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  • 05 de fevereiro de 2018

    Redação Inhotim


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    Leitura: 12 min

    Yayoi Kusama, a artista que cria arte para “a cura da humanidade”

    Yayoi Kusama, a artista que cria arte para “a cura da humanidade”

    Em 1999, a Revista BOMB (edição 66) publicou uma entrevista com  Yayoi Kusama, autora da obra “Narcissus garden : Inhotim” (2009), exposta no topo do Centro Educativo Burle Marx. O trabalho da artista japonesa guarda uma história interessante, já que se trata de uma versão de uma escultura originalmente apresentada em 1966 para uma participação de Yayoi na 33a Bienal de Veneza. Naquela ocasião, ela instalou clandestinamente 1.500 bolas de aço inoxidável que eram vendidas a quem passasse por US$ 2 cada, sobre um gramado em meio aos pavilhões. As esferas continham uma placa onde estava escrito “Seu narcisismo à venda”, revelando de forma irônica sua mensagem crítica ao sistema da arte e seus sistemas de repetição e mercantilização. A intervenção levou à retirada de Kusama da Bienal, onde ela só retornou  representando o Japão oficialmente em 1993. Na versão de Inhotim, 500 esferas de aço inoxidável flutuam sobre um espelho de água, criando formas que se diluem e se condensam de acordo com a força do vento. Resgatamos aqui a entrevista com a artista. Entender melhor sua história de vida abre ainda mais possibilidades de interpretar a obra desta artista que já acumula 70 anos de carreira.

    GT: Você teme que as pessoas talvez estejam interessadas na sua biografia à custa da sua arte?
    YK: Eu não tenho esse medo. Meu trabalho é uma expressão da minha vida, particularmente da minha doença mental.

    GT: Você vive em um hospital psiquiátrico. É verdade que você se internou voluntariamente?
    YK: Eu fui internada em um hospital em Tóquio em 1975 onde eu tenho morado desde então. Eu escolhi viver aqui seguindo o conselho de um psiquiatra. Ele sugeriu que eu pintasse quadros no hospital enquanto seguisse com meu tratamento. Isso aconteceu enquanto eu viajava pela Europa, montando minhas exibições de moda em Roma, Paris, Bélgica e Alemanha.

    GT: Apesar de você ter sido internada, você é uma artista e escritora muito ativa. Onde você trabalha?
    YK: Eu trabalho no meu condomínio/estúdio perto do hospital.

    GT: Você diz que a sua arte é uma expressão do seu transtorno psiquiátrico? De que maneira?
    YK: Minha arte tem origem em alucinações que somente eu consigo ver. Eu traduzo as alucinações e imagens obsessivas que me assombram em esculturas e pinturas. Todos os meus trabalhos em pastel são produtos de uma neurose obsessiva e são, portanto inextricavelmente ligados à minha doença. No entanto, eu crio obras mesmo quando não vejo alucinações.

    GT: Você nasceu em Matsumoto, uma cidade de médio porte na região central do Japão, em 1929. A guerra não afetou grandemente a sua família uma vez que Matsumoto era bastante isolada e sua família era abastada. Isso é verdade?
    YK: A nossa casa escapou à destruição durante a guerra e nossa despensa estava cheia de suprimentos, então nós tínhamos o suficiente para nos alimentar, felizmente. Sim, minha família é bastante rica. Eles são responsáveis pela gestão de imóveis e empresas de armazenamento. Eles também vendem por atacado sementes de plantas cultivadas em suas grandes fazendas. Eles têm gerido esse tipo de negócio por 100 anos.

    GT: Mas mesmo assim a sua infância foi bastante horrenda. Suas descrições da sua mãe são de arrepiar.
    YK: Minha mãe era uma mulher de negócios muito perspicaz, sempre terrivelmente ocupada com o seu trabalho. Eu acredito que ela contribuiu significativamente para o sucesso dos negócios de família. Mas ela era extremamente violenta. Ela odiava me ver pintando, então ela destruía as telas com as quais eu estava trabalhando. Eu tenho pintado quadros desde os dez anos de idade, quando eu comecei a ter alucinações. Eu as produzia em grande quantidade. Mesmo antes de eu começar a pintar, eu era diferente das outras crianças. Minha mãe me batia e me chutava todos os dias, irritada que eu estava sempre pintando.  Ela me forçava a ajudar os empregados, mesmo quando eu tinha que estudar para as provas finais. Eu ficava tão exausta que me sentia muito insegura às vezes. Meu pai, um conquistador, estava constantemente ausente. Ele era uma pessoa de coração gentil, mas tendo se casado com a minha mãe e entrado para a sua família, e, estando sempre sobre o controle financeiro dela, ele não tinha um lugar em casa. Ele deve ter se sentido completamente desmoralizado. Meu irmão mais velho também era contra a minha inclinação para a pintura. Todos os meus irmãos me disseram para eu me tornar uma colecionadora ao invés de pintora.

