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  • 05 de dezembro de 2017

    Redação Inhotim


    botânicabrumadinhocomunidadeeducaçãoinhotimmeio ambiente

    Leitura: 7 min

    Inhotim na vanguarda da conservação ambiental

    Inhotim na vanguarda da conservação ambiental

    Representantes da sociedade civil, setor público, academia e instituições globais se reuniram no Instituto Inhotim entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro para debater os desafios da preservação ambiental. O Seminário Internacional Mudança Climática e Biodiversidade: Ideias e Atitudes que Fazem Diferença apresentou ao público ações inspiradoras que contribuem para o desenvolvimento sustentável. Foi o primeiro evento internacional sobre o tema realizado pela Instituição.

    Um dos palestrantes do seminário, o diretor do Jardim Botânico do Inhotim, Lucas Sigefredo, abordou as ações ambientais do Instituto e conclamou o público a refletir sobre a mudança global do clima e agir localmente. Durante sua fala, Lucas pontuou as principais funções do Inhotim enquanto Jardim Botânico, um lugar que é centro de concentração e disseminação do conhecimento. “Temos uma importância fundamental no cuidado com a biodiversidade e com os recursos naturais, além da reestruturação e reorganização do espaço de forma sustentável. Esse tipo de encontro é uma oportunidade de discutir sobre temas da mais alta relevância e convidar as pessoas para uma atitude individual, coletiva ou institucional para conservar a biodiversidade, disse.

    Botânico consultor do Kew Garden e Eden Project, o britânico Sir Ghillean Prance mostrou a importância das grandes coleções de plantas dos jardins botânicos para auxiliar e promover ações que combatam a mudança climática.“É responsabilidade dos jardins botânicos trabalharem esse tema, senão, não haverá plantas para o futuro”, advertiu Prance, chamando atenção para a combinação entre arte e natureza no Instituto. “O Inhotim é incrível e estou muito feliz por estar aqui, conhecendo este lugar! É interessante como vocês articulam Jardim Botânico e o acervo artístico, conseguindo transmitir uma mensagem de conservação do meio ambiente. Manter um jardim bonito como esse é fruto de um esforço muito grande dos trabalhadores”.

    Moderando o painel “Interface entre ciência, tecnologia e tomada de decisão pública e privada para o combate à mudança climática”, o assessor sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Haroldo Machado Filho, também participou do evento. O especialista explicou que as transformações do clima estão diretamente associadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. “Colocar a questão da mudança do clima mais próxima do cidadão comum e dos impactos no processo de desenvolvimento, em relação à mudança do clima, biodiversidade, edução pobreza, saúde, educação, é garantir que os 17 ODS, que são integrados e indivisíveis, sejam implementados”, afirmou.

    Já Adriano Oliveira, diretor do Departamento de Monitoramento, Apoio e Fomento de Ações em Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, observou que é importante tomar inciativas como o seminário para compartilhar o que está sendo feito pelas diversas instituições. Segundo ele, o ministério tem o desafio de recuperar 12 milhões de hectares por meio de reflorestamento e restauração de vegetação nativa.“O Inhotim é um grande exemplo para as políticas públicas e ações similares que têm que ser realizadas pelo Brasil”, disse Oliveira. 

    O diretor destacou o projeto do Inhotim financiado pelo Fundo Clima, que prevê a criação de uma área protótipo para sequestro de carbono em terrenos degradados pela mineração a partir de plantas nativas: “Temos que tomar iniciativas, a exemplo deste seminário, como uma forma de divulgar projetos”. O Fundoclima é um projeto de extrema importância para o Ministério. Como tem centralidade na recuperação de área degradada por meio de reflorestamento, torna-se um exemplo importante de como o Brasil pode agir, diante dos compromissos assinados no acordo de Paris, por meio da Contribuição Nacionalmente Determinada (CND)”, acrescentou Oliveira.

