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  • 11 de setembro de 2014

    Redação Inhotim


    artemúsicaprogramação cultural

    Leitura: 5 min

    Lenine + Sinfônica no Inhotim

    Lenine + Sinfônica no Inhotim

    Com mais de 30 anos de carreira, Lenine não tem medo de arriscar. Em seus trabalhos, o cantor combina sonoridades, descobre referências, promove intercâmbios. No próximo sábado, 13/09, essa mistura toma conta do Inhotim. O artista sobe o palco do Inhotim em Cena ao lado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais para apresentar outra versão de seu repertório. Em uma gostosa conversa com o Blog do Inhotim, Lenine falou da ansiedade para esse show inédito e contou que pretende lançar um novo CD no próximo ano, quem sabe até com referências da visita ao Instituto. Confira!

    Blog do Inhotim – É a primeira vez que você se apresenta com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e no Inhotim. Como está sua expectativa?
    Lenine – Já tive experiências com outras orquestras, como a Orchestre National d’Île-de-France, a Orquestra de Rouen, a Camerata Florianópolis, a Orquestra Jovem das Gerais… Estou muito feliz em tocar agora com eles e adaptar meu repertório para a palheta de sons da Sinfônica. Além disso, fico muito feliz por essa reunião acontecer no Inhotim. Nunca estive ai, mas já vi muitas matérias, ouvi diversas coisas boas de amigos que já foram e tenho uma expectativa muito grande. Vai ser um encontro carregado de emoção, espero retribuir a altura do cenário.

    BI – Alguns de seus trabalhos, como Chão, têm sonoridades diversas, palmas, pássaros… Como foi fazer essa transposição para o instrumental?
    L – Como já fiz outros projetos com orquestras, naturalmente, ao longo do tempo, fui experimentando meu repertório nesse ambiente e, assim, pincei essas canções que vamos tocar. A grande questão é que no Inhotim não é só música, ou arte visual, ou botânica, é toda essa atmosfera criativa e vai ser muito especial fazer minha música nesse ambiente.

    BI – Você pode contar um pouquinho sobre o repertório escolhido?
    L – Sabe como é, as canções são como filhos, os mais novos acabam sempre ganhando mais atenção. É o caso com o repertório de Chão, meu último CD. Mas nesse espetáculo, no Inhotim, também vou tocar minhas canções mais conhecidas. “Hoje eu quero sair só”, “Paciência” e “Jack Soul Brasileiro” estão garantidas!

    BI – Por falar no Chão, ele é seu ultimo álbum, lançado em 2011. Você pretende lançar algo novo por agora?
    L – Gosto dessa diversidade de formações que faço: com banda, sinfônica, câmara… São formas diferentes de apresentar o disco. Mas descobri, ao longo da vida, que o tempo de vida útil de um trabalho é de 2 anos e meio, 3 anos. Até o fim de 2014 tenho shows desse CD, mas já estou mergulhado em fazer um novo projeto. É assim: você mira em uma coisa e acerta outra, por isso, não sei dizer ainda como vai ser, mas quero lançar um disco novo no próximo ano.

    BI – E no Inhotim, o que você pretende ver? A gente sabe que você é apaixonado por orquídeas e temos uma grande coleção delas…
    Sou um orquidólatra (risos)! Quero ver o Vandário sim, e pretendo respirar um pouco desse espaço tão especial como um todo. E tenho essa coisa, gosto de arte e gosto desse diálogo entre as artes. Mesmo não sabendo em que dosagem, essas experiências me influenciam. Posso dizer que meu “anzol de captura” para compor é basicamente visual.

    BI – Então pode surgir algo dessa visita?
    L – Sempre surge. O material que você usa para criar vem da sua experiência, do que você vivencia. Talvez não fique tão explicito para o público, mas, quem concebe, sabe. Por isso, no Inhotim, quero estar atento a tudo!

