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  • 25 de agosto de 2015

    Redação Inhotim


    comunidadeconsumo conscienteeducaçãoinhotimmeio ambiente

    Leitura: 4 min

    Afinal, qual é a cidade do futuro ?

    Afinal, qual é a cidade do futuro ?

    Conhecer de verdade o vizinho, o porteiro ou a associação do bairro onde vivemos é um bom começo para se entender a própria cidade. Já parou para pensar de onde vem a roupa que você veste? Já se perguntou a origem do alimento que você come? De simples questionamentos como estes, surgiu a ideia da consultora em sustentabilidade Denise Chaer em criar o Novos Urbanos, tema do bate-papo promovido pelo Inhotim, na última terça-feira. Com o auditório lotado, a carioca contou sua história de vida e falou sobre o trabalho que realiza para incentivar o sentimento de pertencimento de cada um com o objetivo de promover mudanças na cidade.

    Depois de passar a adolescência vivendo em uma comunidade na Índia, Denise voltou para São Paulo e começou a trabalhar com grandes empresas, dedicando-se a jornadas longas de trabalho e conquistando um bom salário. Ao se ver consumista e sem tempo para simples prazeres, percebeu que não estava feliz com o ritmo acelerado de sua rotina, além de sentir uma necessidade em conhecer e entender a cidade onde morava. “Passei a investigar a minha própria vida e a refletir sobre o que eu realmente precisava. Comecei a repensar as relações com as outras pessoas e com o espaço urbano”, conta.

    O auditório lotado recebeu a consultora em sustentabilidade na palestra da última terça-feira.

    O auditório lotado recebeu a consultora em sustentabilidade na palestra da última terça-feira. Fotos: William Gomes

    Com o tempo, a ideia do Novos Urbanos foi amadurecendo e se concretizando. Junto a profissionais de diversas áreas, o grupo busca  articular ações entre  sociedade, iniciativa privada e poder público a partir do comportamento de consumo, com o objetivo de fortalecer comunidades vulneráveis.  Para Denise, a atuação de coletivos nesses espaços é uma forma de tornar possível mudanças importantes para todos os moradores. “Coletivo é o novo sujeito político”, reflete.

    Denise Chaer considera que a organização em redes é uma tecnologia social que pode transformar o mundo, especialmente, o espaço urbano. “Quando você não se apropria da sua cidade, alguém se apropria dela. A sua ausência também é uma forma de apropriação”. Denise acredita que as cidades do futuro não serão aquelas dominadas por robôs ou por altas tecnologias. “As cidades do futuro serão formadas por uma sociedade consciente, iluminada e terá poder por si mesmo para reconstruir o espaço urbano”, finaliza.

    A conversa faz parte da programação do projeto Pessoas Pelo Clima, que conta com o patrocínio da IBM por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e apoio institucional da Fundação Clóvis Salgado.

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    24 de julho de 2015

    Redação Inhotim


    amizadedia do amigoinhotim

    Leitura: 6 min

    Amigas do Inhotim relembram momentos especiais

    Nada melhor do que amizade. Os amigos dão força e coragem,  são cúmplices e fazem parte daquelas lembranças que fazem sorrir. O alívio de se ter companheiros para todas as horas deixa a vida mais leve e dá a certeza de é possível se aventurar em novos desafios. Essa sensação de amparo é o que os Amigos do Inhotim oferecem ao ajudar a construir a história do Instituto, contribuindo com a sustentabilidade do parque por meio de doações. Todo o valor é investido na manutenção do Inhotim e nos projetos socioeducativos com estudantes, professores e as comunidades do entorno. Em troca, esses visitantes cativos recebem benefícios de acordo com cada categoria, como entrada gratuita, descontos em lojas e serviços e dedução do imposto de renda. O melhor de tudo isso é ter essas pessoas sempre por perto, visitando o Instituto e levando gente querida para conhecer a arte e os jardins.

    Para relembrar as histórias de amizade no Inhotim, duas participantes do programa resgataram na memória momentos marcantes vividos por aqui. São lembranças que dão ainda mais vontade de voltar.

    Suellen Moreira, Amiga do Inhotim desde 2011

    “O Inhotim traz muitas lembranças. Uma de minhas favoritas tem a ver com amigas da vida toda. Em 2012, fui visitar o parque com um grupo de seis amigas. A maioria delas nunca tinha ido ao Instituto. Esse grupo visita um lugar novo a cada ano e, nesse ano, era a minha vez de escolher. Tive a chance de ser guia delas pelos jardins e pelas galerias. Como já trabalhei no parque, conheço tudo muito bem e me orgulho disso. Adoro mostrar tudo que sei sobre o Inhotim quando estou entre pessoas muito queridas. Mas, nessa visita, uma dessas amigas, nossa conselheira de todos os momentos, não teve condições físicas de ir até a instalação da Marilá Dardot. Então, resolvemos fazer uma homenagem usando os elementos da obra. No final, estávamos todas lá, plantando e cultivando amizade!”. 