    GT: Tendo em vista a sua vida em família, não surpreende o fato de você ter tido a vontade de sair de casa ainda jovem. Você foi para Kyoto, onde se matriculou em cursos acadêmicos de arte. Esse foi o seu único treinamento formal como artista?
    YK: Eu fui para Quioto simplesmente para fugir da violência da minha mãe. Eu raramente frequentava as aulas; eu achava a escola muito conservadora e os professores desatualizados em relação à realidade do mundo moderno. Eu pintava quadros no dormitório ao invés de frequentar as aulas. Por a minha mãe ser tão veementemente contra eu me tornar artista, eu me tornei emocionalmente instável e sofri um surto nervoso. Foi por volta dessa época, na minha adolescência, que eu comecei a receber tratamento psiquiátrico. Traduzindo alucinações e medo de alucinações em pinturas, eu tenho tentado curar a minha doença.

    GT: [sobre o período em que Kusama se mudou para Nova York, no final dos anos 50] depois de 18 meses de sua chegada, você teve a sua primeira exposição solo. As paredes da galeria estavam ocupadas por 5 telas enormes cobertas com redes infinitas branco-sobre-branco. Pinceladas pintadas meticulosamente criavam uma trama quase invisível ao olho nu. A exposição foi aclamada por críticos incluindo Dore Ashton e Donald Judd – você foi até mesmo comparada ao Pollock. Esse primeiro sucesso deve ter sido empolgante.
    YK: Eu disse para mim mesma, eu consegui! Eu comecei a me associar a colegas que também estavam desenvolvendo novos tipos de pintura. Eu me tornei amiga de artistas tais como Eva Hesse e Donald Judd.

    GT: É curioso que Judd tenha ficado tão impressionado com o seu trabalho, já que os seus trabalhos antecipavam uma estética minimalista que depois seria liderada por ele. Você se considera minimalista?
    YK: Eu sou uma artista obsessiva. As pessoas podem me classificar de outra forma, mas eu simplesmente as deixo me chamar do que quiserem. Eu me considero uma herege do mundo da arte. Eu penso apenas em mim mesma quando eu faço meu trabalho. Afetada pela obsessão que se instalou em meu corpo, eu criei obras em uma rápida sucessão, meu próprios “ismos”. […] Eu continuarei a criar trabalhos de arte enquanto a minha paixão me mover. Eu sou muito tocada pelo fato de que tenho muitos fãs. Eu venho lutando com a arte como uma terapia para a minha doença, mas eu suponho que não saberei como minha arte é avaliada enquanto estiver viva. Eu crio arte para a cura da humanidade.

    Sete décadas de carreira
    Por mais de setenta anos, Yayoi Kusama desenvolve uma prática, a qual apesar de conter influências do surrealismo, minimalismo, pop art, Eccentric Abstraction [abstração excêntrica], e dos movimentos Zero e Nul, resiste a qualquer classificação singular. Nascida em Matsumoto (Japão) em 1929, ela estudou pintura em Kyoto antes de se mudar para Nova York no final dos anos 1950, e por volta da metade da década de 60 já tinha se tornado conhecida no universo avant-garde por seus provocativos happenings e exibições. Desde então, os extraordinários esforços artísticos de Kusama têm abarcado pintura, desenho colagem, escultura, performance, filme, gravura, instalação e arte
    circunstancial, bem como literatura, moda (notadamente, na sua colaboração com Louis Vuitton em 2012) e design de produto.

    Uma característica contínua do trabalho artístico único de Kusama é a estrutura intrincada de tinta que cobre a superfície dos seus quadros Infinity Net [rede infinita], os espaços negativos entre os loops individuais desses padrões abrangentes que emergem como delicadas bolinhas. Esses motivos tem suas raízes em alucinações com as quais ela sofre desde a infância, e nas quais o mundo aparece para ela coberto de formas que se proliferam. Criando um caminho entre o expressionismo abstrato e minimalismo, Kusama mostrou pela primeira vez suas brancas Infinity Nets [redes infinitas] em Nova York no final dos anos 50 e foi aclamada pela crítica. Ela continua a explorar as possibilidades dessas obras em trabalhos monocromáticos os quais são cobertos com malhas que parecem flutuar e se dissolver na medida em que o observador se move ao seu redor.

