Panacea phantastica 2003 - 2008
serigrafia
sobre azulejo
Linda do Rosário 2004
óleo
sobre alumínio e poliuretano
O colecionador 2008
óleo
sobre tela
Adriana
Varejão elegeu o campo da pintura para desenvolver sua obra. Sua produção
abarca fotografia, escultura e instalação, mas sobretudo a pintura, no sentido
mais clássico do termo, pela utilização de materiais e técnicas característicos
desta que é, historicamente, tanto a mais nobre quanto a mais apreciada
linguagem das artes visuais. Nos trabalhos reunidos aqui, é possível acompanhar
a diversidade de interesses de sua obra e a variedade de fontes de sua pesquisa
- a abstração, a ruína, o monumento, o monocromatismo, a violência; a história,
as ciências naturais, a arquitetura. No pavilhão de Inhotim, a obra da artista
pode ser vista de maneira única. Tanto o percurso das obras quanto o partido da
arquitetura foram desenvolvidos em próximo diálogo entre Varejão e o arquiteto Rodrigo Cerviño Lopez,
que projetou o prédio para um conjunto de obras pré-existentes, que a artista
completou com outras criadas in situ.
Iniciando
o percurso, está Panacea phantastica
(2003-2007), um conjunto de azulejos que tem retratados 50 tipos de plantas
alucinógenas de diversas partes do mundo. Concebida como um múltiplo que pode
se adaptar a qualquer arquitetura, a obra aqui se transformou num banco na entrada
do pavilhão, um espaço de contemplação e convívio. Num dos azulejos, um texto
sugere a relação entre os efeitos alucinógenos das plantas e mudanças na
percepção que podem ser provocadas também pela arte. O azulejo, um dos motes
recorrentes da obra de Varejão, reaparece em Linda do Rosário (2004) e em O
colecionador (2008). O primeiro é uma das mais importantes obras da série Charques. Nestas esculturas, a
arquitetura se associa ao corpo, e a matéria de construção se torna carne. A
obra foi inspirada no desabamento do Hotel Linda do Rosário, no centro do Rio
de Janeiro, em 2002, cujas paredes azulejadas caíram sobre um casal num dos
cômodos do prédio. O colecionador,
por sua vez, é a maior pintura da série Saunas,
e faz uso de uma palheta quase monocromática para criar um labirinto interior
idealizado. Com seus jogos de luz e sombras, a pintura evoca espaços de prazer
e sensualidade e reflete a arquitetura do pavilhão, propondo uma continuidade
virtual do espaço.
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