    A amiga de Suellen foi bem representada durante a visita à obra de Marilá Dardot.

    A amiga de Suellen foi bem representada durante a visita à obra de Marilá Dardot.

    Maria do Carmo Campos, Amiga do Inhotim desde 2013

    “Levo todo mundo que recebo em Minas ao Inhotim. Pra mim, Minas Gerais começa pelo Inhotim e a sensação de poder passar pras pessoas que eu gosto o que eu conheço do parque é uma coisa muito boa, que me deixa feliz. É sempre novidade pra mim também, mesmo tendo ido lá tantas vezes. Em uma das visitas, uma amiga ficou super encantada justo com as louças do restaurante Tamboril. Eu nunca nem tinha reparado nelas. Outra vez, levei uma adolescente de 12 anos que olhou pras árvores pata-de-elefante e disse que era igual ao livro de Nárnia, só que na vida real. Achei aquilo tão bonito, nunca tinha pensado nisso. Mais uma lembrança muito boa que eu tenho entre amigos foi um dia que levei uma amiga paraense ao parque. Estávamos na parte alta, perto do Jardim de Todos os Sentidos, e eu vi uma visitante completamente perdida no meio do caminho. Sugeri que ela fizesse a visita conosco e ela aceitou. A gente andou o parque inteiro conversando muito, descobrindo afinidades. Me lembro da cena dela deitada na grama, literalmente rolando de alegria por estar ali no Inhotim, um lugar tão lindo. No final do dia, ela me abraçou bem forte agradecendo e dizendo que eu tinha sido um anjo no caminho dela. A amizade que nasceu ali dura até hoje. Nos falamos sempre e já combinamos um reencontro no parque, em breve. São coisas que ficam na lembrança”. 

    jardim-desertico

    Passeando pelo Jardim Desértico, Maria do Carmo fez uma nova amiga. Foto: Rossana Magri

    Você também quer fazer parte da história do Inhotim? Conheça o programa ou entre em contato pelo e-mail amigos@inhotim.org.br ou telefone (31) 3571-9740.

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    17 de julho de 2015

    Lidiane Arantes

    Supervisora de Educação Ambiental


    inhotimmeio ambienteproteção às florestasViveiro Inhotim

    Leitura: 3 min

    Dia de Proteção às Florestas

    Dia de Proteção às Florestas

    As florestas ainda ocupam cerca de 61% do território brasileiro, segundo o Ministério do Meio Ambiente. A necessidade de preservação desses biomas não está apenas na conservação da biodiversidade, mas inclui todas as funções sociais, econômicas e ambientais que uma área florestal desempenha. O Dia de Proteção às Florestas, comemorado em 17 de julho, nos convida a refletir sobre a importância da exuberante flora que ainda existe no Brasil.

    Quem visita o Inhotim, tem a chance de conhecer vários tipos de florestas, assim como espécies ameaçadas e em extinção que hoje crescem nos jardins do parque. Esse é um dos papeis do Jardim Botânico: incentivar a preservação dos biomas e das áreas degradadas pela ação humana.

    O trabalho realizado pela equipe do Instituto contribui a conservação das espécies ex situ, ou seja, fora de seu ambiente. Dentro do parque, acontece a replicação de um grande número de plantas, incluindo algumas com risco de extinção em seu habitat natural. A propagação da árvore Terminalia Acuminata, até então considerada extinta, foi uma das conquistas recentes. Após encontrar um único exemplar sobrevivente na Floresta da Tijuca, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro presenteou o Inhotim com algumas sementes da árvore, que foram plantadas e cuidadas. Hoje, três mudas da árvore crescem na estufa equatorial.

    Um lugar especial no parque é o Viveiro Inhotim, onde há o ponto de encontro entre a Mata Atlântica e o Cerrado, dois biomas muito comuns no Brasil. Lá,  é possível sentir na própria pele o microclima dessas florestas e saber sobre o tipo de espécies botânicas que elas abrigam. Isso nos faz pensar quais ações temos praticado para a preservação da nossa flora e em como podemos agir, diariamente, na tentativa de preservar e valorizar essa riqueza natural que nos cerca.

