Jonathan Monk, A cube by Sol Lewitt photographed by Carol Huebner using nine different light sources and all their combinations front to back back to front forever, 2001, filme 16mm , 4’, loop, foto: Pedro Motta


Obras de artistas-ícone dos anos 1960 e 1970 constituem as principais fontes do trabalho de Jonathan Monk em filmes, fotografias, instalações, esculturas e performances que apropriam e citam procedimentos clássicos da arte pop, minimalista e conceitual. Sem intenção de copiar trabalhos alheios e sem dividir os mesmos ideais dos autores originais, Monk declara sua herança já nos títulos dados às obras. Aqui, sabemos de antemão que o filme traz um cubo de Sol LeWitt (1928-2007), registrado a partir de uma série de fotografias de Carol Huebner (n. 1950) animadas por Monk e projetadas em loop, indefinidamente. LeWitt foi um dos pioneiros da arte conceitual, com obras radicais que muitas vezes eram completamente baseadas em instruções de realização, e Huebner, uma fotógrafa de uma geração posterior que, nestas fotos, presta homenagem a LeWitt. O duplo movimento de releitura de Monk, citando simultaneamente os artistas, tensiona as noções de autoria da obra de arte, algo já presente nos dois trabalhos. O filme trata da passagem do tempo, convidando a rever o cubo e chamando atenção para os pontos de vista a que uma forma pode ser submetida. À mensagem universalista conceitual, Monk acrescenta uma narrativa pessoal. Em entrevistas, costuma dizer que deseja devolver a arte à vida.

   
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