Rio de Janeiro, 1964; vive no Rio de Janeiro

Nave deusa, 1998
Tule de lycra, isopor, areia e cravo-da-índia

Expondo desde o final dos anos 1980, Ernesto Neto realiza hoje uma das mais originais pesquisas em escultura no mundo, promovendo uma leitura única do legado formal do modernismo a partir de uma visão orgânica da geometria. Nave é o nome que Neto dá às suas esculturas que criam espaços que podem ser penetrados pelo espectador, concebidas por ele como "corpos habitat". Feitas de planos de tecido tensionados, estas obras constituem, ao mesmo tempo, um invólucro para o espectador e um objeto escultórico para sua contemplação. Apoiando-se no teto e no chão do espaço expositivo, elas criam uma nova arquitetura dentro daquela pré-existente, deixando, contudo, um espaço de circulação em seu entorno. Nave deusa (1998) é uma das primeiras esculturas deste grupo de trabalhos e reúne elementos importantes para o artista: a tensão e a gravidade, evidente nos "braços" e "patas" que a sustentam; a transparência do material a criar relações entre interior e exterior; os orifícios com suas alusões corporais e sensuais; as "gotas" de especiaria que aguçam o olfato; os "ovalóides" no seu interior; o uso esmerado da costura como técnica construtiva.
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