mostrar que o fado não é triste. Ele é profundo porque é verdadeiro, ele fala a língua do coração. É a tradução dos sentimentos”, diz.

    A jovem portuguesa é considerada um grande talento da nova geração, oferecendo ao público um repertório com gêneros musicais variados, como a música popular portuguesa, rock, jazz e MPB. Sempre se aventurando em novas parcerias, como Chico Buarque e Marisa Monte, a cantora acredita que a voz é uma forma genuína de unir diferentes tipos de linguagem. Dessa ideia, surgiu o último CD que Carminho apresenta no parque, “Canto”, uma reunião de muitas dessas aventuras. “Esse canto unifica todas essas influências, mas também é um canto de lugar. O meu lugar ali na esquina. É uma forma de convidar todos esses artistas espalhados pelo mundo para perto de mim, para a minha cultura. Tem muita ‘portugalidade’, não só os originais do fado, mas também da música popular portuguesa”, explica.

    O fado, sempre presente na música de Carminho e considerado por ela sua “língua-mãe”, é um estilo que surgiu há cerca de 200 anos na região portuária de Lisboa, onde prostitutas, marinheiros e pescadores se juntavam para cantar durante a noite. De acordo com a artista, não se tratava tanto de uma expressão artística, mas de um momento no qual essas pessoas se uniam para desabafar as dores vividas em tempos difíceis. “O fado reproduz a história do ser humano que está vivendo em comunidade, que quer compartilhar o estado de alma. O fado conta a vida como ela era, conta das festas populares, do amor que foi deixado no cais, das dores e alegrias de quem se partilha”, diz.

    O novo álbum conta com 14 músicas. Artistas brasileiros como Marisa Monte, Carlinhos Brown, Dani Carvalho e Jaques Morelenbaum fazem participação especial no CD. A cantora gravou duas canções brasileiras inéditas, “O sol, eu e tu”, de Caetano Veloso, Cézar Medes e Tom Veloso, e “Chuva no Mar”, parceria de Arnaldo Antunes e Marisa Monte. No show, Carminho também vai resgatar canções de seus outros trabalhos, “Alma” e “Fado”.

    Compre seu ingresso e se prepare para o show!

    Carminho – Inhotim em Cena
    Onde? Magic Square.
    Quando? 20 de setembro, às 15h.

    *Essa atividade faz parte do Inhotim em Cena, é apresentada pelo Correios, tem patrocínio da Pirelli e Apoio da Wals.

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