    Outro motivo chave é a forma da abóbora, a qual atingiu um status quase mítico na obra de Kusama desde o final dos anos 40. Vinda de uma família que se sustentava cultivando sementes de plantas, Kusama conhecia a abóbora kabocha dos campos que circundavam a casa de sua infância e esse fruto continua a ocupar um lugar especial na iconografia da artista. Ela tem descrito as suas imagens da abóbora como uma forma de autorretrato.

    A partir dessas obras e de suas esculturas acumulativas, nas quais objetos do dia-a-dia se tornam provocativos através de uma cobertura de esculturas flexíveis de formato fálico ou macarrão seco, considerando suas esculturas monumentais e instalações ao ar livre, como o Narcisus Garden, criado em 1966 na ocasião da primeira participação de Kusama da Bienal de Veneza, além das fascinantes ilusões provocadas por seus experimentos recentes com instalações formadas por quartos espelhados, o trabalho de Kusama é amplo, expansivo, e imersivo.

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    15 de dezembro de 2017

    Redação Inhotim


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    Leitura: 2 min

    Seja Amigo do Inhotim e tenha isenção fiscal no valor da adesão

    Seja Amigo do Inhotim e tenha isenção fiscal no valor da adesão

    O programa Amigos do Inhotim reúne pessoas que acreditam na experiência transformadora que o Inhotim promove para seus diversos públicos. A doação dos Amigos proporciona oportunidades para a comunidade do entorno, colabora com estudos botânicos, ajuda a manter projetos educativos e artísticos, além de levar aprendizado para milhares de jovens e crianças.

    Os Amigos do Inhotim têm direito a entrada livre, cortesias para convidados, descontos nas lojas e restaurantes e, ainda, o valor da adesão pode ser integralmente deduzido no Imposto de Renda.

    Apoie o Inhotim. Sua colaboração faz toda a diferença!

    Confira o passo a passo para aderir ao Amigos do Inhotim e deduzir a doação do seu Imposto de Renda
    1- Acesse www.inhotim.org.br/apoie
    2- Confira as categorias e escolha a que mais se adapta ao seu perfil
    3- Preencha o seu cadastro e clique na opção de pagamento “Utilizar Lei de Incentivo”
    4- Você receberá um e-mail com os dados bancários para efetuar o pagamento
    5- Para garantir a restituição, o pagamento deverá ser efetuado até 20/12/2017
    6- Na Declaração Anual de Ajuste, declare sua doação ao Amigos do Inhotim (Lei Nº 11.472, de 2 de maio de 2007)

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    05 de dezembro de 2017

    Redação Inhotim


    botânicabrumadinhocomunidadeeducaçãoinhotimmeio ambiente

    Leitura: 7 min

    Inhotim na vanguarda da conservação ambiental

    Inhotim na vanguarda da conservação ambiental

    Representantes da sociedade civil, setor público, academia e instituições globais se reuniram no Instituto Inhotim entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro para debater os desafios da preservação ambiental. O Seminário Internacional Mudança Climática e Biodiversidade: Ideias e Atitudes que Fazem Diferença apresentou ao público ações inspiradoras que contribuem para o desenvolvimento sustentável. Foi o primeiro evento internacional sobre o tema realizado pela Instituição.

    Um dos palestrantes do seminário, o diretor do Jardim Botânico do Inhotim, Lucas Sigefredo, abordou as ações ambientais do Instituto e conclamou o público a refletir sobre a mudança global do clima e agir localmente. Durante sua fala, Lucas pontuou as principais funções do Inhotim enquanto Jardim Botânico, um lugar que é centro de concentração e disseminação do conhecimento. “Temos uma importância fundamental no cuidado com a biodiversidade e com os recursos naturais, além da reestruturação e reorganização do espaço de forma sustentável. Esse tipo de encontro é uma oportunidade de discutir sobre temas da mais alta relevância e convidar as pessoas para uma atitude individual, coletiva ou institucional para conservar a biodiversidade, disse.

