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  • 27 de setembro de 2019

    Marcelo Martins


    Leitura: 8 min

    Inhotim, Setembro Azul e os desafios de uma instituição no caminho para a acessibilidade

    O Inhotim já recebeu mais de três milhões de pessoas – desde 2006, quando abriu ao público – e fomentado o acesso aos seus acervos de arte e botânica, com a finalidade de possibilitar experiências e reflexões sobre cultura e biodiversidade. Como instituição museológica sintonizada com seu tempo e com as discussões na área, as equipes buscam a partir de suas práticas diárias entender e aprimorar a sua comunicação com a diversidade de pessoas que o visita.

    Assim, para se aproximar do público surdo, o Inhotim participa pela primeira vez do Setembro Azul, o mês da visibilidade da Comunidade Surda Brasileira, com uma semana de programação especial para o público surdo e com deficiência auditiva. Entre 23 e 29 de setembro, as visitas proporcionam o aprendizado de sinais em Libras, percorrendo trajetos na área central do Inhotim e no Viveiro Educador. A atividade aborda a história do Instituto, as orientações de visitação nos espaços e os acervos de arte e botânica.

    A atenção para com a Linguagem Brasileira de Sinais no Inhotim começou com a visita da professora Clarice Alves, em março de 2018. Ela, que é surda, pediu ao seu filho Juan Santos para mediar a atividade em Libras, o que chamou a atenção da equipe do Educativo e a estimulou a aprender os sinais da Língua. Grupos de estudo foram criados no Inhotim para aprender Libras. No ano seguinte, Juan foi contratado para auxiliar no ensino e no atendimento ao público surdo pela equipe do Educativo. Para Sara Souza, coordenadora do Atendimento, a contratação do Juan deu uma nova perspectiva para todos. “Pelo fato de ter sido educado em Libras na família, ele explica aspectos importantes na comunicação com os surdos, como a percepção das vibrações do som e a expressão facial”, conta.

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    Nos vídeos acima, a monitora Roberta Duarte ensina os sinais de Inhotim e Brumadinho. Vídeos: Marcelo Martins.

    Uma instituição em processo de aprendizagem

    A equipe do Educativo realizou diversos treinamentos desde meados de 2018, por iniciativa e realização da própria equipe, usando apostilas e vídeos. Para aprimorar os estudos, há um ano, a equipe recebeu a visita da educadora Flávia Neves, que desenvolveu o Librário, uma tecnologia para a aprendizagem de Libras de maneira lúdica.

    Librário

    Librário é um baralho, em que cada carta mostra o sinal em Libras e a sua tradução para o português. Foto: William Gomes

    Esta é a chance de aprender Libras de uma maneira descontraída! A atividade com o Librário será oferecida aos pés da árvore Tamboril no próximo fim de semana, 28 e 29 de setembro.

    Segundo a Gerente de Educação Janaína Melo, este é o momento do Inhotim repensar a relação com os seus públicos, especialmente os surdos e pessoas com deficiência. “O Instituto sempre recebeu público surdo e com deficiência. Agora, é o momento de estabelecer uma estratégia de construção de práticas educativas para essas pessoas, em uma agenda na qual elas também sejam envolvidas, a fim de ampliar a experiência do público no Inhotim. É um entendimento de que o Inhotim é um espaço de todos, feito com todos e para todos”, diz.

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    Equipe de atendimento treina Libras em meio aos jardins do Inhotim. Foto: Marcelo Martins

    Sinais de aprendizagem

    Em uma das visitas que fez com um grupo de surdos no mês de junho, Juan revela o que eles mais gostaram: a experiência na Galeria Cosmococa. “Além de ter apresentado o trabalho dos artistas Hélio Oiticica e Neville d’ Almeida, as pessoas gostaram de interagir com os objetos da instalação, como as almofadas, bexigas e redes”, lembra Juan.

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    Na obra Forty Part Motet (2001), de Janet Cardiff, Juan orienta a visitante a colocar a mão na caixa de som.

    Obras sonoras também estão incluídas no trajeto da visita em Libras. É o caso de Forty Part Motet (2001), de Janet Cardiff. “A pessoa surda sente a vibração do som. Por isso que uma das maneiras de chamar um surdo é, além de gesticular, bater os pés, para que a pessoa sinta a vibração do chão”, explica Juan.

    Até domingo, o Inhotim realiza a 1ª Semana do Setembro Azul, uma programação especial para o público surdo, com visitas mediadas em Libras, traduzidas para o Português. Veja a programação no nosso site e participe! 

