Nave deusa, 1998
Tule de lycra, isopor, areia e cravo-da-índia
Expondo
desde o final dos anos 1980, Ernesto Neto realiza hoje uma das mais
originais pesquisas em escultura no mundo, promovendo uma leitura única
do legado formal do modernismo a partir de uma visão orgânica da
geometria. Nave é o nome que Neto dá às suas esculturas que criam
espaços que podem ser penetrados pelo espectador, concebidas por ele
como "corpos habitat". Feitas de planos de tecido tensionados, estas
obras constituem, ao mesmo tempo, um invólucro para o espectador e um
objeto escultórico para sua contemplação. Apoiando-se no teto e no chão
do espaço expositivo, elas criam uma nova arquitetura dentro daquela
pré-existente, deixando, contudo, um espaço de circulação em seu
entorno. Nave deusa (1998) é uma das primeiras esculturas deste grupo
de trabalhos e reúne elementos importantes para o artista: a tensão e a
gravidade, evidente nos "braços" e "patas" que a sustentam; a
transparência do material a criar relações entre interior e exterior;
os orifícios com suas alusões corporais e sensuais; as "gotas" de
especiaria que aguçam o olfato; os "ovalóides" no seu interior; o uso
esmerado da costura como técnica construtiva.
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