    Botânico consultor do Kew Garden e Eden Project, o britânico Sir Ghillean Prance mostrou a importância das grandes coleções de plantas dos jardins botânicos para auxiliar e promover ações que combatam a mudança climática.“É responsabilidade dos jardins botânicos trabalharem esse tema, senão, não haverá plantas para o futuro”, advertiu Prance, chamando atenção para a combinação entre arte e natureza no Instituto. “O Inhotim é incrível e estou muito feliz por estar aqui, conhecendo este lugar! É interessante como vocês articulam Jardim Botânico e o acervo artístico, conseguindo transmitir uma mensagem de conservação do meio ambiente. Manter um jardim bonito como esse é fruto de um esforço muito grande dos trabalhadores”.

    Moderando o painel “Interface entre ciência, tecnologia e tomada de decisão pública e privada para o combate à mudança climática”, o assessor sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Haroldo Machado Filho, também participou do evento. O especialista explicou que as transformações do clima estão diretamente associadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. “Colocar a questão da mudança do clima mais próxima do cidadão comum e dos impactos no processo de desenvolvimento, em relação à mudança do clima, biodiversidade, edução pobreza, saúde, educação, é garantir que os 17 ODS, que são integrados e indivisíveis, sejam implementados”, afirmou.

    Já Adriano Oliveira, diretor do Departamento de Monitoramento, Apoio e Fomento de Ações em Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, observou que é importante tomar inciativas como o seminário para compartilhar o que está sendo feito pelas diversas instituições. Segundo ele, o ministério tem o desafio de recuperar 12 milhões de hectares por meio de reflorestamento e restauração de vegetação nativa.“O Inhotim é um grande exemplo para as políticas públicas e ações similares que têm que ser realizadas pelo Brasil”, disse Oliveira. 

    O diretor destacou o projeto do Inhotim financiado pelo Fundo Clima, que prevê a criação de uma área protótipo para sequestro de carbono em terrenos degradados pela mineração a partir de plantas nativas: “Temos que tomar iniciativas, a exemplo deste seminário, como uma forma de divulgar projetos”. O Fundoclima é um projeto de extrema importância para o Ministério. Como tem centralidade na recuperação de área degradada por meio de reflorestamento, torna-se um exemplo importante de como o Brasil pode agir, diante dos compromissos assinados no acordo de Paris, por meio da Contribuição Nacionalmente Determinada (CND)”, acrescentou Oliveira.

    O seminário também recebeu a presença da diretora executiva da Forest Stewardship Council (FSC), que falou sobre os problemas e soluções palpáveis para se conseguir combater o uso ilegal das madeiras nas florestas brasileiras. “O selo FSC garante que todo o processo de produção foi feito pensando em preservar a vida das florestas. O cidadão comum pode contribuir adquirindo produtos certificados, investindo na certificações de suas operações, promovendo a certificação FSC e divulgando seu conceito”

    Os três dias de seminário foram proporcionaram momentos de troca de conhecimento, expandindo as possibilidades e alternativas para novas ideias de conservação. Desde sua abertura ao público, em 2006, o Inhotim tem contribuído para a conservação da biodiversidade, sendo reconhecida em 2010 como Jardim Botânico, tornando-se um agente de sensibilização e educação sobre as temáticas de mudança climática, sustentabilidade, proteção e conservação da flora e fauna locais. O Instituto possui, ainda, cerca de 4.500 espécies botânicas e uma Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), com 249 hectares.

    Por meio de suas práticas de combate à mudança do clima, o Inhotim está em consonância com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Os trabalhos ambientais e de pesquisa desenvolvidos no Instituto são frutos de parcerias com instituições de renome internacional, incluindo o PNUD.

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    17 de outubro de 2017

    Redação Inhotim


    artearte contemporâneabrumadinhoexposiçãoinhotim

    Leitura: 7 min

    Volta do “Troca-troca” é celebrada com várias atrações no Inhotim Ocupações Temporárias

    Volta do “Troca-troca” é celebrada com várias atrações no Inhotim Ocupações Temporárias

    Tudo começou quando uma das obras mais coloridas do Inhotim precisou sair de cena para ser restaurada. Em março de 2017, os fusquinhas que integram o trabalho “Troca-troca”, do artista Jarbas Lopes, saíram de onde estavam estacionados, em um gramado da rota laranja do mapa, para passarem por um período de manutenção. No próximo sábado, dia 21 de outubro, eles serão dirigidos de volta para o Inhotim pelo próprio artista, em um momento de reinauguração, no qual outras sete ocupações de diferentes características acontecerão de forma simultânea nos espaços do Instituto.

    O trabalho de restauro foi realizado pela própria equipe do Inhotim, com a supervisão do artista. A tinta foi removida e os carros foram pintados novamente, e a lataria recebeu serviços de lanternagem.

