A Origem da Obra de Arte
Marilá Dardot - A Origem da Obra de Arte, 2002, 150 vasos de cerâmica em forma de letras, terra, 12 tipos de sementes, instrumentos de jardinagem e texto em vinil, Dimensões variáveis
A origem da obra de arte (2002) é uma instalação seminal
na obra de Marilá Dardot. Apresentada originalmente em sua
primeira exposição individual, no Museu de Arte da Pampulha, em
Belo Horizonte, a obra constitui um convite para a interação do
espectador, instigado a compor palavras e sentenças e a
distribuí-las pelo campo. Cada letra tem o feitio de um vaso de
cerâmica (ou será o contrário?) e, à disposição do espectador,
encontram-se utensílios de plantio, terra e sementes. Para
abrigar a obra e servir de ponto de partida para a criação dos
textos, foi construído um pequeno galpão, evocando uma estufa ou
um ateliê de jardinagem. As 1.500 letras-vaso foram produzidas
pela cerâmica que funciona em Inhotim, num processo que durou
vários meses e contou com a participação de dezenas de mulheres
das comunidades do entorno.
O título da obra faz referência a um clássico da Estética, a célebre conferência de mesmo nome do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), proferida em 1936, na qual o pensador aproxima o conceito de arte daqueles de “verdade” e de “ser”, sugerindo que comecemos a entender a arte pela obra de arte. A peça de Dardot é um marco inicial no interesse da artista pela linguagem escrita como matéria-prima e associa-se à sua pesquisa sobre as práticas de escrita e de leitura. O que está em jogo aqui é o conceito de obra enquanto possibilidade de realização. A imagem do "canteiro de obras" é emprestada para criar um campo de possibilidades de experimentação para o acontecimento e a construção da obra de arte. Plantar palavras, semear ideias, é o que nos propõe o trabalho. No contexto de Inhotim, onde natureza e arte dialogam de maneira privilegiada, esta proposição se torna, de certa maneira, mais perto da possibilidade.
Outras Imagens
O título da obra faz referência a um clássico da Estética, a célebre conferência de mesmo nome do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), proferida em 1936, na qual o pensador aproxima o conceito de arte daqueles de “verdade” e de “ser”, sugerindo que comecemos a entender a arte pela obra de arte. A peça de Dardot é um marco inicial no interesse da artista pela linguagem escrita como matéria-prima e associa-se à sua pesquisa sobre as práticas de escrita e de leitura. O que está em jogo aqui é o conceito de obra enquanto possibilidade de realização. A imagem do "canteiro de obras" é emprestada para criar um campo de possibilidades de experimentação para o acontecimento e a construção da obra de arte. Plantar palavras, semear ideias, é o que nos propõe o trabalho. No contexto de Inhotim, onde natureza e arte dialogam de maneira privilegiada, esta proposição se torna, de certa maneira, mais perto da possibilidade.






