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  • 01 de setembro de 2014

    Redação Inhotim


    artebrumadinhocomunidadeeducaçãomúsicaparceriaprogramação culturalprojeto

    Leitura: 4 min

    Naná Vasconcelos em Brumadinho

    Naná Vasconcelos em Brumadinho

    “O melhor instrumento é o corpo, o resto é consequência disso”. Foi assim que o músico Naná Vasconcelos, um dos maiores percussionistas do mundo, iniciou sua oficina de percussão na comunidade quilombola de Marinhos, distrito de Brumadinho, realizada no último sábado, 30/08. Durante a tarde, crianças e jovens do projeto de iniciação musical em percussão desenvolvido pelo Inhotim puderam conversar com o artista e descobrir novas formas de fazer música.

    Primeiro o ritmo foi marcado com os pés. Depois, Naná estimulou todos a usar as mãos e, finalmente, a voz. Nada de instrumentos musicais convencionais. Essa composição de movimentos e sons permitiu o autoconhecimento corporal, a conscientização respiratória e o senso de grupo dos participantes. Apesar de simples, os gestos carregam a força da musicalidade afro-brasileira, traço marcante na cultura quilombola, e são fundamentais para preservá-la. “Aqui, na comunidade, já nascemos com a música dentro de nós. Um dom que passa por gerações, pelas Guardas de Congado e Moçambique”, afirma Rhayane Estefanie Alves, 14 anos, participante da oficina e integrante do projeto de percussão do Inhotim.

    Rhayane Estefanie Alves, integrante do projeto de percussão do Inhotim. Foto: Rossana Magri

    Rhayane Estefanie Alves, integrante do projeto de percussão do Inhotim. Foto: Rossana Magri

     

    No domingo, Naná Vasconcelos abriu a programação de grandes shows do Inhotim em Cena. Acompanhado do multi-instrumentista Lui Coimbra, o percussionista levou o berimbau da capoeira para o centro do palco, nos jardins do Instituto. Em uma mistura de brasilidade e som erudito, planejamento e improvisação, os artistas criaram um repertório singular que emocionou o público. “Percussão é símbolo de vida. Se não tiver percussão, quer dizer, se o coração não bater, não tem vida”, define Naná.

    Naná Vasconcelos fez show nos jardins do Inhotim no domingo, como parte da programação do Inhotim em Cena. Foto: Daniela Paoliello.

    Naná Vasconcelos fez show nos jardins do Inhotim no domingo.  Foto: Daniela Paoliello.

    O Inhotim em Cena 2014 é amparado pela Lei Federal de Incentivo a Cultura, Ministério da Cultura, tem a apresentação da Pirelli, patrocínio dos Correios e apoio da Saritur. Não deixe de conferir os próximos shows do Inhotim em Cena! Clique aqui e veja a programação.

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    26 de agosto de 2014

    Redação Inhotim


    arteexposiçãoinauguração

    Leitura: 5 min

    O jardim de Carroll Dunham

    Se você pensa que com apenas uma visita conseguiria conhecer o Inhotim inteiro, saiba que não vai ser tão fácil assim. Hoje, para experimentar todos os cantos, incluindo galerias e jardins, já são necessários, em média, três dias. A partir da próxima semana, o passeio fica ainda mais interessante.

    A gente explica: a cada ano, o Inhotim modifica exposições em alguma das quatro galerias temporárias ou inaugura galerias permanentes. Agora em setembro, o Instituto apresenta novos trabalhos na Galeria Lago (saiba mais aqui) e abre seu décimo oitavo espaço dedicado a um artista específico, dessa vez, o norte-americano Carroll Dunham.

    Seu primeiro contato com os curadores do Instituto aconteceu em 2005 – antes mesmo do parque ser aberto para visitação. Desse encontro, surgiu o convite para que Dunham levasse a experiência do Inhotim para suas referências e criasse algo novo.

    Nascido em New Haven (EUA), em 1949, Carroll Dunham começou a produzir no fim da década de 1970, em Nova York, onde vive até hoje. As influências que marcam seu trabalho nesse percurso vão do expressionismo abstrato à pop art, passando pelo surrealismo, com um toque de erotismo e a estética de desenhos animados.

    Carroll Dunham, Large Bather  (quicksand), 2006-2012.

    Carroll Dunham, “Large Bather (quicksand)”, 2006-2012.

    O resultado dessa mistura foi a criação de um estilo bastante próprio: cenas em que desenhos geométricos coexistem com formas orgânicas, a abstração dialoga com a arte figurativa e a dualidade entre natureza e cultura se revela por cores vibrantes. A representação do corpo com um forte conteúdo sexual também é um traço marcante de sua produção. Isso pode ser observado na série de pinturas de banhistas, à qual o artista dedicou inúmeras telas desde os anos 2000.

    Para o Inhotim, Dunham criou um ciclo de cinco pinturas entitulado Garden [Jardim, 2008]. Concluídas em 2008, as obras entram em exposição pela primeira vez agora, em uma antiga casa de fazenda dentro da área do parque. O espaço foi adaptado especialmente para a exposição.