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    19 de setembro de 2019

    Marcelo Martins


    Leitura: 7 min

    Movimento, pausa, Sombra e Água Fresca

    Movimento, pausa, Sombra e Água Fresca

    O deslocamento do corpo e das ideias é uma das principais propostas do Inhotim. Percorrer as galerias projetadas especialmente para o Instituto, renovar o olhar observando os jardins e se deparar com a materialidade das obras de arte e pessoas de vários locais do mundo, faz parte da experiência neste local único. Pensar no Inhotim como um local vivo, que está sempre em transformação, também é um dos cernes da experiência do visitante. Sob essa tônica, abriremos no dia 21 de setembro um novo espaço: o Jardim Sombra e Água Fresca -pensado como um jardim em processo.

    Território em transformação

    O jardim está conectado com a transformação do território em seu conceito: a área, que era um pasto, passou por um processo criativo de quase 10 anos, liderado pelo paisagista do Instituto, Pedro Nehring. Existem cerca de 700 espécies, entre plantas nativas e exóticas, com o objetivo de enriquecer a vegetação ciliar do curso d’água e criar novos espaços à sombra. Vando Silva, jardineiro do Inhotim, participou de perto da transformação do local. “Lembro-me de quando eu cortava grama nessa área. Hoje, já tem um caminho, um jardim bonito. Fico feliz por contribuir para este novo espaço do Instituto”, diz.

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    Quais plantas esse jardim tem?

    Para a sua concepção, o paisagista teve como orientação a mistura entre plantas nativas e exóticas para compor flora do Jardim Sombra e Água Fresca. Uma das principais famílias botânicas do Inhotim, as palmeiras, que tem como espécie integrante o Buriti (Mauritia flexuosa), por exemplo, compõem a nova paisagem. Plantas muito presentes na história e na cultura brasileira, como o jacarandá, o guanandi e a pitangueira estão entre cerca de 700 espécies presentes no novo espaço, com aproximadamente 32 mil m².

    O Jardim Sombra e Água Fresca também foi pensado para proporcionar experiências multissensoriais: mais de 80 espécies de plantas frutíferas vão compor a nova paisagem (imagine o cheiro do lugar!); será possível ouvir cantos de muitos passarinhos, como sabiá e trinca-ferro – que se alimentam dessas frutas – e o barulho da água que corre em um dos pontos extremos do jardim.

    FotoWilliamGomes

     

    Afinal, o que é etnobotânica?

    Ao longo do jardim, o visitante poderá reconhecer trinta plantas, que serão identificadas com placas, nas quais vão constar informações etnobotânicas, que nada mais é que a ciência que estuda a utilização das plantas pelas pessoas. Para o curador botânico Juliano Borin, as informações etnobotânicas são ferramentas estratégicas para a educação ambiental do público. “A pessoa terá consciência do uso da planta, da sua importância para o ecossistema e, assim, vai saber porque é importante preservá-la.”

    Por exemplo: você já ouviu falar sobre o Guanandi? Reconhecida como a primeira “madeira de lei” do Brasil, pode atingir até 20 metros de altura. Seus frutos são consumidos por vários animais, o que é útil em reflorestamentos.

    Na região central do jardim, o visitante poderá ainda se deparar com um imponente cedro. Obras do mestre Aleijadinho – expostas em cidades próximas a Brumadinho, como Congonhas, Ouro Preto e Sabará – foram produzidas com a madeira dessa árvore.

    Um último exemplo, só para aumentar a curiosidade com as outras 27 espécies que poderá desvendar nas trilhas do Jardim Sombra & Água Fresca, temos o pau-rosa, uma ótima opção para a arborização das cidades. Quando em floração, sua beleza se iguala ou supera a dos ipês.

    Mil caminhos até o Jardim Sombra e Água Fresca

    São muitos os caminhos que conduzem o visitante até o Jardim Sombra e Água Fresca. Pegue um carrinho no ponto de embarque da Rota 1, próximo à Galeria Praça; siga em direção ao Jardim Veredas, passando ao lado da Galeria Adriana Varejão. Ao desembarcar, o acesso para o jardim está ao lado da Galeria Cosmococa. Outra opção é, ao sair da Recepção, caminhe pela Alameda Central, vire à esquerda da árvore tamboril (B1 no mapa) e vire à direita, passando pela Galeria Fonte (G4). Depois de passar pelo Jardim Veredas (J5), o acesso ao novo espaço estará à sua direita. Confira no gif abaixo:

    INH_MapaNovoJardim_blogSite

    Ah! Não deixe de registrar fotos das plantas e dos animais do Jardim Sombra e Água Fresca, bem como da sua visita ao Inhotim. Compartilhe-as com a #sejapresença, #brumadinho, #minasgerais, #birdwatching, #birdwatchingbrasil, #jardimbotanico, #inhotiminstitute e #inhotim.

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