    De acordo com a restauradora do Instituto, Bruna Oliveira, a equipe fez pesquisas sobre técnicas de pintura automotiva e lanternagem. “A arte contemporânea permite que as partes de uma obra se renovem. Em alguns restauros, como imagens sacras, a tinta deve ser mantida. No caso do Troca-troca, toda a tinta antiga foi removida e substituída por uma nova; e a lataria foi toda renovada.”

    Juntamente com Jarbas Lopes, também foi realizada uma pesquisa com as cores a serem aplicadas nos veículos. Segundo o técnico encarregado de acervo artístico, Elton Damasceno (Fubá), o artista analisou amostras das tintas usadas na restauração feita em 2014. “A partir do estudo das cores, Jarbas pediu para que usássemos tinta vermelha com tonalidade menos próxima do laranja. O contato direto com o artista é fundamental para realizar esse tipo de trabalho. Somos a extensão dos braços do artista”, define Fubá.

    Inhotim Ocupações Temporárias irá celebrar esse retorno com uma programação imperdível. Durante todo o tempo de visitação, o público poderá cruzar com diferentes performances, ativações sonoras e experiência gastronômica, além de ver os três fusquinhas, dirigidos por Jarbas, ganharem uma nova parada.

    Confira a programação:

    OCUPAR_JARBAS LOPES
    A volta do Troca-troca // Dia todo // Galeria Praça e caminhos do Inhotim
    O artista Jarbas Lopes volta para Inhotim para dar uma volta com os três fuscas que compõem a obra Troca- troca (2002). Depois de um processo de restauro, este trabalho de arte é ativado pelos caminhos do Inhotim através do som, do movimento e da troca.

    OCUPAR_MICRÓPOLIS
    9h30 e 11h30 // Recepção e entrada Restaurante Oiticica
    O coletivo Micrópolis nasce da pesquisa sobre arquitetura e o cotidiano da cidade. A partir de uma coleta de imagens pelos caminhos do Inhotim e nas mídias sociais, o grupo propõe uma intervenção no mapa do Inhotim distribuído ao público. A ação, intitulada Museu: modos de usar, mostra, de forma imparcial, outras formas de ocupação do espaço do Inhotim.

    OCUPAR_JOSEANE JORGE
    10h às 15h // Lanchonete e ao redores da obra Palm Pavillion
    Artista, ativista, arquiteta, educadora e cozinheira, Joseane Jorge ocupa a lanchonete do Palm Pavilion com a experiência Forrageio, que tem a colaboração de Benedikt Wiertz. A proposta oferece uma degustação com ingredientes derivados de palmeiras, espécie tão presente na coleção Inhotim e no trabalho Palm Pavilion (2006-2008), do artista Rirkrit Tiravanija.

    OCUPAR_Lira
    11h // Galeria Praça
    O multiartista Lira transita na fronteira entre poesia e performance, música e som, gesto analógico e impulso eletrônico. A ocupação de uma das galerias do Inhotim parte do desejo de experimentar o espaço, o contato com o público e as possibilidades do estranhamento orquestradas pelo artista.

    OCUPAR_PORO
    Dia todo // Pelos caminhos do Inhotim
    Além do deslocamento de um ponto para outro, para que servem os caminhos do Inhotim? Para perder tempo? Para ver através? As propostas do coletivo artístico Poro operam na dimensão da invisibilidade, do gesto nonsense que ocupa cantos da cidade, do percurso, do imaginário. No Inhotim, esse gesto coloca a palavra em meio à natureza, modificando os caminhos e olhares entre um ponto e o próximo…

    OCUPAR_SEGUNDA-PRETA
    A partir das 14h // Tamboril, antigo Deck, Galeria Marcenaria
    O público participa de um trajeto cênico a partir da curadoria do segunda PRETA, projeto que promove ações criadas, produzidas, dirigidas e encenadas por artistas negras e negros. A ação convida à reflexão sobre racismo e representatividade na cultura brasileira.
    14h – Não pode tocar, pode tocar – Lucas Costa
    14h30 – Dar a luz – Anair Patrícia
    14h50 – Refém Solar – Elisa Nunes

    OCUPAR_SHIBA
    15h // Gramado em frente à Galeria Mata
    A convite do artista Jarbas Lopes, a banda Shiba ocupa um dos gramados do Inhotim. Em uma apresentação marcada pelo improviso, a ideia é relaxar, tomar um sol e estar presente para participar da conversa sonora que o grupo propõe.