    Além dos traços pretos característicos que descrevem as figuras, a forma do espiral se tornou um código pictórico no trabalho de Dunham. (Carroll Dunham, Garden  1, 2008. Cortesia Gladstone Gallery, Nova York e Bruxelas. Foto: David Regen)

    Além dos traços pretos característicos que descrevem as figuras, a forma do espiral se tornou um código pictórico no trabalho de Dunham. (Carroll Dunham, “Garden 1”, 2008. Cortesia Gladstone Gallery, Nova York e Bruxelas. Foto: David Regen)

    Antes de integrar as exposições permanentes do Inhotim, trabalhos de Carroll Dunham já estiveram presentes em outras instituições renomadas do mundo da arte, como o Museum of Modern Art, em Nova York, o Musée d’Art Moderne, de Paris, e o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madrid.

    O artista não faz suposições sobre o futuro da arte ou mesmo da pintura. Ao ser questionado sobre o tema pelo Blouin Artinfo, ele devolve: “Eu não tenho a menor ideia do que o futuro reserva, mas as pessoas parecem precisar de imagens”.

    Programe sua visita ao Inhotim e conheça as obras que compõem Garden (2008).

     

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    26 de agosto de 2014

    Equipe de mediadores

    Realiza visitas e atividades que convidam a refletir sobre os acervos do Inhotim


    arteprogramação culturalvisita

    Leitura: 4 min

    A imagem como experiência

    A imagem como experiência

    Uma volta pelos jardins do Inhotim já propõe uma multiplicidade de experiências. Os caminhos sempre desenhados e as obras que vão sendo descobertas em meio à paisagem logo permitem criar novas relações entre corpo, lugar e as imagens que vão surgindo pelo caminho. Não é por acaso que, no mês da fotografia, a visita temática artística propõe uma reflexão sobre os limites da imagem como experiência.

    Na contemporaneidade, a fotografia reinventa seus suportes e sua relação com outras mídias, convocando todos a diferentes diálogos e conexões. Nesse contexto, ela perde sua plataforma estática e se abre ao múltiplo, produz atravessamentos, possibilita experiências sensoriais diversas e convida o corpo.

    Um bom exemplo é a instalação Folly (2005-2009), de Valeska Soares, construída de modo a questionar o lugar do corpo como propositor (ou propósito) na obra de arte. O corpo que presencia a obra se torna parte dela que, por sua vez, é multiplicada pelos espelhos e as representações de cada um naquele espaço. Ali o horizonte se torna infinito em paredes finitas.

    "Folly" (2009), de Valeska Soares. Foto: Daniela Paoliello

    “Folly” (2005-2009), de Valeska Soares. Foto: Daniela Paoliello

    Outro artista que propõe um diálogo intenso na relação experiência-imagem-corpo é o fotógrafo Miguel Rio Branco. Sua galeria no Inhotim reorganiza a interação entre público e obra. Em especial, a série Maciel (1979) constrói narrativas a partir de micro-histórias relacionadas a marcas, a cicatrizes. Desconstruindo uma realidade imediata, as imagens se tornam solidárias à conquista de identidade das pessoas retratadas.

    fotografias da série "Maciel" (xxx), de Miguel Rio Branco. Foto: Pedro Motta

    Fotografias da série “Maciel” (1979), de Miguel Rio Branco. Foto: Pedro Motta

    E você, como se relaciona com as imagens que o rodeiam? Não deixe de participar das visitas temáticas do Inhotim! Elas são gratuitas para os visitantes do Instituto. Confira aqui mais informações para programar sua próxima ida ao parque.

    Texto de Gabriela Gasparotto e William Gomes, mediadores de Arte e Educação do Inhotim.

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    20 de agosto de 2014

    Redação Inhotim


    arteinauguraçãoprogramação culturalvisita

    Leitura: 4 min

    Novas exposições no Inhotim

    A partir de 4 de setembro, quem visitar o Inhotim vai poder conferir diversas novas obras. Artistas do Leste Europeu, Ásia e Estados Unidos propõem um novo olhar sobre a produção artística contemporânea.

    Segundo o diretor de arte e programas culturais do Instituto, Rodrigo Moura, nos últimos 10 anos, houve um aumento do interesse mundial pela arte latino-americana e de outras regiões que fogem aos centros hegemônicos de produção. “Esse movimento está muito ligado a uma perspectiva de descentralização das narrativas. Nesse contexto, entendemos que o papel de um espaço como o Inhotim não é apenas colecionar nomes consagrados, mas introduzir outros, menos conhecidos por aqui”, afirma.

    Uma nova galeria permanente, a décima oitava do Instituto, será dedicada ao pintor norte-americano Carroll Dunham. A galeria irá abrigar um ciclo de pinturas chamado Garden (2008), composto por cinco telas que refletem as impressões do artista sobre o Inhotim.

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    Uma das telas do ciclo de pinturas “Garden” (2008), de Carroll Dunham. Cortesia Gladstone Gallery, Nova York e Bruxelas. Foto: David Regen

    A Galeria Lago, um dos quatro espaços do Inhotim para exposições temporárias, receberá trabalhos de três artistas. A romena Geta Br?tescu, considerada uma espécie de Louise Bourgeois do Leste Europeu, ganha uma grande mostra individual de sua produção, com trabalhos que datam de 1986 a 2013, intitulada O jardim e outros mitos.