    O seminário também recebeu a presença da diretora executiva da Forest Stewardship Council (FSC), que falou sobre os problemas e soluções palpáveis para se conseguir combater o uso ilegal das madeiras nas florestas brasileiras. “O selo FSC garante que todo o processo de produção foi feito pensando em preservar a vida das florestas. O cidadão comum pode contribuir adquirindo produtos certificados, investindo na certificações de suas operações, promovendo a certificação FSC e divulgando seu conceito”

    Os três dias de seminário foram proporcionaram momentos de troca de conhecimento, expandindo as possibilidades e alternativas para novas ideias de conservação. Desde sua abertura ao público, em 2006, o Inhotim tem contribuído para a conservação da biodiversidade, sendo reconhecida em 2010 como Jardim Botânico, tornando-se um agente de sensibilização e educação sobre as temáticas de mudança climática, sustentabilidade, proteção e conservação da flora e fauna locais. O Instituto possui, ainda, cerca de 4.500 espécies botânicas e uma Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), com 249 hectares.

    Por meio de suas práticas de combate à mudança do clima, o Inhotim está em consonância com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Os trabalhos ambientais e de pesquisa desenvolvidos no Instituto são frutos de parcerias com instituições de renome internacional, incluindo o PNUD.

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    03 de outubro de 2017

    Lilia Dantas

    Supervisora de Arte e Educação do Inhotim


    artebrumadinhocomunidade

    Leitura: 4 min

    Um festival no campo

    Um festival no campo

    Muitos não sabem, mas existe em Brumadinho um assentamento de reforma agrária que é referência para outros da região. O Assentamento Pastorinhas, onde vivem e trabalham 20 famílias, além de fornecer alimentos de qualidade para escolas e outras instituições da região, tem sido um importante colaborador de algumas ações de educação do Inhotim. Por diversas vezes suas lideranças participaram de palestras e conversas sobre agricultura familiar, agroecologia e alimentação promovidas pelo Inhotim, além de nos receberem em visitas por lá.

    Em 2017, entretanto, essa relação ganhou novos contornos. Pela primeira vez, jovens assentadas fazem parte das turmas dos projetos Laboratório Inhotim e Jovens Agentes Ambientais. A presença delas intensificou e deu forma a um desejo antigo: levar o Festival de Rua que realizamos anualmente desde 2014 para o campo e construí-lo com e para uma comunidade específica.

    A história de luta do lugar e de seus moradores, bem como sua expertise e carinho com a terra, inspirou o desenvolvimento de ambos os projetos ao longo do ano. No Laboratório, investigamos a baixa tecnologia como estratégia para a solução de problemas. Pelo caminho, nos deparamos com a medicina natural alternativa e experimentamos chás e xaropes feitos com ervas medicinais para a cura dos males do corpo e da alma. Com os Jovens Agentes Ambientais, conhecemos a dimensão do impacto causado no planeta pelo consumo e descarte indiscriminado de bens, elaboramos e divulgamos uma campanha pela diminuição do uso de plástico e compreendemos a complexidade da situação fundiária do país.

    Como resultado dessas trajetórias nasceu o Festival Terrará, cujo nome brinca com a palavra terra transformando-a em verbo conjugado no futuro. O evento acontecerá na área comum do assentamento, um espaço que abriga uma capela ecumênica e um pequeno galpão aberto a toda a comunidade. Na programação, uma mistura de propostas vindas dos nossos jovens e dos agricultores assentados. O plantio de ervas medicinais, por exemplo, nasceu como um desejo dos moradores e se transformou em uma oficina durante a qual o visitante poderá aprender sobre o tema com meninos e meninas de 13 a 15 anos que, por meses, se dedicaram a pesquisas, testes e experimentações para realizá-la.

    Dessa forma, as ações de educação do Inhotim reafirmam sua vocação para criar interseções e leituras transversais entre arte, meio ambiente e o território local. Agradecemos ao Assentamento Pastorinhas pela parceria e inspiração e convidamos a todos para participar do Festival Terrará.

    Confira a programação completa e participe!

    Programação gratuita
    . Trilha ecológica
    . Oficina de plantio de ervas medicinais
    . Oficina de produtos naturais
    . Queima de cerâmica
    . Feira de orgânicos

    Palco aberto
    . 15h30 Show com Sanráh

    O Assentamento Pastorinhas está localizado entre os distritos de Monte Cristo e Tejuco, Brumadinho – MG.

