Hélio Oiticica e Neville D’Almeida, Cosmococa 5 Hendrix War, 1973, projetores, slides, redes, trilha sonora (Jimi Hendrix) e equipamento de áudio, dimensões variáveis, foto: Eduardo Eckenfels
À época em que residiu em Nova York, no início dos anos 1970, Hélio
Oiticica trabalhou em parceria com o cineasta Neville D’Almeida na
criação de instalações pioneiras chamadas de “quasi-cinemas”. Estas
obras transformam projeções de slides em instalações ambientais que
submetem o espectador a experiências multisensoriais. Os quasi-cinemas
representam o ápice do esforço que Oiticica empreendeu ao longo de sua
carreira para trazer o espectador para o centro de sua arte e para
criar algo que é tanto um evento ou processo quanto um objeto ou
produto — um desafio da tradicionalmente passiva relação entre obra e
público. Oiticica e D’Almeida criaram cinco quasicinemas que chamaram
Blocos-Experiências em Cosmococa. Essas instalações consistem em
projeções de slides com trilhas musicais específicas e usam fotos de
cocaína — desenhos feitos sobre livros e capas de discos de Jimi
Hendrix, John Cage, Marilyn Monroe e Yoko Ono, entre outros. O uso da
cocaína, que Oiticica, discute longa e teoricamente em seus textos,
aparece tanto como símbolo de resistência ao imperialismo americano
quanto referência à contracultura.
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