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    “Medea Hypostases III” (1980), de Geta Bratescu. Cortesia da artista e Ivan Gallery, Romênia. Foto: Stefan Sava

    Dominik Lang, da República Tcheca, apresenta Sleeping City (2011), uma instalação composta por esculturas de bronze criadas pelo pai do artista. Em meio a estruturas de ferro e madeira, as peças adquirem novos significados.

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    “Sleeping City” (2011), de Dominik Lang. Foto: Ondrej Polak

    Já do filipino David Medalla, será apresentada a obra Cloud-Gates (1965/2013) da série Bubble Machines – esculturas cinéticas formadas por espuma e criadas pelo artista pela primeira vez na década de 1960.

    medalla

    “Cloud-Gates Bubble Machine” (1963-2013), de David Medalla. Cortesia Baró Galeria. Foto: divulgação

    Para comemorar a inauguração dos novos projetos, os músicos Jards Macalé e Jorge Mautner sobem ao palco do Inhotim em Cena para uma apresentação especial. Parceiros musicais e amigos de longa data, os dois artistas relembram sucessos da música popular brasileira e prometem surpresas. O show começa às 15h, próximo ao Magic Square.

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    13 de agosto de 2014

    Maria Eugênia Salcedo Repolês

    Gerente de Educação Transversal do Inhotim


    arteeducaçãolaboratório inhotim

    Leitura: 5 min

    Respire e divirta-se!

    Respire e divirta-se!

    A proposta era passar uma manhã no Bronx, bairro nova-iorquino, conversando com o artista norte-americano John Ahearn. Logo na entrada de seu ateliê, sentimos que a energia era outra. Entre pedidos de desculpas por não lembrar mais das palavras-chave para se comunicar em português, John nos recebeu com uma explosão de energia. Imediatamente os planos mudaram. De repente, estávamos nos preparando para fazer o molde de “três… Não, melhor, quatro jovens!”. Há nove anos, ele e o também artista Rigoberto Torres estiveram em Brumadinho realizando o mesmo procedimento para compor duas obras expostas na Galeria Praça, no Inhotim: Rodoviária de Brumadinho (2005) e Abre a porta (2006).

    Os jovens do Laboratório Inhotim se movimentavam livremente pelo ateliê do artista. Já John, junto com seu assistente, começou a preparar os materiais para as esculturas e a mover móveis pelo espaço. Ele montava a cena, mudava, completava, direcionava, pensava, repensava, ajeitava. “Quase como um diretor de cinema…”, brincou um dos jovens. Estávamos, sim, em uma composição artística dele, mesmo sem termos começado o processo de escultura pelo qual Ahearn é tão reconhecido.

    Há quase 10 anos, convivi com John Ahearn no Inhotim, na casa azul que serviu de ateliê na época, na praça da rodoviária, em Brumadinho, nas ruas de Sapé, uma das comunidades quilombolas da região. Ele registrou e vivenciou manifestações culturais, religiosas e do cotidiano do município.  Essas experiências, depois, passaram a compor as duas obras do acervo do Instituto. Cada uma das pessoas nos painéis é uma história, que conta da vida na cidade, da cultura local, mas que também narra o poder dos encontros e diálogos. No reencontro com ele, agora no Bronx, lembrei-me da força humana fenomenal que sua obra tem.

    “Onde estão os canudos para fazer os moldes? Eles sempre somem na hora de começar o processo… Tudo bem, vai dar certo”, afirmava John. E, de fato, tudo deu certo. Os jovens observaram e participaram do processo criativo e técnico do artista, conhecendo detalhes, observando decisões, pensando soluções.

    John Ahearn prepara os jovens para fazer os moldes. Foto: Alice Dias

    John Ahearn prepara os jovens para fazer os moldes. Foto: Alice Dias

    Mas, afinal, tendo em mente o objetivo da viagem desses jovens – pesquisar e se inspirar para produzir um Festival de Rua em Brumadinho – o que o trabalho de um artista em seu ateliê pôde ensinar? Talvez, a resposta seja: todo processo demanda um esforço. Decidir é transformar, e o poder de transformação é uma das ferramentas do artista. Produzir algo faz uma diferença no mundo. “Não é emocionante? Estamos criando quatro esculturas, ou seja, quatro coisas que não existiam antes!”, disse John, no meio do processo. Para ele, a resposta poderia ser ainda mais simples: “Peço duas coisas de vocês hoje: primeiro, respirem. Segundo, divirtam-se!”.

    O resultado da visita ao ateliê do artista, uma experiência que será lembrada para sempre. Foto: Maria Eugênia Salcedo Repolês

    O resultado da visita ao ateliê do artista, uma experiência que será lembrada para sempre. Foto: Maria Eugênia Salcedo Repolês

    Para saber mais sobre nossa viagem, clique aqui. O Laboratório Inhotim conta com o patrocínio do Banco Itaú.

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