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  • 22 de setembro de 2016

    Redação Inhotim


    Leitura: 4 min

    Bordando a cultura quilombola e os acervos do Inhotim

    Bordando a cultura quilombola e os acervos do Inhotim

    Desde 2013, a Oficina de Bordados realizada em parceria com o SESC nas comunidades quilombola de Sapé e Marinhos, localizadas em Brumadinho, incentivam moradores e moradoras a retratar por meio da costura elementos de suas identidades culturais e históricas, além dos acervos do Inhotim. Atualmente, 25 moradores participam das oficinas, realizadas mensalmente. Neste sábado, dia 24 de outubro, é a vez das participantes e dos participantes do projeto ministrarem uma oficina de bordado no Inhotim, atividade que integra a programação da 10a Primavera dos Museus.

    Durante os encontros realizados em Marinhos e Sapé, os moradores e moradoras tiveram a chance de conhecer as técnicas dos bordados e os tipos de material que poderiam utilizar. Dessa forma, aprenderam sobre bordados sobre riscos, bordados sobre fios contáveis, além da identificação por parte do grupo de como melhor empregar o tipo de desenho, de acordo com a linha, com o tecido e com o ponto a ser trabalhado. São sempre dias muito agradáveis, em que crianças, adultos e idosos se reúnem para conversar, costurar e compartilhar a vida.

    A metodologia adotada foi a participativa com foco na troca de experiências, valores, visões de mundo e saberes entre os participantes. Essa metodologia proporcionou uma grande empatia entre o grupo, uma sensação de estímulo coletivo, valorização de um patrimônio cultural comum, que futuramente poderá ser incorporado aos produtos vendidos pelas artesãs em feiras e festas, possibilitando uma nova alternativa de gerar renda.

    Participantes elaboram juntas vários tipos de bordado durante encontros mensais. Foto: Rossana Magri

    Participantes elaboram juntas vários tipos de bordado durante encontros mensais. Foto: Rossana Magri

    A Primavera dos Museus deste ano convida as instituições museais a fazer uma reflexão sobre as trocas simbólicas, culturais e de experiências que proporcionam aos visitantes e, também, sobre a contribuição para o desenvolvimento sustentável do seu entorno. Sendo assim, surgiu a ideia de aproximar a Oficina de Bordados dos visitantes do Inhotim, levando as bordadeiras e os bordadeiros a ministrarem a atividade na qual os participantes poderão aprender um pouco da técnica que foi desenvolvido ao longo desses anos de projeto.

    Desde 2006, quando abriu as portas para o público, o Instituto auxilia no desenvolvimento da região de Brumadinho, realizando projetos que atendem a comunidade. O diretor executivo do Inhotim, Antonio Grassi, afirma que o tema da 10a Primavera dos Museus – “Museus, Memória e Economia da Cultura” – está em sintonia com o trabalho do Instituto. “O Inhotim desenvolve vários projetos sociais e educativos e impulsiona a economia criativa da região de Brumadinho, além de proporcionar uma experiência única com os nossos acervos”. E conclui: “Queremos continuar com nossa contribuição ao desenvolvimento sustentável do entorno de Brumadinho. Nós só cresceremos se todos crescerem juntos”.

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    14 de setembro de 2016

    Claudia Andujar

    Artista com obras em exposição no Inhotim


    arte

    Leitura: 3 min

    O aroma da floresta Yanomami no Inhotim #Ensaio1nfinit0

    O aroma da floresta Yanomami no Inhotim #Ensaio1nfinit0

    Vejo a galeria Claudia Andujar como obra permanente, um trabalho que comunica uma intimidade com um povo indígena amazonense, recentemente conhecido, os Yanomami, cuja vida e cultura me marcou profundamente.   Ela é o que mais me liga ao tortuoso caminho da vida, e me faz acreditar na importância de ter tido a oportunidade de compartilhar com  eles sua cultura, o conhecimento de sua vida.

    Através desse trabalho de uns 40 anos, tenho agora a oportunidade e liberdade de oferecer meu olhar aos outros, de mostrar como enxergo esse povo. Eu espero que quem vem conhecer os Yanomami no pavilhão, em Inhotim, compartilhe  o que enxerga e entendam como vejo minha ligação com a vida deles, um povo que vive no meio da floresta Amazônica,  junto dela, e dependendo dela.

