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Retrospectiva Laboratório Inhotim 2015

Retrospectiva Laboratório Inhotim 2015

O Laboratório Inhotim, realizado pelo instituto desde 2007, atende anualmente 30 jovens moradores de Brumadinho e seus distritos rurais, matriculados na rede pública de ensino local. O projeto busca a formação continuada desses jovens para o desenvolvimento de um olhar crítico com relação à sociedade, criativo diante dos desafios e tolerante diante da diversidade.

A cada ano o Laboratório faz um recorte no universo da arte contemporânea para conhecê-lo melhor. Recortar, para nós, é desenhar um ponto de partida. Neste ano, o recorte escolhido foi o corpo como forma de expressão, e a rua, o corpo coletivo, como espaço de atuação. Tudo isso investigando o museu como referência principal. Ao final dessas experiências, encerramos nossa jornada refletindo sobre o futuro e suas impermanências.

No início do ano, dançamos. Conduzidos pela coreógrafa mexicana Alma Quintana, nossos jovens de 13 a 16 anos aceitaram o convite para conhecer melhor as possibilidades de expressão contidas nos seus próprios corpos. A vergonha e a insegurança deram lugar a movimentos novos e surpreendentes para cada um deles. Para além de dançar, todos estavam começando a entender a que tipo de experiências o Laboratório os levaria.

Em seguida, iniciamos nossa pesquisa sobre a rua, conceito que se tornou cada vez mais importante no decorrer dos meses. Em Brumadinho, descobrimos lugares abandonados e esculpidos pelo tempo, conhecemos um enorme forno feito de barro que fica no quintal da casa do Geovani, participante do projeto, e provamos os maravilhosos biscoitos de polvilho feitos pela sua avó. Vimos beleza nos muros das casas que, na sua maioria, fazem um pequeno recuo para abrigar, do lado de fora, os padrões de energia elétrica. “Sair do padrão”, então, passou a significar intervir nesses espaços e entender o que mais eles poderiam abrigar. Aprendemos que intervir no espaço público requer responsabilidade. Foi preciso negociar com os vizinhos e envolver os passantes na história que queríamos contar.

Nossa relação com a rua foi intensificada quando decidimos realizar, pelo segundo ano consecutivo, o Festival de Rua. Dessa vez, ele aconteceu no distrito de Aranha e foi chamado de Festival Korocupá, palavra nova que a gente inventou para misturar Cor+Ocupação. Visitamos a praça local, observamos seus detalhes, medimos suas dimensões, e a partir dessa coleta preparamos tudo para que aquela praça fosse tomada pelos nossos jovens, pelos moradores da região e por visitantes de outras partes do município. Artistas locais se apresentaram, oficinas foram realizadas para crianças e adultos e, no final do dia, uma grande explosão de cores no estilo Happy Holi cobriu toda a praça!

Depois de tanto trabalho, era hora de voltar a olhar e refletir sobre nós mesmos. Para isso, mergulhamos mais fundo no acervo de arte contemporânea do Inhotim em busca de referências e inspiração para que cada participante pudesse desenvolver a sua própria ideia para um trabalho de arte. Esse foi, talvez, o processo mais difícil para todo o grupo. Nem sempre é fácil mergulhar em nossas próprias inquietações para gerar algo a ser visto, exposto. O tema dos trabalhos foi, por escolha do grupo, o futuro. Nossa exposição, por fim, se chamou “Tomara: Proposições Para Um Futuro Qualquer” e trouxe pinturas, desenhos, vídeos, fotografias e instalações feitas pelos jovens.

E, por falar em futuro, em 2016 o Laboratório Inhotim atenderá sua décima turma e ampliará seu universo de investigações. A partir de agora, além de pesquisar a arte contemporânea e suas manifestações, passaremos também a explorar questões importantes acerca do meio ambiente, usando para isso o acervo botânico do Inhotim. Para nós educadores, isso significa uma oportunidade de expandir e complexificar nosso olhar sobre o Inhotim e de experimentar novas maneiras para transpor todo esse estímulo para nossos processos educativos.

Acompanhe ao longo do ano outras postagens que revelarão a memória do projeto educativo mais antigo do Instituto. Comemoraremos juntos dez anos de projeto, cerca de 300 jovens atendidos e muitas boas histórias pra contar.



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