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Inhotim 40°C: conheça a estufa equatorial

Inhotim 40°C: conheça a estufa equatorial

Entre uma galeria e outra, os jardins do Inhotim são uma experiência à parte. Palmeiras grandiosas marcam a paisagem, folhas coloridas contornam os caminhos e rodeiam as obras, flores grandes e miúdas são detalhes dignos de fotografias. No Viveiro do Instituto, localizado no eixo laranja do mapa, o visitante tem a chance de conhecer espécies usadas na culinária, na medicina, plantas carnívoras, tóxicas e outras ameaçadas de extinção. Ali também funciona a estufa equatorial do Instituto, onde parte das mudas são preparadas para fazer parte dos jardins.

Com as paredes revestidas por um plástico que forma uma espécie de bolha, a estufa tem sensores térmicos que conservam a temperatura entre 32°C e 42°C e umidade acima de 80%, ambiente típico de clima equatorial. A irrigação é automática, mas controlada diariamente por José Urias, jardineiro do Parque há 6 anos. “Toda manhã é a primeira coisa que eu faço, conferir se está tudo funcionando”, conta.

O espaço tem três intensidades luminosas. Dessa forma, as plantas são distribuídas de acordo com a quantidade de luz que precisam. Segundo o engenheiro agrônomo do Instituto, Juliano Borin, a estufa tem o importante papel de propagar as espécies ali plantadas. No espaço, as mudas são cultivadas, passam pela engorda e depois são replantadas no Parque.

Nesse processo, espécies em extinção foram recuperadas e semeadas na área do Inhotim, como a Philodendron ricardoitípica do Espírito Santo, ou o famoso pau-brasil. A estufa torna possível o cultivo de raridades como a flor-cadáver, conhecida pelo seu mau cheiro quando dá flor. Segundo Juliano, o odor de carne podre e as cores fortes servem para atrair seu principal polinizador, a mosca varejeira.

Temperatura, água e todos os cuidados de jardinagem dão às espécies a chance de crescer em um lugar aconchegante e seguro, mas, antes de serem replantadas, elas passam por um período de adaptação. “Dentro da estufa, nós conseguimos forjar a umidade e a temperatura, mas falta o vento. Então, antes de saírem daqui definitivamente, as plantas precisam ser rustificadas”, explica. Para isso, os exemplares vão para os sombrites, onde são expostos à chuva e ao vento, terminando de amadurecer.

Variação na cor, na textura e no formato das folhas moldam cada espécie para que se adaptem em determinado ambiente. Foto: Rossana Magri

A variação na cor, na textura e no formato das folhas mostra como cada espécie se adapta a determinado ambiente. Foto: Rossana Magri

A diversidade da natureza viva é percebida em cada momento da visita à estufa do Inhotim, onde os jardins são semeados. Variação de cor, forma, folha e textura são sinais da evolução de cada espécie para viver melhor em um lugar específico. Uma planta com folhas grandes, por exemplo, é típica de ambientes escuros e secos. Já onde o vento é mais forte, as folhas possuem cortes para não serem rasgadas.

Participe da visita mensal mediada por Juliano Borin e conheça mais os jardins do Inhotim.



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