    É uma população que continua a falar sua língua ancestral, ou vários dialetos da mesma língua, unidos pela crença e pratica  do xamanismo,  eles se comunicam através dela com o mundo dos espíritos para remediar os males que os afligem.

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    Galeria reúne cerca de 500 fotos da artista. Foto: Daniela Paoliello

    Os vários conjuntos de imagens estão lá para proporcionar o aroma da floresta, encontrar o olhar desse povo, o êxtase  do xamanismo. Elas estão lá para contemplar as luzes das malocas que levam  ao caminho do mundo de cima, um primeiro mundo, cujos seres caíram para formar o mundo em que vivemos hoje, nosso mundo, a momentos de amor pelo outro, e aos perigos do contato com o mundo dos brancos.

    Encontrei em Inhotim amigos que me ajudaram a criar o pavilhão, entre outros, o curador Rodrigo Moura, que compreendeu meu pensamento e me  ajudou a transmitir a mensagem dos conjuntos de imagens.  Trabalhamos cinco anos juntos. O dono de Inhotim, Bernardo, que me permitiu realizar esse sonho.  Ele me hospedou inúmeras vezes, com muita atenção, em sua casa, em Inhotim,  durante a montagem do pavilhão.

    Eu dei minha alma a esse projeto.

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    01 de setembro de 2016

    Redação Inhotim


    Leitura: 4 min

    Inhotim abre duas novas exposições temporárias

    Na próxima quinta-feira, 8/09, o Inhotim faz sua inauguração anual, desta vez com novas exposições temporárias nas Galerias Mata e Lago. Tomando os dez anos do Instituto como momento simbólico de reflexão sobre a trajetória da instituição,“Por aqui tudo é novo” e “Light” articulam trabalhos de diferentes momentos da cronologia do Inhotim, criando novas leituras sobre o acervo.

    Apresentada na Galeria Mata, “Por aqui tudo é novo…” surge a partir do relato do viajante James W. Weels, que, no final do século 19, passou por Brumadinho e se surpreendeu com a região. Ao refletir sobre a história da instituição e suas projeções para o futuro, a exposição coloca em evidência produções de artistas mais jovens da Coleção Inhotim, como Pablo Accineli, Erika Verzutti ou Sara Ramo, ao mesmo tempo em que reapresenta trabalhos que marcaram os primeiros anos do Instituto, como a instalação Método para Arranque e Deslocamento (1992-1993), do brasileiro José Damasceno, anteriormente exposta na mesma galeria, em 2007. A mostra busca também conexões a partir de linguagens artísticas mais recentes que as instituições culturais têm integrado em suas coleções. É o caso de Marra (1996), da série Homem=Carne/Mulher=Carne, ação performática de Laura Lima que pertence à Coleção Inhotim, e que será realizada somente no dia de abertura da exposição, 8/09.

    Sara Ramo_montagem_blog

    Sara Ramo durante a montagem da exposição “Por aqui tudo é novo…”

    Dando continuidade à construção de narrativas que projetem o futuro da coleção do Instituto, a Galeria Lago apresenta a mostra “Light”, que articula trabalhos que exploram a luz enquanto elemento sensorial e intangível, mas, ao mesmo tempo, concreto e material no uso que lhe é dado por diferentes artistas. “Light” é uma expressão dos diversos caminhos narrativos que o Inhotim ainda tem para explorar à medida que seu público se familiariza com a coleção, e da possibilidade de sempre refletir sobre aspectos singulares da experiência sensorial neste espaço. Ao redor do trabalho seminal do argentino David Lamelas, Limit of a proyection I (1967), instalação que explora a relação fronteiriça de luz e sombra, a pesquisa curatorial “joga luz” sobre relações inéditas entre trabalhos de Cildo Meireles, Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander, Cláudia Andujar, Luisa Lambri, Marcellvs ou Jonathan Monk, criando diálogos entre obras de diferentes épocas da história do Inhotim. Estabelecem-se “conversas” sobre a dicotomia entre rarefação e acumulação, entre esse recorte e as instalações de Iran do Espirito Santo e Dominik Lang, relacionadas à memória dos materiais que afeta a percepção.