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    28 de julho de 2014

    Redação Inhotim


    artemúsicaprogramação culturalvisita

    Leitura: 5 min

    Um caminho para as artes

    Um caminho para as artes

    No próximo fim de semana, o Inhotim inicia a programação cultural de agosto com muita música e dança. Nos dias 02 e 03, os visitantes vão poder conferir espetáculos do Primeiro Ato Cia. de Dança, Armatrux, Cia. Suspensa e Dança Multiplex, em diversos espaços do parque. Os grupos fazem parte da Rede Caminho das Artes, uma articulação entre artistas com sede em Nova Lima e Brumadinho. Uma das responsáveis pela iniciativa é a mineira Patrícia Manata, bailarina e fundadora da Companhia Suspensa. Ela conversou com o Blog do Inhotim sobre a história da Rede e sua relação com o Instituto. Veja a seguir!

    Blog do Inhotim – Como surgiu a Rede Caminho das Artes?

    Patrícia Manata – Foi uma associação bem natural. Há cerca de 10 anos, muitos artistas e grupos deixaram Belo Horizonte e começaram a montar ateliês e galpões nas regiões de Nova Lima e Brumadinho. Quando a Cia. Suspensa iniciou a construção de sua sede no Vale do Sol, quisemos conhecer essas companhias que já tinham se instalado ali. Juntos, decidimos unir forças para que fosse possível viver de arte. Esse relacionamento também foi importante para buscarmos melhorias para a região, sem muita infraestrutura, e também articularmos com organizações ligadas á preservação ambiental da área.

    BI – Por que a Cia. Suspensa e outros grupos escolheram a região?

    PM – Tínhamos uma vontade de sair do centro urbano em busca de mais qualidade de vida, de tranquilidade para criação e proximidade da natureza. Essa é uma área muito bonita, rica ecologicamente e preservada. Apesar de haver partes muito exploradas pelas mineradoras, é justamente o fato de elas estarem ali que impediu a corrida imobiliária e o crescimento desordenado, como em outras saídas da cidade. Aos poucos, foi se formando na região um diversificado cenário cultural. Ainda que tenhamos pesquisas em campos diferentes, realizamos muitas trocas artísticas.

    BI – Essa é a segunda vez que a Rede se apresenta no Inhotim. Como surgiu essa relação?

    PM – Logo quando a coreógrafa Pina Bausch morreu, em 2009, realizamos um encontro desses artistas da região na sede da Cia. Suspensa. Batizamos o evento de “Homenagem a Pina Bausch” e convidamos cada grupo a ocupar um pedacinho do espaço. Essa se tornou a primeira reunião oficial da Rede, em 09 de setembro 2009. A partir de então, sempre fazemos esses encontros artísticos. O Antonio Grassi, que hoje é diretor executivo do Inhotim, apadrinhou o projeto desde o início, foi um apoiador, parceiro, participante. Em 2010, ele fez a curadoria da programação cultural do Inhotim e nos levou para o parque. Além da proximidade geográfica, nossa relação com o Instituto também está no interesse em desenvolver a região por um viés artístico.

    BI – Você percebe alguma relação entre os acervos do Inhotim e a produção artística da Rede?

    PM – Posso falar com propriedade da Cia. Suspensa, que é uma companhia de dança contemporânea. Misturamos dança, circo, artes visuais, estamos bem na fronteira das artes, passeamos por várias linguagens, isso já nos aproxima do Inhotim e nos faz sentir à vontade lá. A apresentação de sábado é uma adaptação do espetáculo “Órbita”, especialmente criada para o Instituto. Nesse processo, fizemos várias visitas para escolher um espaço que dialogasse com o trabalho. Decidimos, então, pelo campo onde está instalada o obra “Elevazione”, do italiano Giuseppe Penone. Estar perto daquela árvore suspensa combina com o desafio da companhia de se pendurar e ocupar espaços abertos, cheios de possibilidades. Estar no Inhotim é sempre muito instigante!

    Saiba mais sobre a programação cultural do Inhotim aqui e aqui, e adquira já os ingressos para sua próxima visita.
    Esta programação faz parte do Inhotim em Cena, que tem apresentação da Pirelli, patrocínio dos Correios e apoio da Saritur.