    Baixe o PDF para saber mais curiosidades sobre o Espaço Mata Atlântica Transição Cerrado do Viveiro Inhotim.

    Visite e descubra as sensações que a nossa floresta pode te proporcionar!

    Terminalia Acuminata é uma das árvores raras que crescem fortes na estufa do Inhotim.

    Terminalia Acuminata é uma das árvores raras que crescem fortes na estufa do Inhotim.

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    12 de junho de 2015

    Redação Inhotim


    amorarteinhotim

    Leitura: 3 min

    Linda do Rosário, uma história de amor

    Linda do Rosário, uma história de amor

    A visitante caminhava ao redor da obra. Máquina de retratos em punho. Inquieta, perguntou ao monitor da galeria:

    – Linda do Rosário? Mas por que desse nome?

    – Bem, é o nome de um hotel que desabou no Rio de Janeiro, em 2002 – ele respondeu.

    – E por que uma artista escolheria esse nome para uma obra de arte? – retrucou, desconfiada.

    – Essa artista, Adriana Varejão, gosta muito de trabalhar com azulejos. Você vai ver por aqui no Inhotim outros trabalhos dela que utilizam esse material. Mas ela também gosta de fotografar, especialmente situações inusitadas. Quando o prédio caiu, Adriana estava no Rio preparando uma exposição. Ao saber do acidente, foi até as ruínas e fez algumas fotos. Ela percebeu que, apesar dos escombros, havia paredes de azulejo azul e branco, resistindo a toda a destruição. Essa foi uma das inspirações para ela compor esse trabalho.

    – E no hotel, tinha gente lá?

    -Tinha sim. Dizem que o porteiro escutou os estalos e saiu avisando todo mundo para deixar o prédio imediatamente. Quando ele estava descendo as escadas, quase na porta, lembrou-se de um casal que ocupava um dos quartos. Da portaria, interfonou, mas ninguém atendeu. Ele chegou a retornar e bater na porta, mas não houve resposta.

    – Nossa, e o que aconteceu?

    – Assim que ele deixou o prédio, assistiu tudo desabar, ao lado das outras pessoas que também conseguiram escapar da tragédia. Infelizmente o casal não sobreviveu. Dois dias depois, seus corpos foram encontrados pelos bombeiros, em meio aos escombros, deitados sobre os restos de uma cama. Seus nomes não foram revelados, mas um jornal da época contou que se tratava de um casal de amantes. Há quem diga que eles ouviram o porteiro chamar, mas preferiram ficar ali e morrer juntos, cansados de esconder seu amor… Tem até uma música, daquela banda Los Hermanos, que canta essa história. Chama “conversas de botas batidas”.

    – Poxa, obrigada! Só de olhar eu nunca ia imaginar isso tudo! E que material é esse?

    – É poliuretano, senhora! Só não pode tocar na obra…

    A queda de um hotel em SP foi inspiração para a obra de Adriana Varejão.

    A queda de um hotel em RJ foi inspiração para a obra de Adriana Varejão.

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    03 de junho de 2015

    Rodrigo Moura

    Curador e diretor de Artes e Programas Culturais do Inhotim


    artecosmococainhotimmúsica

    Leitura: 8 min

    Juliana Perdigão, uma cantora de mil faces

    Juliana Perdigão, uma cantora de mil faces

    Em 2011, a jovem cantora Juliana Perdigão, uma amiga nova, me convidou para escrever um texto sobre seu primeiro disco, Álbum desconhecido (você confere o texto abaixo). Desde então começamos um intenso diálogo sobre música, arte e vida, que incluiu a possibilidade de um show em Inhotim, dentro da faixa de programação do Inhotim em Cena dedicado a novos artistas brasileiros. Este show acabou se tornando um espetáculo comissionado, a partir do universo estético e do repertório musical de um dos nossos pavilhões permanentes mais importantes, a Galeria Cosmococa, dedicada à obra de Hélio Oiticica e Neville d’Almeida. O show acontece no teto da galeria, nos dias 6 e 7 de junho, às 15h.

    As obras da galeria foram criadas pelos artistas em Nova York, quando os dois viveram intensamente a cena underground na cidade, e trazem trilhas sonoras pensadas especialmente para  as instalações audiovisuais. Jimi Hendrix, John Cage e Yoko Ono, heróis da contracultura e vanguarda americana, surgem ao lado de Luiz Gonzaga e Yma Sumac, referências brasileira e sul-americana. A partir do trânsito entre registros do samba à vanguarda, Juliana abarca uma perspectiva pós-tropicalista (Macalé e Tom Zé, Zé Celso e os Campos, passando por compositores emergentes, como Negro Léo e Ava Rocha) para compor seu próprio repertório. As apresentações marcam o retorno de Juliana aos palcos mineiros, depois de uma temporada se apresentando em São Paulo, onde além de estrear a banda nova e se preparar para um novo álbum solo, atuou como instrumentista e atriz em três espetáculos do Grupo Oficina. É imperdível.