    “Por aqui tudo é novo” e “Light” procuram dar mais um passo no constante processo de reflexão e construção coletiva de significados sobre o acervo e o futuro do Inhotim, revelando novas associações em sua extensa coleção de aproximadamente 1.300 obras de arte. Também se destaca a inclusão de Natureza Espiritual da Realidade III (2015), de Luiz Zerbini, à exposição “amor lugar comum”, inaugurada em 2013 na Galeria Praça, com diversos trabalhos do mesmo artista.

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    26 de agosto de 2016

    Redação Inhotim


    arteprogramação culturalvisita

    Leitura: 4 min

    Performances de Tunga marcam 10 anos do Inhotim

    Performances de Tunga marcam 10 anos do Inhotim

    Em 2002, quando a galeria True Rouge foi inaugurada para abrigar a obra do artista Tunga, o Instituto ainda não era aberto ao público. Na ocasião, durante uma cerimônia feita apenas para alguns convidados, uma das típicas performances do artista marcou o início do que viria a ser o Inhotim: a interação entre arte, arquitetura e natureza. Nesse dia, atores nus interagiram com os recipientes que contêm um líquido viscoso, vermelho, e os derramaram sobre si e sobre os vidros, remetendo aos ciclos vitais. A performance era o que Tunga gostava de definir como instauração, o momento em que a obra de arte é ativada por meio de interações humanas para ganhar sentido. Durante a programação que comemora os 10 anos do Inhotim, uma homenagem a um dos artistas mais influentes da história do Instituto resgata outras instaurações, relembrando trabalhos que eternizaram Tunga dentro e fora do Inhotim.

    O tributo começa na Noite Aberta, 3 de setembro, quando as instalações True Rouge (1997) e Deleite (1999) ficam disponíveis para visitação noturna. No dia 8, a Galeria Psicoativa é o cenário para a realização de “Xifópagas Capilares Entre Nós”, às 11h e às 13h, já apresentada uma vez no Inhotim, em 2012, durante a inauguração da Galeria Psicoativa Tunga, o maior pavilhão do Intituto. Nesta intervenção, duas meninas gêmeas se vestem com uma única peruca, que as une pelos cabelos, e caminham pelo espaço.

    No mesmo dia, o Inhotim estende seu funcionamento para dar continuidade às comemorações. Às 17h, próximo a obra Deleite, narrativas escritas por Tunga serão lidas por convidados e distribuídas ao público em uma edição comemorativa. Esse momento busca resgatar um importante elemento da obra do artista, que considerava as narrativas espécies de performances feitas por palavras. “Essa evocação das palavras pode fazer construir mentalmente um jardim ou apenas olhar o jardim com outros olhos”, explicou certa vez em entrevista à revista Carbono.

    Já às 19h, a coreógrafa Lia Rodrigues, parceira de trabalho de Tunga, coordena uma nova apresentação de True Rouge, realizada por último no Inhotim em 2004, antes da abertura da instituição ao público. Homens e mulheres nus espalham gelatina vermelha por seus corpos e pela obra enquanto o material vai se depositando nos vidros e piso da galeria. Especialmente para a ocasião, o Restaurante Tamboril fica aberto para o jantar com um buffet vermelho, com pratos que trazem ingredientes na cor que tem forte presença no trabalho de Tunga.

    No dia 9, “Xifópagas Capilares Entre Nós” é apresentada novamente às 14h na Galeria Psicoativa. Às 15h, no mesmo espaço, é a vez da performance Make-up Coincidence, em que um casal nu maquia as esculturas de A Prole do Bebê (2002) com giz, pasta de maquiagem, gelatina e esmalte cerâmico ao mesmo tempo em que passa os materiais no corpo. No espaço, também acontece uma nova sessão de leitura das narrativas de Tunga.

    A homenagem marca a primeira década do Inhotim relembrando a arte transgressora que o artista eternizou por meio de experiências radicais diversas. Com as performances e com a presença dos trabalhos expostos nas galerias True Rouge e Psicoativa, Tunga transformou espaços em lugares vivos de experimentação.
    Confira a programação completa dos 10 anos do Instituto e garanta seu ingresso.