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    16 de julho de 2014

    Redação Inhotim


    arteexposição

    Leitura: 7 min

    Outro olhar sobre a história da arte

    Outro olhar sobre a história da arte

    Desde 27 de junho, o Rio de Janeiro tornou-se palco da maior exposição internacional que a cidade já viu. Organizada pelos curadores Rodrigo Moura, diretor de arte e programas culturais do Inhotim, e Adriano Pedrosa, a mostra artevida pretende contar a história da arte a partir de referências que fogem dos grandes centros culturais. São cerca de 300 obras de 110 artistas da América do Sul, Leste Europeu, Oriente Médio, África e Ásia. Alguns deles, como os brasileiros Lygia Pape, Hélio Oiticica e Cildo Meireles, também podem ser vistos no Inhotim.

    O título da mostra não foi escolhido por acaso. Para o movimento neoconcretista, surgido no Rio de Janeiro dos anos 1950, a arte deveria estabelecer diálogos e tensões com aspectos da vida e do mundo. Essa postura foi fundamental para a formação da arte contemporânea brasileira. A exposição, em cartaz na Casa França-Brasil, na Biblioteca Parque Estadual e no Parque Lage, se estende também para o MAM Rio, a partir do próximo sábado, 19 de julho, com a abertura de seu segundo segmento. O Blog do Inhotim conversou com os curadores da artevida, que contaram um pouco mais sobre o projeto. Leia a seguir!

     

    Blog do Inhotim – A exposição reúne artistas de países do Sul global para oferecer outro olhar sobre a história da arte. Como esse recorte foi pensado?

    Adriano Pedrosa e Rodrigo Moura –A pesquisa em relação aos artistas já vem de vários anos. Estrangeiros ou brasileiros, muitos são profissionais com quem já trabalhamos. Os conjuntos e subconjuntos de obras foram eleitos a partir do conhecimento e da reflexão sobre esses trabalhos, mas pensando, sobretudo, em perspectivas brasileiras. Assim, na seção artevida (corpo), na Casa França-Brasil, surgem núcleos de obras brasileiras e estrangeiras a partir do Bicho, da Linha orgânica (ambos de Lygia Clark), do Tecelar (de Lygia Pape), do Parangolé (de Hélio Oiticica), gerando aproximações que revisam a abstração geométrica ortodoxa, sugerem uma forma orgânica e corporal de pensar o objeto e põem em relevo o corpo como ativador da experiência artística. Já na seção artevida (política), os núcleos temáticos são relacionados à ditadura, guerra, violência, eleições, censura, manifestações, trabalho, feminismos, racismo e buscam esse paralelo entre contextos aparentemente desconectados, mas que guardam alguma relação com o brasileiro.

    BI – Como as obras escolhidas se relacionam às narrativas hegemônicas da arte contemporânea?

    AP e RM – A exposição olha para a produção brasileira como matriz e filtro para pensar outras relações mais amplas, globais, entre diferentes contextos artísticos. Priorizamos esse diálogo com polos de produção que estão, de certa maneira, mais próximos de nós, por dividirmos uma história colonial e pós-colonial, ou uma história recente de regimes autoritários, ou, simplesmente, por estarem longe dos centros hegemônicos de produção. Há o desejo de desarmar um modelo de filiação que sempre passa pelo centro para legitimar sua produção. Não quer dizer que negamos nossas relações com a Europa Ocidental e os Estados Unidos, de forma alguma. Há, inclusive, artistas dessas regiões na exposição, mas, o que estamos propondo, são novos diálogos, que ainda estão por ser feitos. Se na primeira parte, que inauguramos na Casa França-Brasil no último mês, esse diálogo se dá mais pelo corpo, seja pela geometria, seja pelo autorretrato, na seção que será inaugurada no próximo sábado, no MAM Rio, ele se dá mais pela política. Isso não quer dizer uma evolução no tempo, mas uma diferença, uma modulação no enquadramento da curadoria.