    Transporte
    Ônibus gratuito com saída da rodoviária de Brumadinho às 9:30h, sujeito à lotação. Retorno às 17h.

    Informações: (31) 3571–9741

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    30 de maio de 2017

    Redação Inhotim


    artebotânicabrumadinhocomunidadeeducaçãoinhotimjovens agentes ambientais

    Leitura: 5 min

    Inhotim é espaço de pesquisa e debate para Jovens Agentes Ambientais

    Inhotim é espaço de pesquisa e debate para Jovens Agentes Ambientais

    “O que mais me encanta aqui é a diversidade. Durante nossos encontros, sempre percebo o quanto é importante sermos 25 jovens com tantas diferenças, desde a forma como fomos criados até o lugar onde moramos e a orientação sexual. Isso faz com que nossos debates sejam completos, faz com que a gente construa uma consciência que passa por realidades diversas.”

    Quando questionada sobre o que mais gosta nos encontros dos Jovens Agentes Ambientais (JAA), Kelen logo responde: as diferenças. Integrante do projeto desde o começo do ano, a estudante de 15 anos já participou de um grupo de coral e da Escola de Cordas do Instituto. Assim que foi avisada na escola sobre as inscrições para o JAA, se inscreveu sem pensar duas vezes. “Aqui é minha segunda casa”, conta.
    20170517_JAA_ William Gomes-1011

    O programa, que conta atualmente com o patrocínio da IBM e da Aliança Energia, é desenvolvido pelo Instituto Inhotim desde 2008 e tem como objetivo a formação de jovens matriculados na rede pública de ensino do município de Brumadinho para a inclusão socioambiental. Durante todo o ano, são pensadas atividades que estimulam discussões sobre sustentabilidade, consumo consciente e qualidade de vida na contemporaneidade, e que despertam um olhar crítico para a busca de mobilização social em prol do meio ambiente. As temáticas são sempre abordadas de forma a serem aplicadas na própria comunidade onde os integrantes moram.

    A cada ano, 25 jovens entre 14 e 17 anos são selecionados para compor a turma e receber uma formação intensiva na área de meio ambiente e responsabilidade social. O processo de seleção não é pautado por análise de desempenho escolar ou conhecimento prévio. Durante as dinâmicas de seleção, busca-se identificar jovens que demonstrem sua inquietude diante dos desafios contemporâneos como questões de gênero e sexualidade, representatividade política no Brasil e democracia, ou sobre o papel do jovem na sociedade. Os encontros entre jovens e educadores acontecem duas vezes por semana durante todo o ano letivo, nas dependências do Instituto Inhotim.

    Ana Clara Silva tem 16 anos e foi uma das selecionadas para compor o grupo deste ano. Para ela, a chance de entender os ciclos do ambiente é o que mais a instigou a participar do projeto. “Uma relação ambiental difere muito do que as pessoas pensam que é óbvio. Por exemplo, uma pessoa tem a noção que o meio ambiente é só a floresta. Mas o lugar em que você vive já é um ambiente, o seu ciclo, o que você faz, é o seu ambiente. Aqui aprendemos isso e aprendemos as formas de melhorar esses lugares”, explica. 20170517_JAA_ William Gomes-1017

    Através de discussões temáticas, pesquisas no Jardim Botânico Inhotim e ações de diagnóstico e intervenção realizadas em diferentes comunidades, o programa desperta o envolvimento e desenvolve as habilidades necessárias para que esses jovens trabalhem individual e coletivamente, tendo o Inhotim como ponto de partida para pesquisas, reflexões e experimentações. A metodologia do programa se baseia, ainda, na relação com o município de Brumadinho, principal espaço de atuação e objeto de investigação no contexto do projeto.

    Neste ano, é a vez dos 25 jovens mergulharem em temas como agricultura familiar, alimentação e consumo consciente. No final do ano, é a vez de mostrarem os resultados dos dias de pesquisa, debate e imersão durante o Festival de Rua que realizam junto aos jovens do Laboratório Inhotim. Desta vez, realizado em uma comunidade rural de Brumadinho.

