Tunga, Lézart, aço, cobre e imã, 200 x1170 x 630 cm, 1989. Foto: Tibério França
Tranças, tacapes e pentes são elementos recorrentes na obra do escultor
Tunga — um escultor que se vale da narrativa assim como se vale de
elementos formais. Elementos ligados a uma mitologia pessoal são
aqueles mesmos usados para fazer uma crítica formal do espaço e da
escultura clássica. Em várias de suas obras, Tunga se vale do campo
magnético como fator que expande o espaço da obra. Em Lézart (lagarto
em francês), não há solda entre as chapas de ferro e o arame: suas
partes são conectadas pela atração dos ímãs e por nós; são estruturas
que se sustentam por si mesmas, negociando entre as forças da gravidade
e magnética. Num conto escrito pelo artista, de alguma maneira parte
deste mesmo trabalho, ele diz estar deitado numa rede, em momento de
suspensão onde descansa entre leituras e elucubrações filosóficas, e
presencia a fusão entre duas lagartixas.
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