    BI – Alguns nomes da mostra estão presentes no acervo do Inhotim, como Hélio Oiticica, Geta Bratescu e Hitoshi Nomura. Como a coleção do Instituto dialoga com essa proposta de ver a história da arte por outro ângulo?

    RM – De maneira muito importante, me parece. Como dizemos no statement curatorial da artevida, essa não é a exposição de uma tese, mas de muitas hipóteses. Essa representação polifônica é algo que aprendi na lida com a formação de acervo, em que isso acontece o tempo todo. No Inhotim, os artistas que você menciona tem um lugar importante, justamente porque encontram solo tão fértil no sentido dos diálogos com artistas brasileiros que são centrais na construção da narrativa do que o Inhotim significa como arte: Lygia Pape, Cildo Meireles e Hélio Oiticica, por exemplo, representados com obras tão importantes no nosso acervo. No Inhotim, recentemente fizemos alguns aprofundamentos em áreas que conhecíamos apenas superficialmente, como Leste Europeu e Japão, que ainda não foram inteiramente revelados, mas que começam a aparecer em exposições do Instituto. É o caso da mostra individual da romena Geta Bratescu, na Galeria Lago a partir de setembro, e Do Objeto ao Mundo – Coleção Inhotim, no Palácio das Artes em dezembro e no Itáu Cultural no ano que vem, quando vamos mostrar bastante material japonês que encontra grande ressonância com a arte produzida no Brasil no mesmo período.

    Ficou interessado? Então se programe! A artevida fica em exibição até 21 de setembro de 2014.

    Rodrigo Moura e Adriano Pedrosa

    Rodrigo Moura (esq.) e Adriano Pedrosa (dir.) no Parque Lage, onde acontece parte da exposição. Foto: Leo Aversa

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    05 de junho de 2014

    Redação Inhotim


    meio ambientemúsicaprogramação cultural

    Leitura: 6 min

    Fernando Sodré faz show no Inhotim

    Fernando Sodré faz show no Inhotim

    Mineiro de Belo Horizonte, Fernando Sodré faz parte de um movimento de renovação da viola caipira. No último ano, o artista lançou seu terceiro álbum, Viola de Ponta Cabeça, em que apresenta harmonias modernas e bem-trabalhadas, executadas com técnica e precisão. O resultado é um jazz contemporâneo repleto de influências, que ele apresenta no Inhotim no próximo sábado, 07 de junho, às 15h. Acompanhado pelos músicos Írio Júnior (piano), Esdras Neném (bateria) e Enéias Xavier (contrabaixo), o violeiro ainda recebe como convidados Toninho Horta e o gaitista Gabriel Grossi. O Blog do Inhotim conversou com Fernando sobre o show e sua relação com a música. Confira!

    Blog do Inhotim – Você tem raízes no choro, mas sua música conta também com elementos de jazz. Como você descreve o som que faz?

    Fernando Sodré – Posso considerar que o que eu toco é música instrumental brasileira. Meus arranjos possuem influências de ritmos e melodias tipicamente brasileiros, como o choro, a música nordestina e a música mineira de raiz. Acho que é uma mistura disso tudo. Comecei tocando chorinho e o jazz veio só depois, com o músico Alvimar Liberato. Ele me apresentou o gênero e, a partir daí, comecei a estudá-lo. No início, a linguagem era difícil para mim, mas logo me apaixonei e adicionei mais esse elemento à minha música.

    BI– Em seu último álbum e também no Inhotim você toca com músicos importantes da cena mineira. Como foi agregar esses nomes ao trabalho?