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    02 de maio de 2017

    Redação Inhotim


    artecomunidadeeducaçãoprogramação cultural

    Leitura: 3 min

    Inhotim é destaque em evento na Embaixada Brasileira em Washington 

    Inhotim é destaque em evento na Embaixada Brasileira em Washington 

    No dia 6 de maio, moradores e turistas que estiverem em Washington D.C. (EUA) poderão conhecer um pouco mais sobre o Inhotim. A convite da Embaixada do Brasil em Washington e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Instituto participa da 10ª edição do Passport DC.

    O Passaport DC acontece durante todo o mês de maio e realiza diversas atividades que incentivam moradores e visitantes a explorarem a cidade, conhecendo um pouco mais as diversas culturas que integram a capital americana. O evento conta com festivais de rua, performances, exposições, oficinas e abre as portas das embaixadas para que o público possa conhecer os prédios históricos onde estão localizadas. No total, são 70 embaixadas participantes, além de mais de 40 instituições culturais da capital americana.

    No dia 6 de maio, acontece o Around the World Embassy Tour, dia anual de visitação às embaixadas com sede na capital dos Estados Unidos. Das 10h às 16h, são esperados mais de 6 mil visitantes, que terão a oportunidade de visitar a Residência Oficial do Embaixador Brasileiro em Washington e conhecer mais sobre o Inhotim, um destino cultural de interesse mundial.

    A ampliação da presença internacional do Instituto é um dos desdobramentos do projeto “Inhotim: Mudança Global”, realizado em parceria com o BID desde 2015, e que visa incentivar ações de mobilização relacionadas às mudanças climáticas, além do fortalecimento institucional do Inhotim.

    Exposição na sede do BID em julho
    Durante o Passport DC, também será comunicada para o público de Washington a próxima iniciativa do Inhotim na cidade, a exposição “Inhotim: At the Crossroads of Glocal Change”, com abertura agendada para 18 de julho. A mostra ocupa por dois meses a galeria localizada na sede do BID em Washington, e vai apresentar obras de arte da coleção Inhotim e experiências visuais e sonoras que remetem aos jardins e paisagens do Instituto, compondo uma narrativa que busca revelar um pouco do que é o Inhotim para o público internacional.

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    04 de julho de 2016

    Bernardo Paz

    Idealizador e presidente do Conselho e Administração do Instituto Inhotim


    artecomunidadeeducaçãoinhotimvisita

    Leitura: 7 min

    Ponte para a beleza #Ensaio1nfinit0

    Ponte para a beleza #Ensaio1nfinit0

    Parto do princípio que os grandes temas da humanidade já foram escritos, traduzidos e adaptados para a linguagem popular e todos esses registros estão embutidos no raciocínio coletivo. Dessa forma, creio que as pessoas atuam dentro da razoabilidade dos pensamentos dos letrados, dos intelectuais, dos empresários, das classes menos favorecidas economicamente. Posso ser criticado pela intelectualidade, mas leio muito pouco. Exercito meu raciocínio na maior parte do tempo e, por isso, passei a ter um conhecimento generalizado, o que me permitiu ultrapassar obstáculos ao entender a formação cultural dos povos e dos vários estratos da sociedade.

    Desde a minha infância observei a beleza da arte de Guignard e da minha mãe e das pessoas que me cercavam à época. Busquei a beleza traduzida no ambiente em que vivia, no horizonte. E esse sentido de beleza foi se refinando à medida em que estabeleci contato com pessoas especializadas de muitas áreas de conhecimento. Na verdade, acredito, as pessoas deveriam nascer aos 40 anos para não cometer os erros da juventude. Nessa idade você já absorveu a cultura necessária à busca de seus objetivos. Foi por volta dos 40 anos de idade que comecei a fazer o Inhotim.

    Inhotim nasceu de uma semente apropriada por mim, pela convivência com Roberto Burle Marx e com os grandes parques do mundo, pela minha curiosidade com o que podia se tornar uma surpresa. Tudo tinha de ser alinhado ao belo. E o belo pode e deve ser desenvolvido sempre na observação da contemporaneidade.

