Máquina do Mundo
Laura Vinci - Máquina do Mundo, pó de mármore, correia transportadora, máquina dosadora, 0,60 x 0,40 x 5,00 m e 0,70 x 0,70 x 2,00 m (aprox.), 2005
Máquina do
mundo (2005) toma seu título emprestado do célebre poema de Carlos Drummond de
Andrade (1902-1987). Nele, o narrador percorre uma estrada no interior de Minas
Gerais, onde se abre a "máquina do mundo",promessa de revelação de preciosos
segredos, que ele se recusa a aprender, seguindo seu caminho. Na imagem de
Drummond, a máquina seria uma espécie de essência da sabedoria metafísica do
mundo. A escultura de Laura Vinci, assim como o poema, articula essência e
artifício. Aqui, vemos uma quantidade de material ser transportada no espaço
por uma máquina, comumente usada na indústria e na mineração. À medida que
cumpre seu trabalho, a escultura aproxima-se de seu fim e/ou de seu recomeço,
num frágil equilíbrio entre matéria e tempo. Através de esculturas e instalações
que desenvolve desde os anos 1980, Laura Vinci tematiza questões ligadas ao
tempo, às mudanças e transformações. Máquina do mundo, por sua vez, se desdobra
numa série de referências para o espectador, desde a mineração abundante em
Minas Gerais ao monocromo branco, que marca a história da arte no século 20,
passando pela história da escultura, no uso do pó de mármore, e pela crítica à
mecanização da vida.
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