    FS – O grande responsável por essa experiência foi o Enéias. Eu já o conhecia há algum tempo e costumávamos realizar alguns trabalhos juntos. Certa vez, eu tinha uma apresentação no Panamá e o baterista Márcio Bahia, que ia tocar no show, não pode viajar com a banda. Foi então que o Enéias indicou o Esdra (Neném). Ele tocou conosco e a experiência foi muito bacana. Pouca gente sabe disso, mas, antes de pensar no Viola de Ponta Cabeça, a minha intenção era fazer um disco solo. Depois dessa viagem e de outras passagens mudei de ideia e resolvi convidar os dois para montarmos um trio. Adicionamos outros elementos interessantes na gravação, como o piano do Irio e a harmônica do Gabriel Grossi. O resultado foi um álbum muito livre, no qual cada um tinha muita autonomia para criar dentro dos arranjos propostos. Considerando que fizemos ao vivo, essa soma de influências e sons foi até além das minhas expectativas. Quando ouvi as faixas pela primeira vez, percebi o quanto as coisas encaixaram bem.

    BI – O cantor e compositor Toninho Horta também está no álbum e na apresentação no Instituto. Como foi essa experiência?

    FS – Eu sou fã do Toninho Horta há muito tempo. Sempre ouvi as músicas dele e o tive como uma das minhas referências. Ao longo da minha carreira, tive vontade de desenvolver algum tipo de trabalho com ele. Foi através de uma amiga em comum que fiz o convite na época que estávamos fazendo o Viola de Ponta Cabeça. Nós mandamos o material, o Toninho ouviu, gostou e topou participar do disco. Assim que começaram as gravações, ele se mostrou muito disposto e envolvido com o projeto. O resultado foi essa versão de “Party in Olinda”, faixa também dirigida por ele, que ficou muito interessante.

    BI – Sobre o show de sábado, o que significa se apresentar em um lugar como o Inhotim?

    FS – É realmente uma oportunidade fantástica poder tocar em um lugar respeitado e reconhecido nacional e internacionalmente como o Inhotim. Acho que a minha música dialoga muito bem com o lugar e as pessoas que estão ali, então a minha expectativa é grande. Estou esperando um grande show, afinal, a atmosfera do lugar influencia de maneira positiva cada faixa que iremos tocar. Mostraremos um repertório bem diversificado, com músicas tanto do último álbum, quanto de outros, mais antigos. Além do nossa formação de base e do Toninho Horta, teremos também a participação do Gabriel Grossi.

    BI – A apresentação faz parte da programação da 10° Semana do Meio Ambiente realizada no Inhotim. Você tem alguma relação com a questão ambiental?

    FS – É interessante dizer isso, porque a grande maioria das minhas músicas surge em lugares longe das cidades. Rios, fazendas, montanhas, enfim, espaços onde não existem grandes alterações do homem. Portanto, a natureza é uma fonte de inspiração para mim. Sem ela, talvez, eu teria mais dificuldades no meu processo criativo. Semanas como essa são muito importantes para a conscientização de todos nós sobre a questão ambiental.

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    13 de março de 2014

    Redação Inhotim


    arteprogramação cultural

    Leitura: 7 min

    Dança contemporânea no Inhotim

    Dança contemporânea no Inhotim

    Foi pensando na mulher e em sua relação com o espaço que a coreógrafa e dançarina francesa Cecile Proust desenvolveu o espetáculo femmeuseposturalE. Contando com um grupo de dançarinas profissionais e amadoras de diferentes gerações e origens, as performances exploram, por meio da dança contemporânea, questões como a construção do gênero feminino. Pela terceira vez em Minas Gerais, Cecile faz agora os ajustes finais para as apresentações que serão realizadas esta semana no Inhotim, nos dias 14 e 15 de março. Entre um ensaio e outro pelos jardins do Instituto, a coreógrafa fez uma pausa e conversou com o Blog do Inhotim. Sentada confortavelmente em um dos bancos de Hugo França, ela falou sobre a montagem do espetáculo no parque, a visão que tem da mulher na sociedade atual, suas influências e muito mais. Confira na entrevista a seguir.

    Blog do Inhotim – De onde veio a ideia desse espetáculo?