    A concretização inicial foi muito difícil, pois pessoas com raciocínio genérico têm dificuldade em se fazer entender por serem exigentes e buscarem sempre processos longitudinais e com profundidade. Uma consequência é que os que acompanham essa concretização acabam realizando o trabalho sem ter ideia do que se está construindo. A minha infelicidade é que os sujeitos que realizam esse processo intuitivo não são os mesmos que aproveitarão do sucesso ou fracasso do objeto feito. Muitas ficam pelo caminho, por não observarem que a grandeza não partiu delas e, às vezes, por não conseguirem valorar algo que se tornou grande.

    Construir Inhotim significa entrega. Normalmente as pessoas trabalham com planejamento, caixa e recursos. Algumas planejam sem recursos e sem caixa. Poucas pessoas, muito poucas, conseguem – pelo fato de terem se habituado a lidar com a intuição e com fragmentos do conhecimento da sociedade – penetrar nos meandros do labirinto que é a vida, já sabendo que do outro lado desse labirinto se pode constituir uma ponte para a beleza. Essa ponte é tão importante, tão forte, que ultrapassa os limites do financeiro e do pragmático e entra no limite do sonho e da realização.

    E, então, se coloca o desafio de lidar com o tempo. É preciso observar que há de se considerar dois tipos de tempo. O primeiro é um período muito curto, o tempo da existência do ser humano. O outro é o tempo da execução e da realização. Pelo fato de o período da vida ser curto é preciso ser muito rápido. Se você tem a rapidez necessária, muito provavelmente durante a sua vida poderá realizar boa parte de seus sonhos. E, muitas vezes, eles podem significar uma seta para o futuro.

    Mas há uma outra questão relacionado ao tempo hoje. A sociedade gera um volume de tecnologia e de informações que ainda não está preparada para mobilizar. As pessoas que produzem as tecnologias perdem rapidamente o controle sobre o que fizeram e os produtos passam a ser aperfeiçoados por segmentos diversos da sociedade em uma velocidade absurda. E assim o mundo se tornou um mundo instantâneo. Essa instantaneidade, julgo, não está sendo bem observada. Ela tem de deixar de ser “instantânea” para ser a formação do próprio pensamento. Em meio a esse processo, aparecem os artistas que passam a se debruçar sobre a crítica, sobre a política e sobre as carências da sociedade. Isso está intrínseco na arte contemporânea, afinal, o artista tem a sensibilidade de antecipar aquilo que ainda não é visto. Basta lembrar que o formato mais violento, mais radical da arte contemporânea foi protagonizado por Marcel Duchamp, quando tornou o urinol em um objeto de arte. Muitos questionam “Por que o urinol?” Porque ele desnuda todos os conceitos de beleza, de riqueza e de tradição.

    O Inhotim também é uma observação clara de um idealismo nacionalista que digeri pelos hinos que propagavam as grandes conquistas que meu pai cantava para eu dormir na minha infância e que me tornaram uma pessoa extremamente infeliz. Entre o que meu pai cantava e o que eu acreditava que poderia fazer na vida, a distância se mostrava muito grande. Desde a infância, passando pela minha juventude, eu tenho tentado buscar esse ideal. Mas ainda não alcancei.

    Inhotim é uma semente, é o princípio de um começo e o fim está longe. Gostaria que todos tivessem acesso a muita tecnologia, mas rodeados dos princípios básicos do Inhotim: sustentabilidade, segurança, beleza e cultura. E que, a partir dessa obra criada pelo viés da generalidade, as pessoas absorvessem tudo o que foi pensado para construir o Inhotim e possam partir dali para adiante.

    Afinal, como construí Inhotim? Com paixão e achando que com doze jardineiros e eu plantando junto iríamos fazer este lugar. O que significam agora os dez anos de Inhotim? Nada. É um tempo que já se passou. O Inhotim continuará sempre ainda por vir.

    *Esse é o primeiro relato do #Ensaio1nfinit0, uma das ações que comemora os 10 anos do Instituto #1nfinit0 #inhotim1nfinit0 #Inhotim10anos

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