    OCUPAR_ REVISTA CELTON
    Dia todo // Pelos caminhos do Inhotim
    Quem circula pelas ruas de Belo Horizonte provavelmente já teve contato com a Revista Celton – produção independente de Lacarmélio Alfêo de Araújo, vendida nos cruzamentos da cidade há mais de 30 anos. O convite a Lacarmélio foi o de mergulhar no acervo textual e imagético da obra Troca-troca (2002), construído ao longo de anos e de diversas viagens, e criar uma edição especial da revista.

    Compre seu ingresso e evite filas! 

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    30 de maio de 2017

    Redação Inhotim


    artebotânicabrumadinhocomunidadeeducaçãoinhotimjovens agentes ambientais

    Leitura: 5 min

    Inhotim é espaço de pesquisa e debate para Jovens Agentes Ambientais

    Inhotim é espaço de pesquisa e debate para Jovens Agentes Ambientais

    “O que mais me encanta aqui é a diversidade. Durante nossos encontros, sempre percebo o quanto é importante sermos 25 jovens com tantas diferenças, desde a forma como fomos criados até o lugar onde moramos e a orientação sexual. Isso faz com que nossos debates sejam completos, faz com que a gente construa uma consciência que passa por realidades diversas.”

    Quando questionada sobre o que mais gosta nos encontros dos Jovens Agentes Ambientais (JAA), Kelen logo responde: as diferenças. Integrante do projeto desde o começo do ano, a estudante de 15 anos já participou de um grupo de coral e da Escola de Cordas do Instituto. Assim que foi avisada na escola sobre as inscrições para o JAA, se inscreveu sem pensar duas vezes. “Aqui é minha segunda casa”, conta.
    20170517_JAA_ William Gomes-1011

    O programa, que conta atualmente com o patrocínio da IBM e da Aliança Energia, é desenvolvido pelo Instituto Inhotim desde 2008 e tem como objetivo a formação de jovens matriculados na rede pública de ensino do município de Brumadinho para a inclusão socioambiental. Durante todo o ano, são pensadas atividades que estimulam discussões sobre sustentabilidade, consumo consciente e qualidade de vida na contemporaneidade, e que despertam um olhar crítico para a busca de mobilização social em prol do meio ambiente. As temáticas são sempre abordadas de forma a serem aplicadas na própria comunidade onde os integrantes moram.

    A cada ano, 25 jovens entre 14 e 17 anos são selecionados para compor a turma e receber uma formação intensiva na área de meio ambiente e responsabilidade social. O processo de seleção não é pautado por análise de desempenho escolar ou conhecimento prévio. Durante as dinâmicas de seleção, busca-se identificar jovens que demonstrem sua inquietude diante dos desafios contemporâneos como questões de gênero e sexualidade, representatividade política no Brasil e democracia, ou sobre o papel do jovem na sociedade. Os encontros entre jovens e educadores acontecem duas vezes por semana durante todo o ano letivo, nas dependências do Instituto Inhotim.

    Ana Clara Silva tem 16 anos e foi uma das selecionadas para compor o grupo deste ano. Para ela, a chance de entender os ciclos do ambiente é o que mais a instigou a participar do projeto. “Uma relação ambiental difere muito do que as pessoas pensam que é óbvio. Por exemplo, uma pessoa tem a noção que o meio ambiente é só a floresta. Mas o lugar em que você vive já é um ambiente, o seu ciclo, o que você faz, é o seu ambiente. Aqui aprendemos isso e aprendemos as formas de melhorar esses lugares”, explica. 20170517_JAA_ William Gomes-1017

    Através de discussões temáticas, pesquisas no Jardim Botânico Inhotim e ações de diagnóstico e intervenção realizadas em diferentes comunidades, o programa desperta o envolvimento e desenvolve as habilidades necessárias para que esses jovens trabalhem individual e coletivamente, tendo o Inhotim como ponto de partida para pesquisas, reflexões e experimentações. A metodologia do programa se baseia, ainda, na relação com o município de Brumadinho, principal espaço de atuação e objeto de investigação no contexto do projeto.

    Neste ano, é a vez dos 25 jovens mergulharem em temas como agricultura familiar, alimentação e consumo consciente. No final do ano, é a vez de mostrarem os resultados dos dias de pesquisa, debate e imersão durante o Festival de Rua que realizam junto aos jovens do Laboratório Inhotim. Desta vez, realizado em uma comunidade rural de Brumadinho.

    O Projeto Jovens Agentes Ambientais de 2017 teve o patrocínio da IBM e da Aliança Geração de energia por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

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