    O show foi inspirado na arte de Hélio Oiticica e acontece no teto da Cosmococa.

    O show foi inspirado na arte de Hélio Oiticica e acontece no teto da Cosmococa.

    Texto de amigo é problema. O primeiro problema é a demora. Você pede o texto e o sujeito diz, claro, e passam-se dois, quatro, seis meses e você com o disco, o  livro, a exposição na boca do forno e nada do texto. O segundo problema é quantas vezes você se encontra com o amigo no meio do processo e falam, entre desinteressados e desesperados, sobre o assunto: mas sobre o que? vai ser o texto. De que? vai falar?  E será? que fica pronto. E o amigo com cara de paisagem. Inútil paisagem. Então, por isso, sem mais delongas, Juliana Perdigão, aqui vai o texto que te prometi. Lembro da primeira vez que te vi, que deve ter sido apenas a primeira que eu me lembro. Na nossa cidade nos vemos muitas vezes antes de acenarmos uns aos outros com a cabeça. O endereço era uma cobertura que eu ocupava preguiçosamente na Rua Santa Rita Durão e o ensejo, não poderia ser mais oportuno, o Natal. Você me visitou e cantou, como uma gata vadia, na cozinha daquele apartamento enquanto eu fatiava verduras distraído. Daí eu me lembrei de ter te visto cantando, meses antes, com tantos amigos em comum, num palco qualquer. Daí eu vi que você simplesmente canta, verbo intransitivo. Não faz muito caso disso, mas quando canta a gente te escuta, verbo transitivo. Daí me lembrei que você também toca o clarinete e, talvez por isso, cante sem fazer tanto caso ou drama disso, acostumada a emitir sons audíveis da região da face. No final te levei no elevador e te disse que curtia teu jeito de cantar. Você sorriu meio tímida e a porta fechou. E desde esta noite a nossa conversa se projetou não apenas para o futuro mas também para trás. Em infinitas varandas, revelamos lembranças em comum, esfrangalhadas mas existentes, de músicas e noites na nossa cidade. Do Squat à Fundação. Ou seria o contrário? Quem lembra sabe. Daquela noite até o teu disco, descobrimos nos conhecer desde sempre. É desta eternidade, Juliana, que eu queria te falar nesta carta.

    Pra mim, o divórcio que houve entre a música e o cotidiano brasileiro – era pra falar canção popular e classe média, mas passa assim também – é irreversível. Por isso eu só posso acreditar na música no presente. E cantar o passado é, muitas vezes, viver o presente. Por isso em rodas de sambas gastamos os nossos melhores anos. E você, com teu Álbum Desconhecido, de título inspirado e colaborações mais do que elevadas (este texto escusado), tange justamente este problema, “coisa nossa”, ao elencar autores, em sua maioria, desconhecidos e novíssimos. Música feita da matéria presente, do tempo presente. Esta tua eleição está bem porque no tempo de hoje nos projetamos no passado. E só vamos honrar o nosso “passado de glória”, o nosso “samba tradição”, se colocarmos um “objeto não identificado” no meio da sala. A nossa vingança é poder convidar para a festa dos vivos quem a gente quiser. Só não vale viver do passado. Esta fricção entre o passado e o presente se sente no teu trabalho e no de todos nós que desafiamos a tradição como estagnação. Acompanhei algumas prévias ao vivo deste disco, feito de canções singelas, como você me ensinou, e sei que a diversidade de registros que está aqui não é ecletismo, mas parte da sua personalidade artística. Te vendo cantar no palco, vi uma instrumentista afiada, uma bandleader leal, uma diva mal disfarçada, uma bamba cachaceira, uma intérprete de verdade, na hora de escolher, cantar e dirigir o arranjo. Tais e tão complexas são as tuas mil faces. Mas prometi a mim mesmo despir-me das vestes do crítico para escrever esta carta. O terceiro, último e fatal problema de texto de amigo, Ju, é que não há objetividade que resista a nossa conversa, que já passa de anos e que vai durar muitos mais anos. E, agora, para sempre. Dever cumprido.

    Guarulhos, maio de 2011. R.M.

    Juliana Perdigão e Os Kurva
    Quando: 6 e 7 de junho, às 15h.
    Onde: Galeria Cosmococa.

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