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    08 de agosto de 2016

    Paula Zasnicoff Cardoso

    Diretora do escritório Arquitetos Associados em Belo Horizonte


    Leitura: 5 min

    Onde arquitetura e arte se confundem #Ensaio1nfinit0

    Onde arquitetura e arte se confundem #Ensaio1nfinit0

    Quem almoça sob a sombra dos guarda-sóis do restaurante Tamboril não pode ver nenhum resquício da piscina que hoje está soterrada sob seus pés. Lembro-me que a decisão do aterro deste espaço de lazer, a piscina da antiga casa de Bernardo Paz, que deu origem ao Instituto Inhotim, causou algum impacto em colegas que trabalhavam comigo na época. Entre 2005 e 2007 atuei como arquiteta dentro da instituição, desde então continuei colaborando no desenvolvimento de vários projetos arquitetônicos a partir de meu escritório – Arquitetos Associados – em conjunto com os sócios Alexandre Brasil, André Prado, Bruno Santa Cecília e Carlos Alberto Maciel. O aterro da piscina ocorreu algumas semanas antes da abertura de Inhotim ao público. Enterrar algo tão doméstico foi simbólico na transição do uso privado para o público.

    Centro Cultural Burle Marx. Crédito: Ricardo Mallaco.

    Centro Cultural Burle Marx. Crédito: Ricardo Mallaco.

    Há mais de dez anos trabalhamos com equipes multidisciplinares, que envolveram curadores, artistas, paisagistas, engenheiros, museólogos, dentre outros. Entre tantas pessoas de diferentes áreas, tivemos a oportunidade de lidar com uma grande variedade de situações que envolvem arte e sua relação com arquitetura.
    Inhotim oferece aos artistas uma condição única de inserir intervenções construídas relacionadas à paisagem, à topografia e à natureza. Esta abordagem site-specific direcionou o comissionamento de várias obras, de artistas como Doug Aitken, Matthew Barney, Valeska Soares e Rivane Neuenschwander. Trabalhei no desenvolvimento desses projetos. Em todos, a arquitetura teve um papel específico, atuando como suporte, ou consultoria, para o trabalho do artista.

    Já nos projetos de galerias que desenvolvemos, é possível dizer que todos sintetizam o esforço da instituição em superar o cubo branco elencando algumas questões inerentes à relação dos edifícios com o contexto, tanto na inserção de novos elementos nessa paisagem singular, quanto na criação de transições mais sutis de espaços interiores para o exterior, entre espaços expositivos e o parque.

    As estratégias variam e são específicas para cada projeto, para cada contexto. A manipulação da topografia para minimizar o impacto do volume construído da Galeria Miguel Rio Branco e o seu pavimento de acesso tratado como extensão do parque e intervalo entre suas duas áreas expositivas principais. A ambiguidade da leitura do volume construído na Galeria Cosmococa, ora extensão do chão com seu terraço gramado, ora volume construído sem atributos arquitetônicos revelados. A exploração do jogo de luz e sombras da envoltória de tijolos da Galeria Claudia Andujar, que estabelece um diálogo com a mata que a rodeia e sua luz filtrada, bem como as transições criadas pela pérgola de acesso que ameniza a incidência direta da luz zenital, e pelos pátios internos, tratados de maneiras distintas, como pausas, respiros ou clareiras naturais.

    As circulações avarandadas e a ausência de limites na transição entre exterior e interior foram liberdades possíveis no projeto do Centro Educativo Burle Marx por não ser este um espaço expositivo, e prescindir do controle de climatização que tais espaços demandam. Sua horizontalidade, o pouso do edifício na cota intermediária entre os lagos existentes e sua cobertura espelho d´água minimizam sua presença na paisagem. Após a conclusão do edifício, os curadores, em uma escolha muito sensível, decidiram integrar ao espelho d´água o trabalho Narcisus Garden, de Yayoi Kusama. Suas quinhentas esferas brilhantes de aço inoxidável flutuam no jardim de água da cobertura ampliando a integração de arquitetura, arte e paisagem. Sintetizando a ideia da instituição.

    É um privilégio ter participado de tantos projetos e ter acompanhado o processo de transformação que ocorreu nesta última década. Vida longa ao Inhotim!

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