    Cecile Proust – De início, o Femmeuse evoca a questão do gênero, do feminismo, da arte e as ligações que se pode fazer entre esses pontos. As performances apresentadas em femmeuseposturalE são uma resposta feminina à peça do coreógrafo francês Fabrice Ramalingom, Postural: études, criada para um grupo de 15 homens. Elaboramos esse trabalho com coreografias apresentadas apenas por mulheres. Dentro dele, podemos encontrar influências de Odile Duboc [diretor francês] e do diretor americano Bob Wilson, com quem já trabalhei. Há diversas outras, mas a pintora e escultora brasileira Lygia Clark, também trouxe muitas referências.

    BI – Qual sua visão sobre a mulher na sociedade atual e que mensagem o espetáculo pretende passar em relação a ela?

    CP – É difícil definir exatamente a mulher na sociedade atual, já que são milhões delas e tão diferentes entre si. Acredito que todos devemos simplesmente deixar a palavra e o espaço livre para elas. Cada mulher deve poder se expressar das diversas maneiras possíveis que é capaz. Então, devemos abrir esse espaço e deixar emergir o invisível de dentro delas. O espetáculo explora justamente isso, a liberdade do movimento da mulher dentro do espaço ocupado por ela.

    BI – As coreografias são montadas com bailarinas profissionais e amadoras, inclusive funcionárias do Inhotim. Qual a intenção dessa proposta?

    CP – Nós buscamos justamente esses diferentes corpos trabalhando pela dança, e não apenas um. Dessa forma, podemos fazer emergir diferentes experiências e efeitos e observar como os corpos dessas mulheres se misturam uns com os outros durante a coreografia. Essa relação do profissional com o amador torna a apresentação única, diferente em cada movimento, e isso se reflete tanto para os bailarinos quanto para o público.

    BI – Como é ter o Inhotim como cenário para essa apresentação?

    CP – É formidável. Esse lugar é realmente incrível. Além disso, trabalhar coreografias que envolvam as obras Desert Park (2010), de Dominique Gonzalez-Foerster e Piscina (2009), de Jorge Macchi, como iremos fazer, é ainda mais interessante, já que ambas têm um impacto muito grande sobre o corpo, a energia e o próprio espaço. Mas, claro, todo o Inhotim é excepcional e nos causa um encantamento já de cara. Lembro-me de que na primeira vez que viemos aqui, em 2012, eu e Jacques [Hoepffner, artista visual e parceiro na elaboração do espetáculo] tivemos apenas meio dia para visitar o parque. Mas mesmo com a rápida passagem, olhamos em volta e falamos “uau!”, queremos desenvolver algum projeto aqui. Hoje isso está sendo possível.

    BI – O que o Inhotim trouxe de único para essas performances?

    CP – Bom, é importante ressaltar que as apresentações que faremos aqui são criações específicas para este lugar, relacionadas justamente com as duas obras que utilizaremos como cenário. Mesmo com as ligações que podemos fazer dessas performances com outros materiais que vieram de coreógrafos da França ou com outros trabalhos que já desenvolvi, temos no Inhotim essa relação especial com o espaço, a natureza, o clima e a vegetação, que é totalmente diferente do que estamos acostumados na Europa. Tudo isso traz elementos peculiares para as coreografias e está totalmente alinhado com essa forte relação com o ambiente que esse trabalho desenvolve.

    BI – Quais suas expectativas para esse trabalho no Inhotim?

    CP – É difícil prever o que vai acontecer, mas, muitas vezes, o que a gente espera muda um pouco na realidade. Isso acaba sendo um dos aspectos mais fascinantes dessa apresentação. Acho que o que é interessante e próprio de um trabalho artístico é se deixar transformar pelas experiências vividas e as pessoas que estão trabalhando com você. Nosso projeto é totalmente transformado por quem participa das apresentações e pelo espaço. Claro que temos uma ideia dos resultados, mas o que importa é justamente essa transformação e o que o lugar pode impactar nas performances. Sempre estamos curiosos para saber o que acontecerá. Acho que com o público acontece a mesma coisa.

    Também ficou curioso para saber qual será o resultado da performance? Então não deixe de ir ao Inhotim conferir femmeuseposturalE. Clique aqui para saber os detalhes dessa apresentação.

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